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segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Investigação aponta que presidente da Santa Casa comprou casa por R$ 400 mil em espécie

Investigações que resultaram na Operação Antidotum, que apura desvio milionário na Santa Casa de Campo Grande, apontam para uma aquisição feita pela presidente Alir Terra Lima no valor de R$ 400 mil, pago em espécie, segundo relatório do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção).

Trata-se de um imóvel residencial, comprado em janeiro de 2025. Alir foi presa na sexta-feira (11/9), quando deflagrada a ação.

A aquisição aparece no conjunto de movimentações patrimoniais analisadas na investigação sobre contratos e pagamentos da Santa Casa e da Operadora Santa Casa Saúde, que resultou na operação.

O imóvel fica na Rua João Pessoa, em Campo Grande, e foi adquirido em 24 de janeiro de 2025, segundo o Campo Grande News. O documento registra que o valor declarado foi de R$ 400 mil, “pago no ato, em espécie da moeda corrente nacional”.

As compra foi incluída na investigação como parte da análise sobre a origem e a movimentação dos recursos no período. O Gecoc sustenta que os elementos reunidos apontam para uma estrutura organizada, com divisão de funções e finalidade econômica, além de suspeitas de fraudes contratuais, peculato e falsidade documental.

OPERAÇÃO

O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) deflagrou na sexta-feira (11), a Operação Antidotum, que cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão em Dourados, Campo Grande e Goiânia (GO), durante investigação sobre fraudes e desvios de dinheiro envolvendo contratos da Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande.

Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão.

Segundo o MPMS, a investigação identificou irregularidades em um contrato firmado pela Santa Casa de Campo Grande para a prestação de serviços de digitalização de prontuários.

O acordo previa o pagamento de R$ 1,8 milhão por ano, durante três anos, totalizando R$ 5,4 milhões.

A investigação também apontou irregularidades em contratos firmados pela Operadora Santa Casa Saúde, empresa controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande, com empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico.

De acordo com o MPMS, as empresas tinham como proprietário uma pessoa com ligações com a diretoria da Santa Casa e estavam registradas no mesmo endereço. No entanto, durante as apurações, foi constatado que o imóvel estava desocupado.

Somente em 2025, a Operadora Santa Casa Saúde teria pago aproximadamente R$ 9,6 milhões a essas empresas. A apuração aponta um prejuízo de, no mínimo, R$ 3,5 milhões à entidade.

Ainda segundo o Ministério Público, contratos, pagamentos e prestações de contas eram sistematicamente omitidos dos órgãos de controle, entre eles o Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado.

DEFESA

A defesa de Alir Terra nega irregularidades. O advogado Murilo Marques afirmou que a cliente está indignada com as acusações, analisa o conteúdo do processo e deverá pedir a revogação da prisão preventiva, tendo em vista também que a cliente é idosa e tem problemas de saúde.

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