Alguns dos clubes convidados para uma reunião em Brasília com ministros planejam um boicote e não terão representantes no encontro em que será discutido o cenário do futebol depois da medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que baniu a operação das bets no País.
O encontro está marcado para esta terça-feira, às 15h. O convite partiu do Ministério do Esporte, por meio de ofício enviado na manhã desta segunda-feira, 28, pelo ministro Paulo Henrique Perna Cordeiro. O documento foi direcionado a todos os clubes das Séries A, B, C e D, além das federações estaduais, com intermediação da CBF.
Foi o presidente da CBF, Samir Xaud, que recebeu o ofício do gabinete do ministro do Esporte. O encontro, segundo o governo, foi planejado para discutir o “fortalecimento dos clubes e do futebol brasileiro”.
No documento, o ministério também pede a colaboração da CBF na articulação e mobilização para garantir “uma participação ampla no encontro”.
Entre os paulistas, Palmeiras, São Paulo e Santos decidiram não enviar representantes. O Estadão apurou que a presidente Leila Pereira e os cartolas do time alviverde estão abertos a conversar com o governo, mas entendem que o contexto atual, com eleições marcadas para o próximo domingo, não é adequado para a realização da reunião.
O Palmeiras também entende que o assunto é muito complexo para ser tratado sem a devida avaliação dos impactos da medida que baniu as casas de apostas no Brasil.
Chapecoense e Mirassol, entre os times da Série A, e Cuiabá, que disputa a Série B, também não devem ser representados na reunião. Já Corinthians, Inter e Remo decidiram que vão ao encontro.
Um presidente de clube da Série A ouvido pela reportagem disse que as discussões promovidas pelo governo neste momento não o animam.
“Uma reunião a praticamente uma semana da eleição, após o absurdo jurídico praticado pelo governo, não me traz esperança de algo concreto”, ele afirmou.
Para o cartola, o encontro, para o qual foram convidados mais de 150 dirigentes, não servirá para resolver “coisa alguma”. “Acho que é para confundir”.
Na reunião, deve ser tratado, entre outros assuntos, o programa de renegociação de dívidas, com linha de crédito de até R$ 20 bilhões que o governo pretende oferecer aos clubes para mitigar o impacto da perda dos contratos de patrocínio com as casas de apostas.
Em 2025, as bets despejaram mais de R$ 1 bilhão nos contratos de patrocínio com os times do Brasileirão. A própria competição é patrocinada pela principal empresa do mercado, a grega Betano.
Todas as 27 federações estaduais também foram convidadas, incluindo a Federação Paulista de Futebol, que decidiu não ir. A entidade organizou uma reunião com seus filiados nesta segunda-feira.
Segundo a FPF, a reunião de emergência foi organizada para “alinhamento e avaliação” do impacto da medida provisória que vetou as casas de apostas no País.
“FPF e Clubes seguirão discutindo o tema e definiram que seguirão atuando sempre de forma coletiva, visando o melhor para o futebol”, disse a entidade.

