Diante da decisão do Ministério da Saúde de suspender temporariamente a aplicação da vacina Butantan-DV contra dengue, a Secretaria Municipal de Saúde esclarece que não existe motivo para preocupação entre a população. “A Prefeitura de Dourados recebeu apenas 70 doses da vacina Butantan-DV tendo como público preferencial pelo Ministério da Saúde os trabalhadores na linha de frente das UBS”, explica o secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo. “As doses foram aplicadas em 70 profissionais da saúde, sem nenhuma reação alérgica, sem nenhuma intercorrência e não temos nenhum caso de reação adversa em investigação”, completa o secretário.
Ele ressalta que a estratégia de vacinação com o imunizante Butantan-DV estava voltada exclusiva para profissionais de saúde da Atenção Primária à Saúde e, de forma ampliada, para o público de 15 a 49 anos, de quatro cidades brasileiras, nenhuma delas de Mato Grosso do Sul. “Os únicos municípios que estavam aplicando a vacina no público-alvo eram Botucatu, no interior de São Paulo, Maranguape, no Ceará e Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais, e da região de Araguaína, em Tocantins”, explica Márcio Figueiredo. “Não existe qualquer motivo para preocupação em Dourados”, conclui.
Márcio Figueiredo ressalta que a vacina que vinha sendo aplicada contra a Chikungunya, que também era produzida pelo Instituto Butantan e que teve pouca procura nas Unidades Básicas de Saúde de Dourados, não tem qualquer relação com a Butantan-DV, que foi suspensa pelo Ministério da Saúde nessa segunda-feira. “As doses gerais, que seriam destinadas ao público alvo, nem foram enviadas ao município de Dourados, de forma que não existe motivo para preocupação”, ressalta. “Em relação à vacina contra Chikungunya, a imunização está paralisada porque as doses que foram encaminhadas ao município venceram no começo do mês e o Ministério da Saúde ainda não enviou um novo lote”, conclui.
A medida de suspensão da vacina Butantan-DV foi adotada por precaução e a partir de consenso entre o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), após o registro de 42 casos com sinais de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Dentre esses casos, três foram classificados como graves, incluindo dois óbitos.
A identificação desses episódios foi feita pela farmacovigilância – procedimento padrão de monitoramento adotado sempre que um novo insumo desse topo passa a ser usado no Sistema Único de Saúde (SUS). São eventos raros que correspondem a 0,008% de um total de 500 mil doses aplicadas até 30 de maio – e ainda não há resultado conclusivo sobre a correlação deles com a vacina.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, explica que a descontinuidade é uma ação de precaução que deve sempre orientar quem respeita a vida e quem respeita a ciência, ainda mais quando se fala de vacinação. “A medida permite que o Ministério da Saúde, a Anvisa e o Instituto Butantan aprofundem a investigação dos casos, em especial dos óbitos registrados, para os quais ainda não há informações suficientes que permitam estabelecer uma relação de causalidade com a vacina”, destacou Alexandre Padilha.
COMBATE À DENGUE
O Ministério da Saúde mantém todas as demais estratégias de combate à dengue em operação, com o objetivo de reduzir a circulação do vírus, prevenir casos graves, diminuir hospitalizações e evitar óbitos. Até o fim de maio deste ano, o país registrou queda de 94% no número de casos em relação ao mesmo período de 2024. Foram 365 mil casos prováveis, bem abaixo dos 5,8 milhões contabilizados no mesmo intervalo de 2024. Em relação aos óbitos, a redução foi de 97%, com registro de 178 óbitos em 2026 e, mais de 6,3 mil em 2024.
Entre as medidas estratégicas adotadas pelo Ministério da Saúde estão o fortalecimento da vigilância epidemiológica, o monitoramento contínuo dos casos suspeitos e confirmados, a identificação e eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti, campanhas permanentes de conscientização da população e o apoio técnico e financeiro aos estados e municípios para ações de controle vetorial.
O Ministério também mantém a distribuição de inseticidas, larvicidas e equipamentos para as equipes locais de vigilância, além da capacitação contínua de profissionais de saúde para o diagnóstico precoce e o manejo adequado dos pacientes. Outra frente importante é o monitoramento laboratorial dos sorotipos circulantes do vírus da dengue, permitindo respostas mais rápidas diante do aumento da transmissão em determinadas regiões.
A participação da população continua sendo fundamental para o controle da doença. A recomendação é eliminar recipientes que possam acumular água parada, manter caixas d’água devidamente fechadas, limpar calhas, descartar corretamente resíduos e permitir o acesso dos agentes de combate às endemias quando necessário.

