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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Obras da Casa da Mulher Brasileira começam em Dourados, com previsão de entrega para 2028

Terreno ao lado da sede regional da Agesul, em Dourados, onde será construída a primeira Casa da Mulher Brasileira do interior de Mato Grosso do Sul

As equipes já preparam o terreno da primeira Casa da Mulher Brasileira do interior de Mato Grosso do Sul, em Dourados. O contrato dá à construtora 720 dias para levantar o prédio, prazo que joga a entrega para 2028.

O acordo de cooperação entre os governos estadual e federal que deu origem à obra foi assinado em janeiro de 2024. Entre a assinatura e a primeira máquina no terreno passaram dois anos e sete meses.

Os números da violência doméstica na cidade correm em outro ritmo. Em 2025, foram expedidas 14.153 medidas protetivas de urgência em Mato Grosso do Sul, e 1.434 delas em Dourados. É uma em cada dez do estado inteiro, quase quatro por dia em uma única cidade.

A unidade será erguida ao lado da sede regional da Agesul, no cruzamento das ruas Duque de Caxias e Joaquim Alves Taveira, na vila Planalto, conforme já noticiado na matéria publicada por A Crítica em junho, com base em informações do Diário Oficial do Estado.

São 3,67 mil metros quadrados por R$ 18 milhões, ou cerca de R$ 4,9 mil por metro quadrado construído. A obra ficou com a Trento Soluções em Construções, vencedora da licitação homologada em 23 de junho.

O dinheiro vem de Brasília, o terreno é do Estado

O governo estadual apresenta a obra como resultado da cooperação entre os dois governos, sem separar quem paga o quê. No aviso de homologação da licitação, os R$ 18 milhões aparecem como recursos federais. O Estado entra com o terreno, que pertence à Agesul, e com a condução do processo.

O terreno segurou a obra por dois anos

A demora entre o acordo e o início dos trabalhos tem endereço. Antes da área atual, um lote no cruzamento da Rua dos Caiuás com a Rua Alcebíades Mariano chegou a ser cogitado. A Agesul informou na época que estudos técnicos apontaram inviabilidade da área para o padrão exigido pela unidade, e a formalização ainda esbarrou em irregularidades no lote, que havia sido doado.

Dourados não será a única do interior

Em 16 de maio, o governo do Estado anunciou uma Casa da Mulher Brasileira para Corumbá, com aporte acima de R$ 8,3 milhões, menos da metade do valor de Dourados. O material daquele anúncio não informou empresa contratada nem prazo de execução, e por isso Dourados segue à frente na fila.

Campo Grande tem a única unidade em funcionamento no estado, no Jardim Imá, aberta 24 horas, com alojamento de passagem, Patrulha Maria da Penha e central de transportes.

O que vai funcionar dentro do prédio

O projeto reúne no mesmo endereço a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), espaços para Tribunal de Justiça, Ministério Público e Defensoria Pública, sala de audiências, atendimento psicossocial, áreas administrativas, espaços multiuso e brinquedoteca.

A lógica do modelo é encurtar o caminho. Hoje, uma mulher em situação de violência em Dourados percorre endereços diferentes para registrar a ocorrência, pedir medida protetiva, falar com um defensor e conseguir atendimento psicológico. A proposta é que tudo isso caiba em um só balcão de entrada.

Segundo dados apresentados pela presidente da Câmara Municipal, Liandra Brambilla, o município registrou 31 feminicídios e mais de 15 mil ocorrências de violência doméstica na última década. Os números são da vereadora e não foram conferidos junto à Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública. Se confirmados, seriam quatro ocorrências por dia e uma morte de mulher a cada quatro meses.

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