21.4 C
Dourados
segunda-feira, 10 de agosto de 2026

O que se sabe sobre o sequestro da bebê de menos de um mês em Campo Grande, encontrada no Paraguai

Bebê está sob os cuidados do Conselho Tutelar de Ponta Porã; casal que estava com a criança já está custodiado em Mato Grosso do Sul. Polícia investiga participação de outras pessoas.

A bebê de menos de um mês, que desapareceu em Campo Grande na quinta-feira (6), foi encontrada com vida na madrugada deste domingo (9), em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. A criança foi repatriada e está sob os cuidados do Conselho Tutelar de Ponta Porã.

O casal que estava com ela também permanece na cidade, custodiado em flagrante, e deve ser levado para Campo Grande nesta segunda-feira (10). Uma equipe da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) fará o acompanhamento do caso.

Segundo o Conselho Tutelar, a bebê está bem, saudável e em segurança. A família deverá receber atendimento da rede de proteção.

A investigação começou depois que a mãe da bebê, de 17 anos, relatou ter sido atraída até uma casa no Bairro Universitário, em Campo Grande, com a promessa de receber R$ 100 para cuidar da filha de uma mulher que conheceu em um grupo de venda de roupas infantis. No local, segundo o depoimento, ela foi ameaçada e obrigada a entregar a criança.

As buscas levaram a Polícia Civil a suspeitar que a bebê havia sido levada para o Paraguai. A partir do cruzamento de informações e da cooperação com as forças de segurança do país vizinho, os investigadores chegaram até uma casa em Pedro Juan Caballero, onde a bebê foi localizada.

Veja o que se sabe sobre o caso:

Como o crime aconteceu?

Segundo o relato da mãe à Polícia Militar, ela conheceu uma mulher por meio de um grupo de venda de roupas para crianças. Depois de conversarem, a mulher teria oferecido R$ 100 para que a adolescente cuidasse da filha dela.

A mãe da bebê aceitou a proposta e foi até o endereço indicado, no Bairro Universitário, na quinta-feira (6). Ela estava acompanhada da irmã, de 12 anos, e da bebê.

Segundo o depoimento, as três foram recebidas pela mulher, que ofereceu água. A adolescente afirmou que não dormiu depois da beber, mas a irmã adormeceu e só acordou por volta das 20h.

Ainda conforme o relato, a mãe da bebê foi ameaçada e obrigada a entregar a filha. Ela contou que ouviu que, caso se recusasse, ela e a irmã seriam “jogadas em um buraco”.

A bebê foi levada do imóvel. As duas irmãs deixaram o local por volta de 1h da madrugada de sexta-feira (7). O celular da mãe também foi levado.

Segundo a adolescente, havia cerca de 10 homens na casa, além da mulher que havia feito a proposta.

Como a polícia chegou até a bebê?

Depois do registro do desaparecimento, a Depca iniciou as investigações para descobrir quem havia levado bebê e para onde ela tinha sido levada.

Os investigadores fizeram levantamentos, cruzaram informações e realizaram diligências. Durante as apurações, surgiram indícios de que a criança poderia ter sido levada para o Paraguai.

A Polícia Civil de Ponta Porã foi acionada pela Depca, e as informações foram compartilhadas com as autoridades paraguaias por meio da cooperação entre as forças dos dois países.

O Comando Bipartito, grupo que reúne policiais brasileiros e paraguaios, passou a atuar no caso, junto com equipes especializadas do Paraguai.

A partir das informações levantadas pela polícia brasileira, as autoridades paraguaias conseguiram identificar o imóvel onde havia suspeita de que a bebê estivesse.

Como a bebê foi encontrada?

Por volta de 1h15 deste domingo, equipes do Comando Bipartito de Pedro Juan Caballero, com apoio do Grupo Antissequestro (DAS), da Direção de Polícia do Amambay e de operadores táticos, cumpriram um mandado judicial de busca em uma residência.

A bebê foi encontrada no imóvel, na companhia de um casal de brasileiros.

Durante a ação, os policiais também apreenderam celulares, documentos e um veículo. O material deverá ser analisado pela investigação.

Depois de ser localizada, a bebê foi levada ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero para receber atendimento.

Em seguida, foi repatriada e entregue ao Conselho Tutelar de Ponta Porã, onde permanece até o momento.

Onde estão os suspeitos?

O casal que estava com a bebê também permanece em Ponta Porã. Os dois foram presos e estão custodiados em flagrante.

Eles devem ser levados para Campo Grande nesta segunda-feira (10). Uma equipe da Depca foi até Ponta Porã para acompanhar os procedimentos.

Como o caso é investigado pela delegacia especializada, os envolvidos deverão ser ouvidos pelos investigadores em Campo Grande.

Outro suspeito já havia sido preso

Antes da localização da bebê no Paraguai, um homem suspeito de envolvimento no caso foi preso em Campo Grande, no sábado (8).

Segundo a polícia, ele teria emprestado a casa onde a bebê foi levada e que teria sido usada como cativeiro.

Neste domingo, a prisão preventiva dele foi decretada durante audiência de custódia.

A defesa, representada pelos advogados Renan Vieira e Dendry Rios, informou ao g1 que está tomando conhecimento dos detalhes do caso para comprovar que o cliente não tem relação direta com os fatos atribuídos a ele.

O que aconteceu com a família?

Bebê está sob os cuidados do Conselho Tutelar de Ponta Porã. A família deverá passar por atendimento da rede de proteção a partir desta segunda-feira. O objetivo é acompanhar a criança e os familiares após o sequestro e definir os próximos encaminhamentos.

O Amber Alert foi usado no caso

Na sexta-feira (7), o Ministério da Justiça emitiu um alerta pelo Amber Alert Brasil para ajudar na localização da bebê.

Foi a primeira vez que a ferramenta foi utilizada em Mato Grosso do Sul.

O sistema é usado para ampliar a divulgação de casos de desaparecimento de crianças quando existe suspeita de rapto ou sequestro. As informações são compartilhadas para aumentar as chances de localização.

Quem participou das buscas?

A investigação é conduzida pela Depca, com apoio do Garras, da Defurv e da Delegacia Regional de Ponta Porã.

No Paraguai, participaram das buscas o Comando Bipartito de Pedro Juan Caballero, o Grupo Antissequestro (DAS), a Direção de Polícia do Amambay e outras unidades da Polícia Nacional paraguaia.

A operação também contou com apoio de agentes do Consulado Americano em São Paulo.

O que ainda falta esclarecer?

A investigação ainda precisa reconstruir toda a dinâmica do sequestro, desde a abordagem da mãe até a chegada da bebê ao Paraguai.

A polícia também busca descobrir quem planejou o crime, qual foi a participação de cada suspeito, quem ajudou a levar a bebê para fora do Brasil e se outras pessoas participaram da ação.

Os celulares, documentos e o veículo apreendidos no Paraguai deverão ser analisados e podem ajudar a responder essas perguntas.

A polícia também deve ouvir os suspeitos e outras pessoas ligadas ao caso para esclarecer como o sequestro foi organizado e executado.

Leia também

Últimas Notícias