O HU-UFGD (Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados) informou, nesta sexta-feira (20), que retomou os procedimentos de captação de órgãos após dois anos. Três pacientes de Mato Grosso do Sul e do Rio Grande do Sul receberam transplantes de uma doadora de 44 anos, que teve morte encefálica.
O hospital havia suspendido o procedimento em outubro de 2023, com o atendimento da família de um paciente de três anos, vítima de afogamento, que autorizou a doação. Os órgãos viáveis foram encaminhados para Minas Gerais, de acordo com a compatibilidade dos receptores.
As cirurgias foram retomadas no início de fevereiro e, no dia 4 deste mês, os pacientes receberam transplantes de rins e fígado. A doadora estava internada em estado grave desde o dia 27 de janeiro.
A psicóloga hospitalar Larissa Beatriz Andreatta, que atua na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) adulto, explica que a e-DOT (Equipe Hospitalar de Doação de Transplante), antiga Cihdott, é formada por profissionais que atuam no apoio para identificação e diagnóstico de potenciais doadores, notificação dos casos e acolhimento das famílias para a autorização.
Logo, a e-DOT acompanha todo o processo, além de esclarecer dúvidas, capacitar profissionais da área de saúde do HU ou de outras instituições de saúde e promover ações de conscientização sobre o tema.
“Com a morte cerebral, acionamos a equipe do hospital que trabalha nesta função e, junto com os profissionais da UTI, acolhemos a família e informamos sobre a possibilidade e oportunidade de doação”, disse.
“Ainda encontramos dificuldades, pois é um assunto pouco discutido em casa. Algumas famílias recusam a doação por desconhecer qual seria o desejo do paciente, por isso é fundamental avisar a família sobre o desejo de ser doador”.

Doação salva vidas
Segundo ela, o processo todo para a captação de órgãos envolve o trabalho de vários profissionais. “Tem a atuação das equipes assistenciais das UTIs, das e-DOTs, do pessoal da Organização de Procura de Órgãos, que é um órgão executivo do Sistema Nacional de Transplantes, das equipes assistenciais que fazem a cirurgia de captação e muitos outros profissionais. Há uma logística muito grande para este trabalho”, resumiu Ely Bispo.
Ela explicou que a cirurgia de captação, que durou cerca de três horas, foi feita por uma equipe de Campo Grande, formada pelo médico-cirurgião Gustavo Rapassi, um instrumentador cirúrgico e um residente em Medicina, com o suporte dos profissionais e da estrutura hospitalar do HU-UFGD/Ebserh.
Rapassi, que é responsável pelo programa de transplante de fígado de Mato Grosso do Sul, disse que o fígado da doadora foi destinado a um paciente de Campo Grande e os rins foram disponibilizados pela Central Nacional para receptores do Rio Grande do Sul. “O paciente que vai receber o fígado estava na fila há bastante tempo, então essa doação vai ser muito importante”, disse.

Segundo ele, tudo começa na conscientização sobre a importância da doação de órgãos. “Para qualquer modalidade de transplante, é fundamental que haja um doador e a gente tem tido muitas surpresas boas e novas aqui em Dourados, nesta área, graças a todo este trabalho em rede. Mesmo quando a gente não utiliza o órgão na região, disponibilizamos para que receptores de outras regiões do país se beneficiem”, explicou.
O médico acrescentou que, da mesma forma, muitos receptores são beneficiados com a retirada de órgãos de outras regiões devido às equipes que atuam em todo o Brasil. “Então isso é organizado pelo Sistema Nacional de Transplante e a gente consegue minimizar as perdas de órgãos pelas grandes dimensões do nosso país”, afirmou.
