A árbitra Daiane Caroline Muniz dos Santos, de 37 anos, natural de Três Lagoas (MS), foi alvo de declarações de cunho machista na noite de sábado (21), após comandar a partida entre Red Bull Bragantino e São Paulo Futebol Clube, válida pelas quartas de final do Campeonato Paulista 2026.
O confronto, realizado no Estádio Cícero Souza Marques, em Bragança Paulista (SP), terminou com vitória do São Paulo por 2 a 1. Nos minutos finais, um lance dentro da área tricolor gerou reclamações por parte da equipe da casa. Juninho Capixaba caiu após disputa com Bobadilla e pediu pênalti, mas a árbitra interpretou o contato como normal e mandou o jogo seguir. O árbitro assistente de vídeo (VAR) também não recomendou revisão.
Após o apito final, o zagueiro Gustavo Marques, autor do gol do Bragantino, criticou publicamente a arbitragem durante entrevista concedida ainda no gramado. Em declaração à TNT Sports, ele questionou a presença de uma mulher na condução de uma partida de grande porte e afirmou que a árbitra não teria capacidade para apitar o confronto.
Diante das falas, a Federação Paulista de Futebol manifestou-se por meio de nota oficial, classificando as declarações como preconceituosas e inaceitáveis. A entidade informou que encaminhará o episódio ao Tribunal de Justiça Desportiva para análise das medidas cabíveis.
No posicionamento divulgado, a federação ressaltou que considera grave qualquer questionamento da competência profissional com base em gênero. Também destacou que conta atualmente com dezenas de árbitras e assistentes em seus quadros e reafirmou apoio a Daiane Muniz, ressaltando sua qualificação técnica em âmbito estadual, nacional e internacional.
