A Justiça de Mato Grosso do Sul aceitou a denúncia do Ministério Público Estadual (MPMS) contra os cinco envolvidos no assassinato do jovem Vitor Orsini, 19 anos, ocorrido no dia 7 de agosto dentro de uma loja de veículos, localizada na Hayel Bon Faker, em Dourados.
Com a decisão assinada pelo juiz Rodrigo Barbosa Sanches, da Vara do Juiz das Garantias, Tribunal do Júri e Execução Penal, os acusados passaram formalmente à condição de réus em ação penal que pode levá-los a julgamento no Tribunal do Júri.
A decisão acolhe integralmente a peça acusatória apresentada pela 15ª Promotoria de Justiça, assinada pelo promotor Luiz Eduardo Sant’Anna Pinheiro.
O grupo responde por homicídio qualificado – motivado por razão torpe, com recurso que dificultou a defesa da vítima e emprego de arma de uso restrito; além de crimes conexos como associação criminosa, corrupção de menores e posse ilegal de arma.
O processo leva em conta a aplicação do "erro sobre a pessoa", já que as investigações do SIG (Setor de Investigações Gerais) confirmaram que Vitor foi atingido por engano no lugar do verdadeiro alvo.
Com a abertura do processo judicial, o magistrado determinou a citação formal de todos os envolvidos. Os réus Claudio Henrique de Arruda (apontado como mandante), Denis Barbosa de Melo (acusado de ser o atirador) e Alexsander Gonçalves Borges (piloto da moto) seguem presos na PED (Penitenciária Estadual de Dourados).
Já Marcos Antônio Olmedo Vera e Jeferson Lopes, considerados intermediadores e planejadores da logística, continuam foragidos.
Além de dar andamento à ação, a Justiça determinou uma série de novas diligências policiais solicitadas pelo MPMS para reforçar as provas do caso.
Entre os pedidos acatados pelo juiz estão a identificação do responsável por uma transferência via Pix feita por uma empresa ao adolescente envolvido no esquema, a conclusão dos relatórios de quebra de sigilo telefônico e geolocalização dos celulares apreendidos, além do depoimento de motoristas de aplicativo que prestaram serviços ao grupo.
A Justiça também determinou que a Polícia Civil faça exames de balística nas cápsulas de munição recolhidas no local do crime e monte um desenho detalhado, sendo uma espécie de ‘mapa do ataque’.
Esse relatório visual vai mostrar o passo a passo dos atiradores dentro da loja de veículos: por onde o criminoso entrou e saiu, a distância percorrida até a vítima, onde as testemunhas estavam no momento dos tiros e como foi a fuga.
Relembre o caso
Vitor Orsini foi morto a tiros dentro do pátio de uma garagem de veículos pertencente ao pai, na qual ele trabalhava como vendedor.
As investigações policiais apontaram que o crime foi encomendado por Claudio Henrique de Arruda, que teria planejado uma ‘emboscada’ para se livrar de uma dívida de aproximadamente R$ 300 mil com um credor.
Para executar o plano, pistoleiros foram contratados por R$ 25 mil, sendo R$ 20 mil para o atirador e R$ 5 mil para o piloto da moto. Contudo, ao entrarem no local, o executor confundiu a vítima com o devedor e disparou contra o jovem.

