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quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Candidato a deputado federal, Alan Guedes defende olhar sobre as fronteiras e mudanças na saúde

Candidato a deputado federal pelo Progressistas, Alan Guedes entra na disputa por uma vaga no congresso dizendo carregar a experiência de quem olha o cenário com menos paixão e entendendo que nada é absoluto na política.

Essa é a segunda vez que disputa uma cadeira em Brasília (DF), a primeira foi em 2018 quando estava na metade do segundo mandato como vereador. Ainda que não conquistasse o cargo, conseguiu consolidar seu nome para candidatura de prefeito de Dourados, cadeira que ocupou por quatro anos.

Ainda que não tenha conquistado a reeleição, considera que teve uma votação expressiva em 2024 e que em sua caminhada percebe a receptividade a seu nome. “Isso me anima, ciente da responsabilidade que é, porque a nossa região, Dourados e a Grande Dourados, tem um risco nessa eleição de ter uma baixa de representação. Então, o desafio é esse, é contribuir para que a gente tenha uma representação que possa ajudar. Então estou muito contente com o resultado até agora e esperançoso”, afirma.

APRENDIZADO

Ele lembra que em seus mandatos no parlamento municipal, teve a sensação da política feita próxima do dia a dia da população, já que é lugar comum dizer que o vereador é quem o eleitor conhece mais de perto, que anda na mesma rua e para quem as demandas muitas vezes chegam antes de serem passadas ao executivo. “Isso me deu essa capacidade muito grande de ouvir as pessoas”, conta.

Já na chefia do executivo, viveu uma realidade totalmente diferente, devido a capacidade de imprimir aquilo que acredita, e diz não guardar arrependimentos. “Claro que uma decisão ou outra, uma pessoa ou outra, o tempo mostra. Mas, a decisão de fazer uma gestão muito equilibrada do ponto de vista financeiro, isso eu não me arrependo de nada. Uma gestão visando priorizar a formação da equipe com pessoas com capacidade técnica muito aguçada em detrimento, às vezes, de indicações políticas, também não me arrependo”, afirma.

Guedes pontua que a essa estratégia de gestão fez a cidade ganhar potencial de crescimento e rendeu experiências e capacidade de dialogar com os municípios vizinhos. Exemplifica que a diferença entre o que Dourados recebe por ser sede de uma macrorregião de saúde e o que efetivamente presta de serviços chegou a R$ 40 milhões, no período em que esse montante atingiu seus menores valores.

“Para o município isso é muito dinheiro, poderia ser revertido em outras coisas. Mas não é só dinheiro, tem a importância regional de você receber essas pessoas de fora para uma série de fatores, porque elas vão também participar do ecossistema econômico local de maneira geral e o Estado de uma forma ou outra, acaba ajudando a custear essa diferença. Então, a gente tem que ter um equilíbrio muito grande para tocar, não dá para ser muito intempestivo nas decisões de governo. Então, a prefeitura ampliou a minha capacidade de ouvir e de refletir antes de uma tomada de decisão”, afirmou.

Depois de 12 anos ininterruptos da exposição proporcionada pela vida pública, sendo seis em posições de comando como presidente da câmara e prefeito, decidiu se dedicar à carreira como advogado e à família quando deixou o executivo municipal há dois anos. Sem orbitar a política em cargos de bastidores ou institucionais, como de assessores, por exemplo, ele não perdeu as conexões com o partido e suas lideranças.

RETORNO À POLÍTICA

Sobre seu retorno à disputa por um cargo eletivo, disse que entende a política como um chamado claro em sua vida. “Eu construí um legado que eu gostaria de defender e estou defendendo agora na eleição”, afirmou.

Outro motivo é fazer parte de um grupo político. “A senadora Tereza [Cristina Correa da Costa], quando muita gente soltou minha mão, ela esteve no meu lado durante o período do mandato, na eleição, depois da eleição. Então isso me deu um senso de pertencimento importante e quando ela me convidou para fazer parte desse projeto, ela me deu muita tranquilidade para definir o caminho. Ela me propôs os caminhos e eu escolhi”, disse.

Ele pontua que a oportunidade é de colaborar com os candidatos do grupo, na eleição para a Assembleia Legislativa, sem carregar a vaidade de exercer um cargo específico. “Eu quando era menino aqui em Dourados, o meu sonho era ser vereador e ser prefeito. Eu fui. Então, eu saí da prefeitura aos 38 anos assim: tendo sido aquilo que eu sonhei ser. Então era hora de sonhar novos sonhos”, pontua.

