As equipes já preparam o terreno da primeira Casa da Mulher Brasileira do interior de Mato Grosso do Sul, em Dourados. O contrato dá à construtora 720 dias para levantar o prédio, prazo que joga a entrega para 2028.
O acordo de cooperação entre os governos estadual e federal que deu origem à obra foi assinado em janeiro de 2024. Entre a assinatura e a primeira máquina no terreno passaram dois anos e sete meses.
Os números da violência doméstica na cidade correm em outro ritmo. Em 2025, foram expedidas 14.153 medidas protetivas de urgência em Mato Grosso do Sul, e 1.434 delas em Dourados. É uma em cada dez do estado inteiro, quase quatro por dia em uma única cidade.
A unidade será erguida ao lado da sede regional da Agesul, no cruzamento das ruas Duque de Caxias e Joaquim Alves Taveira, na vila Planalto, conforme já noticiado na matéria publicada por A Crítica em junho, com base em informações do Diário Oficial do Estado.
São 3,67 mil metros quadrados por R$ 18 milhões, ou cerca de R$ 4,9 mil por metro quadrado construído. A obra ficou com a Trento Soluções em Construções, vencedora da licitação homologada em 23 de junho.
O dinheiro vem de Brasília, o terreno é do Estado
O governo estadual apresenta a obra como resultado da cooperação entre os dois governos, sem separar quem paga o quê. No aviso de homologação da licitação, os R$ 18 milhões aparecem como recursos federais. O Estado entra com o terreno, que pertence à Agesul, e com a condução do processo.
O terreno segurou a obra por dois anos
A demora entre o acordo e o início dos trabalhos tem endereço. Antes da área atual, um lote no cruzamento da Rua dos Caiuás com a Rua Alcebíades Mariano chegou a ser cogitado. A Agesul informou na época que estudos técnicos apontaram inviabilidade da área para o padrão exigido pela unidade, e a formalização ainda esbarrou em irregularidades no lote, que havia sido doado.
Dourados não será a única do interior
Em 16 de maio, o governo do Estado anunciou uma Casa da Mulher Brasileira para Corumbá, com aporte acima de R$ 8,3 milhões, menos da metade do valor de Dourados. O material daquele anúncio não informou empresa contratada nem prazo de execução, e por isso Dourados segue à frente na fila.
Campo Grande tem a única unidade em funcionamento no estado, no Jardim Imá, aberta 24 horas, com alojamento de passagem, Patrulha Maria da Penha e central de transportes.
O que vai funcionar dentro do prédio
O projeto reúne no mesmo endereço a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), espaços para Tribunal de Justiça, Ministério Público e Defensoria Pública, sala de audiências, atendimento psicossocial, áreas administrativas, espaços multiuso e brinquedoteca.
A lógica do modelo é encurtar o caminho. Hoje, uma mulher em situação de violência em Dourados percorre endereços diferentes para registrar a ocorrência, pedir medida protetiva, falar com um defensor e conseguir atendimento psicológico. A proposta é que tudo isso caiba em um só balcão de entrada.
Segundo dados apresentados pela presidente da Câmara Municipal, Liandra Brambilla, o município registrou 31 feminicídios e mais de 15 mil ocorrências de violência doméstica na última década. Os números são da vereadora e não foram conferidos junto à Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública. Se confirmados, seriam quatro ocorrências por dia e uma morte de mulher a cada quatro meses.

