Uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal revelou que um esquema do golpe conhecido como “falso advogado” tinha origem em um presídio localizado em Dourados, no Mato Grosso do Sul. O caso foi divulgado nesta quinta-feira (5) pela assessoria de comunicação da corporação.
De acordo com as apurações, os criminosos entravam em contato com vítimas por meio de aplicativos de mensagens, utilizando nome e fotografia de advogados reais para dar aparência de legitimidade à abordagem. Durante a conversa, os suspeitos afirmavam que o processo judicial da vítima exigia pagamento imediato para liberação de valores ou conclusão de etapas do caso.
Em um dos episódios investigados, uma idosa acabou realizando transferências bancárias para contas controladas pelo grupo criminoso. Os suspeitos ainda tentaram convencê-la a fazer um segundo repasse, desta vez de valor mais alto, mas a fraude foi descoberta antes que o novo pagamento fosse efetuado.
A investigação apontou que parte das mensagens utilizadas no golpe foi enviada de dentro de uma unidade prisional em Dourados. A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul auxiliou nas diligências, que foram realizadas tanto em Dourados quanto no município de Juti.
Participaram da operação equipes do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron) e delegacias das duas cidades. A condução da investigação ficou sob responsabilidade da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), da Polícia Civil do Distrito Federal.
Ao todo, seis pessoas foram identificadas como participantes do esquema. Entre elas, segundo a polícia, está uma advogada inscrita na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), suspeita de ter auxiliado na ocultação da origem do dinheiro obtido com a fraude.
A polícia alerta que o golpe costuma ter como alvo pessoas idosas que possuem processos judiciais em andamento. A recomendação é que qualquer pedido de pagamento relacionado a processos seja confirmado diretamente com o advogado responsável, utilizando canais de contato já conhecidos.