BETS

O douradense acredita que como deputado federal pode contribuir muito com a região, participando das discussões nacionais que efetivamente podem mudar a vida das pessoas.

"Discutir, por exemplo, essa questão das bets, sem um viés ideológico que às vezes contamina o debate. Hoje, a gente vê pessoas que, teoricamente olhando, deveriam ser contra as bets porque é um negócio que faz mal para a sociedade, mas foi relativizando em razão do momento eleitoral, porque o Governo Federal tomou a decisão de proibir via medida provisória a 10 dias das eleições”, afirma.

Para ele a proibição é adequada, mas a permissão e regulamentação no passado teve a participação de todos. “Tem a mão de todos os governos, não tem a mão de um governo só. Então a gente precisa discutir isso, esse superendividamento das famílias, o problema que isso causa para o sistema de saúde. Eu quero discutir esse assunto”, pontua.

SEGURANÇA NAS FRONTEIRAS

Outro ponto que levanta é a questão da segurança nas fronteiras que em sua visão precisa ser um debate em nível nacional. “Imagina Mato Grosso do Sul sem o DOF [Departamento de Operações de Fronteira], que faz o papel que deveria ser da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Federal? Que não tem talvez o continente necessário, não tem a autonomia necessária para trabalhar na faixa de fronteira?”, questiona.

Segundo ele, esse debate não é novo, mas passamos por um momento em que as facções criminosas estão presentes nas cidades e o presídio cheio de pessoas que cometeram crimes transnacionais, como tráfico internacional de drogas e armas, e deveriam estar detidas em outros lugares.

“Não é para cá que a arma vem, não é para Dourados que a droga vem. Ela vai para o Rio de Janeiro, vai para Belo Horizonte, para São Paulo e o Governo Federal parece que está só tapando o sol com a peneira”, afirma fazendo a ressalva de que não está falando de um gestor em específico, mas da união enquanto instituição. “A federação brasileira não olha para as fronteiras como deveria olhar”, pontua.

EMENDAS

Outro apontamento é em relação ao olhar atual acerca das emendas, que são recursos do orçamento da união destinados por indicação de parlamentares. “A emenda não existe por si só e o deputado federal não existe por conta da emenda”, pontua Guedes, reforçando que esse é apenas um dos muitos instrumentos de ação política efetiva.

Fazendo um paralelo, lembrou da atuação da bancada federal para a aprovação dos recursos do Fonplata para Dourados. “Se não tivesse ação política, não ia sair”, conta, lembrando que a documentação estava pronta, mas estava perto do período eleitoral de 2022. Através de articulação com a então deputada Teresa Cristina e do presidente do Progressistas e então ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, teria viabilizado a votação para liberar o recurso.

“De um dia para o outro, esse projeto estava lá na fila da presidência da República, foi para o Senado o decreto legislativo e antes do recesso parlamentar ele foi votado, no mesmo dia na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado e no plenário do Senado. Então foi uma aprovação assim, muito, muito rápida dado o momento político que a gente vivia”, afirmou contando que no dia 10 de outubro, após o primeiro turno das eleições daquele ano, o contrato foi assinado em Brasília. “Por quê? Porque a bancada federal ajudou, do nosso Estado e o Congresso Nacional de maneira geral. Então o deputado pode fazer muito por uma região e eu quero estar lá para isso”, exemplifica.

HOSPITAL DA VIDA

Mais um ponto que considera fundamental é a saúde. Ele lembra que como foi prefeito, entende muito o papel da organização do SUS (Sistema Único de Saúde) para as macrorregiões, uma pauta que segundo ele é ‘dura de discutir’. “Você tem limitações e as macrorregiões principalmente de Dourados, como Três Lagoas e Campo Grande, sofrem mais com isso porque naturalmente recebem mais pacientes”, pontua.

Guedes acredita que o Governo do Estado está fazendo um papel importante de regionalização do setor, mas que o principal que é a porta aberta, a neurologia, a ortopedia na macrorregião de Dourados ainda continuam concentradas no Hospital da Vida, que tem 130 leitos. “Um hospital muito grande, mas que tem dificuldades estruturais”, disse ele, pontuando que nas eleições passadas chegou a defender um projeto de construção de um novo prédio para essa unidade hospitalar.

“A gente sabe que tem problemas estruturais, que são limitantes. Mas também a gente deixa de olhar pelo papel que ele representa. A gente já viu pessoa sair de Mundo Novo com fraturas grandes de fêmur, que poderiam de repente ser realocadas numa cidade de microrregião como Naviraí, como Nova Andradina, por exemplo, mas acabam vindo para cá por uma série de fatores. Então, a gente precisa repensar e discutir o SUS no Congresso, um sistema mais equilibrado de repartição dos recursos públicos”, acrescenta.

