Em meio à dor da perda, a família da estudante de medicina Maria Caroline Azevedo Freitas, de 29 anos, permitiu a doação dos órgãos da filha que morreu no Hospital da Vida, em Dourados, após acidente de trânsito em Ponta Porã.
A cirurgia que levou cerca de cinco horas, encerrou na noite de quarta-feira, dia 24, para a captação de coração e pulmão que seguem para São Paulo, e rins, fígado e córneas a pessoas de Mato Grosso do Sul que estão na fila de espera pelo transplante.
“Pela história da nossa doadora, nós sabemos que ela era uma pessoa que lutava muito pela vida, uma profissional de saúde e a família, também de profissionais de saúde, optaram por esse gesto”, afirmou Ludelça Dorneles, coordenadora da OPO (Organização de Procura de Órgãos) do Hospital da Vida em Dourados, onde a captação aconteceu.
A retirada do fígado foi feita por equipe de Campo Grande, e os pulmões e coração por médicos do Incor SP (Instituto do Coração de São Paulo), com transporte viabilizado através do uso de aeronave para garantir a agilidade necessária aos procedimentos.
“Felizmente a logística foi viável, a gente conseguir voar até aqui, estar aqui e conseguir captar pulmões para a nossa receptora em São Paulo. Então, foi muito importante, [quero] agradecer a família, que aceitou doar os órgãos, num momento tão difícil, agradecer à OPO, ao Hospital, que conseguiu viabilizar tudo isso”, afirmou Flávia Fiuza de Andrade, cirurgiã pulmonar.
“Esta captação ressignifica e ‘retransforma’ a vida desta pessoa que se foi, mas que proporcionará o renascimento para que outras pessoas possam receber órgãos para transplante. Eu gostaria de agradecer a família da doadora, que, a despeito de toda a dor que esteja sentindo neste momento, conseguiu olhar ao próximo, num gesto de magnitude, num gesto de amor”, disse Ronaldo Honorato, cirurgião cardíaco do Incor SP.
Profissionais que atuam no setor, sempre ressaltam que é importante manifestar em vida o desejo de doar órgãos, mas lembram que a palavra final é sempre da família. Esse é justamente um dos principais desafios para que esses procedimentos aconteçam, já que em média a quantidade de recusas ainda é maior do que as permissões. Por isso, a pauta é constante em campanhas de conscientização para reduzir a fila de espera por transplante.
A doação dos órgãos de Maria Carolina foi acatada pela família depois de confirmada oficialmente a morte encefálica da jovem na noite de terça-feira, dia 23. O protocolo para diagnóstico foi aberto pela equipe na segunda-feira, dia 22, para realização de exames e outros procedimentos obrigatórios.
Ela estava internada na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital da Vida desde o final de semana, quando foi transferida com urgência do Hospital Regional de Ponta Porã, cidade onde foi vítima de um acidente de moto que não teve as circunstâncias divulgadas até o momento. Maria Caroline chegou ao hospital douradense já em estado grave, com quadro de traumatismo craniano e múltiplas fraturas pelo corpo.
A jovem morava em Dourados, mesma cidade em que o pai, e cursava medicina em uma universidade particular de Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia gêmea da brasileira Ponta Porã. O corpo será sepultado na cidade onde mora a mãe dela, em Natal, no Rio Grande do Norte.

