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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Pai de santo é preso acusado de estupro de vulnerável sob alegação de “incorporação espiritual”

Investigado teria abusado de fiéis sob argumento de rituais espirituais; arma irregular também foi apreendida

Um homem de 63 anos, que se apresentava como pai de santo, foi preso preventivamente na manhã desta quarta-feira (11), em Campo Grande. Ele é investigado por estupro de vulnerável contra mulheres frequentadoras de um centro de umbanda onde exercia liderança religiosa.

Segundo a Polícia Civil, as apurações tiveram início em novembro de 2025, após uma denúncia formalizada por uma das vítimas. Ela relatou que os abusos começaram quando tinha 12 anos. Conforme o depoimento, o suspeito afirmava estar incorporado por uma entidade espiritual e, sob a justificativa de realizar atendimentos e rituais, praticava os atos.

Outras duas investigações relacionadas a fatos semelhantes também estão em andamento, com relatos que apontam padrão de conduta semelhante por parte do investigado.

A prisão preventiva foi autorizada pelo Judiciário após representação da autoridade policial. A decisão considerou a gravidade das acusações, indícios de possível reiteração criminosa e a necessidade de resguardar a instrução processual e a integridade das vítimas.

O suspeito foi encaminhado à Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente, onde a ordem judicial foi cumprida. Ele foi indiciado com base no artigo 217-A do Código Penal, combinado com o artigo 226, inciso II, que prevê aumento de pena quando o crime é cometido por quem exerce autoridade sobre a vítima — circunstância atribuída à sua posição de líder religioso.

Durante as diligências no imóvel onde funcionava o centro religioso, os policiais encontraram uma espingarda sem documentação regular. O homem também foi autuado em flagrante por posse ilegal de arma de fogo.

Em interrogatório, ele declarou que, ao afirmar estar incorporado por entidade espiritual, ficaria “sem consciência” do que ocorria. A versão apresentada será analisada à luz das provas já reunidas no inquérito.

Após os procedimentos de praxe, o investigado será transferido ao sistema prisional e permanecerá à disposição da Justiça. A Polícia Civil informou que adotou medidas de proteção às vítimas e realizou exames periciais, além da oitiva de testemunhas para aprofundar as investigações.

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