O Governo do Estado deve assinar nesta sexta-feira (16) o contrato para implantação de um sistema de abastecimento de água nas aldeias Jaguapiru e Bororó, localizadas em Dourados. O investimento previsto é de R$ 48,7 milhões, considerado histórico após décadas de falta de acesso regular à água potável na reserva indígena. A assinatura está marcada para as 9h30, na sede da Sanesul.
A ausência de um sistema adequado de abastecimento é um problema antigo na Reserva Indígena de Dourados. Famílias convivem há anos com a necessidade de buscar água longe de casa, dependem de caminhões-pipa e armazenam o recurso em recipientes improvisados, situação que já gerou riscos à saúde e sucessivas mobilizações da comunidade.
Nos últimos anos, indígenas das duas aldeias chegaram a bloquear rodovias e acessos a serviços públicos para cobrar uma solução definitiva. Os protestos se intensificaram após Jaguapiru e Bororó ficarem inicialmente fora de um convênio de R$ 60 milhões firmado entre a Itaipu Binacional e governos para atender outras aldeias do Cone Sul. Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), cerca de 20 mil pessoas vivem na reserva, distribuídas em uma área de aproximadamente 3,5 mil hectares.
“O problema de falta de água nas reservas indígenas é crônico, histórico e nunca foi sanado de verdade”, afirma Flávio Vicente Machado, representante do Cimi em Dourados. Ele aponta que o sistema atual é precário, com vazamentos frequentes, tubulações expostas e incapaz de acompanhar o crescimento populacional da região.
Em 2024, após novos protestos, o Ministério dos Povos Indígenas anunciou medidas emergenciais, incluindo a perfuração de dois poços profundos, com investimento de R$ 2 milhões, além do fornecimento diário de água por caminhões-pipa. As obras emergenciais têm previsão de conclusão até março de 2025.
Em junho do ano passado, a ministra Sônia Guajajara esteve na reserva para a entrega de 12 poços artesianos e anunciou a instalação de outros cinco. Na ocasião, ela também prometeu articular R$ 53 milhões para uma solução estrutural definitiva. Segundo a ministra, os poços tinham caráter emergencial e não eram suficientes para resolver o problema de forma permanente — lacuna que o novo contrato pretende finalmente superar.
