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segunda-feira, 27 de julho de 2026

Estagiário é preso acusado de aplicar golpe em policial militar em Dourados

Um estagiário de direito, de 31 anos, foi preso acusado de aplicar golpe em um 3º Sargento da Polícia Militar, de 39 anos, em Dourados. Ele é suspeito de estelionato, ameaça, porte de arma de fogo com numeração suprimida e exercício ilegal da profissão ou atividade.

De acordo com o Boletim de Ocorrência, a vítima relata que o suspeito teria oferecido há cerca de dois meses, assessoria jurídica e intermediação de serviços financeiros, se passando por advogado e contador.

Ele teria dito que poderia conseguir mediante projeto, recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para a empresa da qual o policial seria sócio.

Na versão da vítima, no dia 12 deste mês, teria pago R$ 4,5 mil para dar início ao projeto. Além disso, alega ter pago R$ 400 que teriam sido exigidos como se fossem honorários contábeis e R$ 321,50 por suposta mudança de alíquota da empresa.

No sábado, dia 25, o policial e o suspeito se encontraram na casa onde o estagiário mora com a mãe, no bairro Jardim Água Boa. A vítima então teria exigido a apresentação dos registros na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e CRC (Conselho Regional de Contabilidade).

Conforme relatou o policial na ocorrência, nesse momento o suspeito teria confessado que não era profissional dessas áreas e negado quando a vítima pediu ressarcimento do que foi pago.

O 3º Sargento acusa o estagiário de afrontá-lo dizendo que não pagaria ‘merda’ nenhuma, em tom ameaçador e levando a mão na cintura insinuando estar armado.

Diante disso, o PM teria feito uma ‘abordagem de nível quatro’, que é adotada em situações de flagrante, em que o suspeito fica ajoelhado com as mãos na cabeça e os dados entrelaçados, para que seja revistado.

Durante busca pessoal, o militar teria achado uma pistola calibre 765 com numeração raspada. Além disso, foram apreendidas cinco munições calibre 32.

Ele pediu reforço de uma guarnição do batalhão e o suspeito foi levado até a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário).

A VERSÃO DO SUSPEITO

No local, o suspeito teria confirmado que foi procurado pelo PM por meio da indicação de um amigo, pois atua na área desde 2021 e que o valor de R$ 4,5 mil seria de entrada para dar início ao projeto de financiamento junto ao BNDES Investimentos, para a empresa que a vítima teria aberto há nove meses.

Teria alegado ainda que entregou ao policial, o estudo de viabilidade econômica e social do projeto e que não estaria enganando a vítima e nem obtendo vantagem ilícita, já que um documento como esse teria custo aproximado de R$ 18 mil.

Relatou ainda que conversava com uma mulher por uma rede social, que marcaram um encontro, mas ao chegar ao local se deparou com o policial acompanhado de outro rapaz cujo nome desconhece.

Confirmou ainda que a vítima pediu a devolução do dinheiro, mas diz que tinha alegado não possuir naquele momento e que teria oferecido seu veículo como forma de ressarcimento, mas que o policial não teria aceitado. O suspeito nega ter ameaçado a vítima e também ter havido discussão. 

A arma de fogo alegou que mantinha para defesa, porque vinha sendo ameaçado por alguns clientes que o acusam de estelionato em outras situações.

Ele reformou ainda que não tem formação em direito ou contabilidade e que trabalha com assessoria nessas áreas e quem assina para seu escritório seriam parceiros credenciados.

MAIS CASOS

Para a Polícia Civil, não se trata de um caso isolado, por isso representou pela prisão preventiva do suspeito.

No dia 20 deste mês, outro boletim de ocorrência traz essas mesmas acusações, além de outra de falsificação de documento particular. 

Os indícios apurados são de que ele teria passado a se apresentar perante clientes, parceiros comerciais e terceiros como se fosse advogado regularmente inscrito na OAB e integrante de um escritório, ocultando ser estagiário.

Consta ainda a acusação de que ele recebia diretamente valores em contas bancárias de sua própria titularidade, induzindo as vítimas em erro ao fazê-las acreditar que estavam contratando serviços prestados pelo escritório.

A suspeita é de que o jovem tenha obtido uma vantagem patrimonial com o golpe de, pelo menos, R$ 100 mil, e os policiais não descartam a possibilidade de que haja mais vítimas.

Pelo menos sete pessoas ou empresas alegam ter feito negociações com o estagiário acreditando se tratar de advogado integrante da banca.

O caso é investigado pelo 1º Distrito Policial de Dourados.

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