Mais um ponto é a correção da Tabela SUS que não sofre reajuste há décadas. O instrumento é usado como referência de valores de serviços pela União para transferência de recursos para os municípios. “Tem procedimento que é inviável para ser pago [com o valor encaminhado]. Então, quem pode fazer esse papel, quem tem condições de prover isso é o Governo Federal” acrescenta, lembrando que para isso precisa acender o debate no congresso.

O candidato ainda lembra que a Reforma Tributária que para os governos passa a vigorar no próximo ano, vai gerar novos desequilíbrios. “Vai criar fundo, como é que vai ser apurado esse fundo? Então essas discussões para que os municípios não tenham prejuízo nas suas receitas que já são escassas, também faz muito parte do que eu quero fazer em Brasília”, acrescenta.

POLARIZAÇÃO

Desde muito jovem na política, a vê como o reflexo da sociedade, inclusive quando o assunto é a polarização muito presente atualmente no Congresso Nacional. “Hoje tem muito político fazendo ‘TikTok’. A ação política virou uma medida para caçar ‘likes’, muito mais do que para resolver efetivamente de verdade o problema das pessoas. Às vezes dá mais ‘like’ você fazer uma ‘live’ reclamando, mas você não propõe nada de efetivo para transformar aquela situação”, posiciona.

Alan explica que chegou a integrar a diretoria da Frente Nacional dos Prefeitos quando era chefe do executivo municipal, e percebeu o impacto desse cenário nos debates relacionados ao municipalismo dos quais participou em Brasília, seja nos ministérios ou no congresso.

“Muitas vezes esse debate ideológico contamina questões que são de ordem mais prática. Muitos municípios tiveram parcerias com bets, por exemplo, para financiar seus projetos. Enquanto elas eram vigentes, eu não vou discutir se é certo ou errado, cada um sabe onde a dor aperta. Mas, é evidente que aquilo causa dor nas pessoas. Então essa discussão, a gente não pode polarizar ela. A mesma coisa a discussão para uma nova repactuação do SUS com os municípios, com os Estados”, acrescentou.

Para ele, é preciso sentar na mesa com todos, independente da ideologia. “Os parlamentares, muitas vezes, estão atacando as pessoas e estão fechando as portas das instituições para os municípios”, afirmou. “Ganhar like na rede social porque você atacou o ministro, chamou o ministro, ofendeu o ministro. E o que que isso resolveu na vida do cidadão? Então, a gente tem que tentar o debate ideológico, é importante, para as pautas que são ideológicas”, pontua.

Ele lembra que mesmo se colocando como centro-direita, teve ao seu lado como vice-presidente da Câmara o vereador Elias Ishy (PT), que também disputa uma vaga na câmara federal. “Uma pessoa que tem meu profundo respeito, minha amizade, minha admiração, porque é um político sério e honesto. Então, assim, ideologicamente a gente divergiu várias e várias e várias vezes. Mas quando era para discutir as pautas relativas à cidade, as discussões, a gente sentava na mesa e discutia na mesa diretora como colegiado na Câmara”, pontua.

“Se você tem uma representação colegiada no Congresso, você não pode fechar a porta para quem é diferente, porque você tem que dar a oportunidade de ser convencido e de convencer também e com isso ajudar a sua região, ajudar a destravar os problemas do seu Estado”, acrescentou.

Para o candidato, a partir do momento que um político vence a eleição, independente de quem votou nele ou não, o campo de defesa precisa passar a ser Mato Grosso do Sul. Ele lembra que o Estado tem apenas oito cadeiras na câmara dos deputados e não pode perder representação por discussão ideológica, sem trazer a realidade das discussões importantes para o Estado, sob o risco de caminhar para uma representação falha.

“Não tem município que vive sem recurso federal. Até mesmo Dourados que é um município viável economicamente, precisa de recurso federal. Para novos investimentos, o financiamento do SUS é importantíssimo, o pagamento, por exemplo, da cota-parte do Governo Federal em relação aos agentes comunitários de saúde e de endemias que é uma categoria extraordinária. Tudo isso passa pelo Governo Federal. Então você tem que ter o diálogo aberto lá e eu vou fazer isso tranquilamente”, disse o candidato.

“O objetivo final não é discutir meu ponto de vista ideológico no Congresso, usar o Congresso como plataforma ideológica. Mas, usar o Congresso como plataforma pra ajudar a resolver os problemas e melhorar a vida dos douradenses”, finaliza.

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