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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Dourados: MP denuncia envolvidos na morte de filho de garagista e trama mostra ‘acerto’ entre acusados

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) denunciou cinco pessoas pela morte de Vitor Orsini, assassinado a tiros no dia 7 de agosto, dentro de uma loja de veículos em Dourados, e revelou novos detalhes sobre o planejamento do crime. 

A acusação foi apresentada pela 15ª Promotoria de Justiça de Dourados no dia 1º de setembro. A peça acusatória assinada pelo promotor Luiz Eduardo Sant’Anna Pinheiro detalha a logística do crime, a divisão de tarefas entre os acusados e revela novos fatos sobre o caso, inclusive os valores financeiros acertados para a execução e a confirmação do ‘erro sobre a pessoa’. 

Segundo a denúncia, a execução foi contratada por R$ 25 mil, sendo R$ 20 mil destinados ao pistoleiro e R$ 5 mil ao homem responsável por pilotar a motocicleta utilizada na ação.

Como já divulgado anteriormente no Dourados News, a ação criminosa visava, na verdade, a execução de um outro homem, credor de uma dívida de cerca de R$ 300 mil mantida por C.H.A. Para se livrar do débito, C.H.A. contratou parceiros de Ponta Porã para planejar a morte e atraí-lo até o pátio de veículos. 

Preço da morte: R$ 20 mil para o atirador e R$ 5 mil para o piloto

Embora o envolvimento e as prisões dos suspeitos já tivessem sido divulgados pelas forças de segurança ao longo das investigações do SIG (Setor de Investigações Gerais), a denúncia do Ministério Público traz à tona a movimentação financeira utilizada para arregimentar os executores na fronteira. 

Segundo documento do MPMS a qual o Dourados News teve acesso, o pistoleiro D.B.M., que seria ligado à facção TCP (Terceiro Comando Puro) e vindo de Brasília, aceitou praticar o homicídio mediante a promessa de pagamento de R$ 20 mil. Já A.G.B. foi contratado por R$ 5 mil para atuar como o piloto da motocicleta usada na ação. 

Além disso, um adolescente de 17 anos também recebeu dinheiro para participar do esquema. Ele recebeu R$ 1.500,00 via pix para furtar uma motocicleta Honda Biz e outros R$ 600 para comprar roupas novas aos atiradores, permitindo que trocassem de vestimenta para despistar a polícia após a execução. 

Os denunciados e as qualificadoras do Ministério Público 

Na denúncia, C.H.A. é apontado como um dos mandantes e responsável pela motivação financeira do crime. M.A.O.V. e J.L. também são acusados de participação no planejamento e na logística da execução.
D.B.M. é apontado como o atirador, enquanto A.G.B. teria atuado como piloto.

C.H.A., D.B.M. e A.G.B. estão presos preventivamente na Penitenciária Estadual de Dourados (PED). M.A.O.V. e J.L. permanecem foragidos, segundo o Ministério Público.

Pelo assassinato de Vitor, os cinco foram denunciados por homicídio qualificado, em concurso de pessoas e com aplicação do chamado “erro sobre a pessoa”, já que a vítima atingida não era aquela que o grupo pretendia matar.

O MPMS aponta como qualificadoras o motivo torpe, relacionado à intenção de eliminar um credor e, no caso dos executores, à promessa de pagamento; o recurso que dificultou a defesa da vítima, em razão do ataque repentino e pelas costas; e o emprego de arma de fogo de uso restrito.

Além do homicídio, a denúncia atribui aos acusados outros crimes relacionados à preparação e execução do plano. C.H.A., M.A.O.V. e J.L. respondem por associação criminosa e corrupção de menores, enquanto M.A.O.V. também foi denunciado por posse ilegal de arma de fogo e participação no furto da motocicleta.

D.B.M. responde ainda por ameaça contra o funcionário da empresa que estava ao lado de Vitor no momento da execução. A.G.B. também foi denunciado por associação criminosa e corrupção de menores.

O Ministério Público requereu que os cinco sejam processados e, ao final da primeira fase, submetidos a julgamento perante o Tribunal do Júri. 

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