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sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Por trás de fachada restaurada, hotel antigo esconde jardim de 72 metros

Espaço com pomar, plantas medicinais e móveis antigos é resultado de quase 30 anos de reformas

Por trás da fachada rosada e recém-restaurada do Hotel Virgínia, no Centro de Corumbá, existe um jardim de 72 metros de comprimento que parece um pequeno refúgio em meio à cidade. Com bananeiras, amoreiras, goiabeiras, limoeiros e plantas medicinais, o espaço surpreende quem entra no hotel e descobre que, além dos quartos, há um cantinho verde onde os hóspedes podem tomar café da manhã ao som dos pássaros.

O lugar, que também tem piscina e churrasqueira, é resultado de quase 3 décadas de dedicação da família da proprietária, Clara Lito, que decidiu transformar e preservar o imóvel. Assumido em 1998, o hotel construído na década de 1980 passou por várias mudanças ao longo dos anos, desde a recuperação dos pisos e corredores até a restauração de móveis antigos e a revitalização da fachada.

Localizado na Rua Dom Aquino, o estabelecimento tem 34 quartos e uma história que começou antes mesmo da família de Clara assumir a administração. A proprietária conta que, inicialmente, o casal comprou uma casa que fazia parte do hotel, enquanto o empreendimento estava arrendado para outra pessoa. Dois anos depois, a antiga proprietária entrou em contato e ofereceu a administração do negócio.

" A gente nem tinha noção de como ele era por dentro. A gente só via a fachada. Quando entramos, pensamos: meu Deus, nem parece que é assim", relembra.

A surpresa veio justamente com a dimensão do espaço interno, especialmente o jardim, que se tornou um dos grandes destaques do hotel. Ao longo dos anos, a família fez questão de preservar a área verde, acrescentando apenas um caminho de lajotas pintadas em tons que combinam com a fachada e uma iluminação especial.

O jardim também abriga árvores frutíferas e plantas que fazem parte do cotidiano dos hóspedes. Durante o café da manhã, é possível observar os pássaros e até colher frutas diretamente do pomar. A proposta é oferecer um ambiente acolhedor, que valoriza a natureza mesmo em uma região de temperaturas elevadas.

A transformação no prédio foi demorada. Foram necessários anos de reformas para recuperar as estruturas e adaptar o hotel às necessidades de quem se hospeda. Entre as mudanças, estão a substituição de pisos externos, a melhoria dos corredores e a instalação de janelas que favorecem a ventilação dos ambientes.

A fachada também ganhou uma nova identidade. Antes azul-clara, a construção passou a ter um tom rosado desenvolvido especialmente para o projeto, com a ajuda de uma arquiteta. A cor ficou tão associada ao estabelecimento que, segundo a proprietária, algumas pessoas passaram a procurar a tonalidade pelo nome de "Hotel Virgínia" nas lojas de tintas.

Confira a galeria de imagens:

Por trás de fachada restaurada, hotel antigo esconde jardim de 72 metros
Por trás de fachada restaurada, hotel antigo esconde jardim de 72 metros
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Por trás de fachada restaurada, hotel antigo esconde jardim de 72 metros
Por trás de fachada restaurada, hotel antigo esconde jardim de 72 metros
Por trás de fachada restaurada, hotel antigo esconde jardim de 72 metros
Por trás de fachada restaurada, hotel antigo esconde jardim de 72 metros

A família está à frente do hotel há 28 anos e, durante esse período, cada cantinho recebeu atenção especial. “A gente nunca quis transformar o espaço em um algo padronizado, mas manter características antigas e valorizar a história do imóvel”, detalha.

Por isso, os quartos têm móveis restaurados e decoração personalizada. Em vez de conjuntos iguais, cada ambiente conta com peças diferentes, como guarda-roupas antigos, mesinhas de escrita e sofás. Alguns móveis foram recuperados pela própria família, que procurou preservar a identidade do lugar.

“Aqui, a gente recebe famílias, visitantes bolivianos e trabalhadores que ficam na cidade por períodos mais longos. Tenho até hóspede que já mora aqui há 3 anos”, explica. Clara conta que as diárias variam de R$ 280 a R$ 380, dependendo da acomodação, que pode receber até quatro pessoas.

Além do jardim e dos móveis antigos, o hotel guarda um acervo que ajuda a contar a história da cidade e da região. Em um dos corredores que conectam as alas, a família montou uma espécie de pequeno museu, com fotografias antigas, peças de artesanato, conchas, pedras do Pantanal e até um peixe fossilizado.

Por trás de fachada restaurada, hotel antigo esconde jardim de 72 metros
Por trás da fachada, hóspede encontra pomar e lugar para relaxar. (. Foto: Arquivo Pessoal)

O espaço também apresenta referências ao processo de mineração e à produção de minério, além de obras de artistas sul-mato-grossenses e peças de artesanato de outras regiões brasileiras. Parte do acervo veio de uma escola frequentada pelos filhos da proprietária, que encerrou as atividades e doou pedras e conchas à família.

“A intenção é que os visitantes tenham contato com diferentes aspectos da cultura e da história local, sem que seja preciso sair do hotel”, comenta a dona.

Para a proprietária, investir no hotel é também uma maneira de demonstrar carinho por Corumbá. Mesmo diante de questionamentos sobre a decisão de aplicar tantos recursos em uma cidade do interior, ela afirma que a escolha tem relação com o vínculo afetivo construído ao longo dos anos.

"Às vezes, as pessoas falam: 'Você vai investir isso numa cidade do interior?'. Mas é porque aqui é nossa casa. Eu amo Corumbá", destaca.

Para ela, a imponência dos casarões, a arquitetura e as memórias de Corumbá nem sempre são reconhecidas por quem vive ou visita. “São elementos que merecem ser valorizados”, finaliza.

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