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sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Campo Grande: MP investiga possível omissão do Conselho Tutelar após morte de menina de 6 anos

A criança foi sepultada na manhã desta sexta-feira (29). E.V.S.M., de 6 anos, foi sequestrada, estuprada e encontrada morta na noite de quarta-feira (27), na casa do suspeito, na Vila Carvalho, em Campo Grande.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) abriu investigação para apurar a atuação do Conselho Tutelar Sul no caso de E.V.S.M., de 6 anos. A menina foi sequestrada, estuprada e encontrada morta na noite de quarta-feira (27), em uma casa na Vila Carvalho, em Campo Grande. A criança foi sepultada na manhã desta sexta-feira (29).

Segundo o MPMS, a investigação vai verificar se houve falha ou omissão do Conselho Tutelar e se isso pode ter relação com a morte da criança. O procedimento corre em sigilo, como prevê a lei. O caso é investigado.

E.V.S.M. era acompanhada pelo Conselho Tutelar desde 2020. O último registro é de maio deste ano, quando ela quebrou o braço em uma suspeita de agressão.

O Conselho Tutelar não respondeu aos questionamentos do g1. A família negou que a criança sofreu agressões.

O autor do crime, M.W.T.T., de 20 anos, morreu na manhã de quinta-feira (28) em confronto com policiais do Grupo de Operações e Investigações (GOI) da Polícia Civil. Ele tinha histórico de abusos infantis, segundo a polícia.

Assistência à família

A Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS) informou que a família de E.V.S.M. foi atendida em fevereiro pelo Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Guanandi, após solicitação do Conselho Tutelar Sul.

Segundo a SAS, a família passou por entrevista com técnicos da unidade, que constataram vulnerabilidade social e insegurança alimentar causada pela falta de renda.

O Cras entregou uma cesta básica à família e ofereceu outros serviços, como o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos e o Programa Criança Feliz, que inclui visitas domiciliares e orientações para fortalecer os laços familiares. A família, porém, recusou os serviços e aceitou apenas a cesta básica.

Família nega agressões

O padrasto de E.V.S.M., D.V., negou as agressões. Ele falou com a equipe da TV Morena, nesta sexta-feira (29), durante o sepultamento da criança, negando que ela sofresse maus-tratos ou agressões em casa. A mãe da menina não quis dar entrevista.

“A gente ia no conselho, na delegacia, mas eles não conseguiram arrumar nada. Na delegacia nem chegaram a fazer exame nela, porque a delegada saiu e falou que os pais estão liberados, pois a criança só falou bem do pai e da mãe, não sofre nenhum maus-trato, então a gente não vai nem interrogar o pai e a mãe”, lembrou D.V.

O padrasto confirmou que o Conselho Tutelar acompanhava e visitava a família frequentemente. Ele também negou que a criança passava fome. “O próprio conselho tutelar chegava na minha casa e o armário estava cheio, as crianças brincando, tomando banho, tudo bem cuidado”, relatou.

D.V. disse que conheceu E.V.S.M. quando ela tinha apenas duas semanas de vida. “Minha filha era tudo para gente. Era muito carinhosa, muito amada”. Sobre o autor do crime, D.V. contou que era apenas conhecido do trabalho. “A gente nunca teve amizade assim, é só de serviço”, informou.

Sequestrada e assassinada

Segundo a Polícia Civil, E.V.S.M. sofreu abusos sexuais repetidos antes de ser morta por esganamento.

A família de E.V.S.M., que mora na Vila Taquarussu, acionou a polícia no início da noite após perceber o desaparecimento da menina. Câmeras de segurança registraram a criança caminhando pela rua com o suspeito por volta das 8h30 da manhã.

Moradores reconheceram o homem das imagens e informaram que ele vivia na Vila Carvalho. A polícia foi até o endereço, encontrou a casa vazia, mas localizou documentos com o nome do suspeito. Ao retornar ao imóvel, os agentes notaram marcas de chinelo com barro e seguiram com as buscas.

O corpo de E.V.S.M. foi encontrado em um dos quartos da casa. Ela estava enrolada em uma coberta com fitas adesivas, em uma banheira de bebê, sob a cama. A área foi isolada para o trabalho da perícia. O pai da menina foi levado à delegacia para prestar depoimento sobre o desaparecimento.

Fonte: Mirian Machado, g1 MS

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