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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

MS resgata 95 trabalhadores de condições análogas à escravidão em 2025

Indenizações somam quase R$ 11,5 milhões e Estado ocupa 8º lugar no ranking nacional

Mato Grosso do Sul fechou o ano de 2025 com 95 trabalhadores resgatados de situações semelhantes ao trabalho escravo. Os dados foram divulgados na última quarta-feira (28) pelo Ministério do Trabalho e Emprego, por meio da Secretaria de Inspeção do Trabalho.

As ações de fiscalização resultaram em indenizações que se aproximam de R$ 11,5 milhões, destinadas tanto às vítimas quanto à reparação por danos morais coletivos. Paralelamente, o Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul moveu ações judiciais que, entre 2024 e 2025, somam mais de R$ 98 milhões em valores requeridos, ainda pendentes de análise pela Justiça do Trabalho.

O total de resgates registrados em 2025 no Estado é inferior ao verificado no ano anterior. Em 2024, foram firmados 21 acordos relacionados ao resgate de 222 trabalhadores submetidos a condições degradantes em Mato Grosso do Sul.

No cenário nacional, o combate ao trabalho escravo resultou no resgate de 2.772 trabalhadores ao longo de 2025, em 1.594 ações fiscais realizadas em todo o país. Essas operações garantiram o pagamento de mais de R$ 9 milhões em verbas rescisórias às vítimas.

Os dados também revelam uma mudança no perfil das ocorrências. Os setores com maior número de trabalhadores resgatados foram obras de alvenaria (601), administração pública em geral (304), construção de edifícios (186), cultivo de café (184) e extração e britamento de pedras e outros materiais de construção (126). Em 2025, 68% dos resgates ocorreram em áreas urbanas, superando os registros em zonas rurais, que predominavam em anos anteriores.

Segundo o MTE, o trabalho escravo contemporâneo não se limita a atividades específicas e inclui práticas em áreas como colheita de café, desmatamento, mineração ilegal, indústria têxtil e trabalho doméstico. Neste último setor, foram realizadas 122 ações fiscais em todo o país, que resultaram no resgate de 34 trabalhadores.

O ministério destacou ainda que todo trabalhador resgatado tem direito ao Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado (SDTR), pago em três parcelas de um salário mínimo. “Esse benefício contribui para a reconstrução da vida das vítimas após tão grave violação de direitos. Além disso, todos são encaminhados à assistência social e a outras políticas públicas, conforme seus perfis”, informou a pasta.

Em 2025, os estados com maior número de ações fiscais foram São Paulo (215), Minas Gerais (145), Rio de Janeiro (123), Rio Grande do Sul (112) e Goiás (102). Já no ranking de trabalhadores resgatados, Mato Grosso liderou com 607 casos, seguido por Bahia (482), Minas Gerais (393), São Paulo (276) e Paraíba (253). Mato Grosso do Sul aparece na 8ª posição nacional.

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