Uma suposta oferta de trabalho em uma fazenda foi o que levou D.E.S.F., conhecido como “Corumbá”, até uma residência em Sonora, a 362 quilômetros de Campo Grande, onde acabou amarrado antes de ser levado ao local em que foi morto e decapitado. O corpo da vítima foi encontrado em um canavial no fim da tarde de sexta-feira (21).
Conforme boletim de ocorrência, D.E.S.F. estava desaparecido desde o dia 20 de agosto. A esposa da vítima contou à polícia que o rapaz recebeu uma ligação de um homem oferecendo trabalho em uma fazenda. A localização de uma residência foi enviada então ela o deixou no endereço indicado.
No entanto, horas depois, quando voltou para buscá-lo, foi informada pela proprietária do imóvel de que D.E.S.F. havia saído de motocicleta com um homem. Depois disso, ele não foi mais visto.
No final da tarde do dia seguinte, o corpo de D.E.S.F. foi encontrado por pessoas que seguiam para pescar na região da Prainha, no Balneário Pôr do Sol. Ele estava com as mãos amarradas por uma extensão elétrica e um tecido, enquanto a cabeça havia sido deixada a cerca de oito metros do corpo.
As investigações apontaram que, depois de chegar à residência localizada na Rua 3 de Outubro, em frente ao Bar do Neco, D.E.S.F. foi mantido amarrado. Em seguida, ele foi colocado em um carro e levado até o local do assassinato.
Segundo os depoimentos prestados à Polícia Civil, os envolvidos se revezaram nas agressões. M.D.R.G. confessou que C.A.S.V. começou a cortar o pescoço da vítima, J.L.A.C. continuou e ele próprio participou da decapitação.
J.L.A.C., conhecido como “G2”, também confessou participação e afirmou que, antes da execução, os envolvidos fizeram uma ligação. Segundo ele, um homem identificado como “Vicente” teria dado a ordem para que a cabeça de D.E.S.F. fosse arrancada, sob a alegação de que a vítima integraria o PCC (Primeiro Comando da Capital).
Além desses suspeitos, a investigação identificou posteriormente L.L.S. como possível coautor. Os cinco foram presos, e o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) pediu a conversão das prisões em flagrante em preventivas.

Outra decapitação
Durante o interrogatório, L.L.S. negou participação na morte de D.E.S.F. e afirmou que os demais envolvidos estariam mentindo ao atribuir a ele envolvimento no crime. No entanto, conforme registrado na manifestação do Ministério Público, ele também declarou ter participado de outra decapitação, ocorrida há cerca de oito anos.
O relato remete ao assassinato de uma mulher de 19 anos, encontrada morta e decapitada em um canavial de Sonora, em 2018. Na época, quatro pessoas confessaram participação no chamado “julgamento” da jovem, que, segundo os envolvidos, teria sido morta por supostamente pertencer a uma facção rival.
Em 2022, a Justiça julgou nove pessoas pelo crime e elas receberam, ao todo, penas que somaram mais de 250 anos de prisão pela execução. L.L.S. era um dos três adolescentes que não passaram pelo júri popular.
Os cinco envolvidos na morte de D.E.S.F. passaram por audiência de custódia e o juiz Rafael Gustavo Mateucci Cassia converteu o flagrante em prisão preventiva.

