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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Gleice atribui votação expressiva ao trabalho na Assembleia e mira projeto para Dourados em 2028

Reeleita deputada estadual com 29.844 votos, a professora Gleice Jane (PT), 46 anos, retorna à Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul para um mandato de quatro anos a partir de 1º de fevereiro de 2027. Em 2022, ela havia recebido 9.767 votos e assumido posteriormente uma cadeira na Casa como suplente, após a morte do deputado Amarildo Cruz, em março de 2023.

Agora, com uma votação mais de três vezes superior há de quatro anos atrás, Gleice atribui o crescimento ao trabalho desenvolvido durante o período em que esteve no Legislativo. Em Dourados, cidade que concentra uma de suas principais bases, ela recebeu 9.015 votos. Gleice foi a terceira mais votada da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, que ficou com quatro, das 24 cadeiras da Assembleia.

Professora da rede pública, formada em Letras pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e especialista em Educação e Inclusão pela UFGD, Gleice construiu sua trajetória política a partir do movimento estudantil, sindical e de mulheres. Em 2023, chegou ao Legislativo após a morte de Amarildo Cruz, tornando-se a primeira mulher do PT a ocupar uma cadeira na Assembleia de Mato Grosso do Sul.

Ao assumir a vaga de Amarildo, Gleice teve o primeiro contato com o funcionamento do Legislativo justamente em um período delicado, já que enfrentava um problema de saúde, a Síndrome de Guillain-Barré.

Em 2023, ela precisou conhecer os trâmites da Casa de Leis e, ao longo do mandato, passou a compreender melhor as demandas de Mato Grosso do Sul. Agora, com a experiência adquirida, afirma que pretende aprofundar a atuação em áreas que considera importantes.

“Agora a gente consegue aprofundar em algumas políticas que a gente entende ser importante. Eu acho que agora com mais experiência a gente consegue fazer um trabalho com mais qualidade”.

Votação três vezes maior

Durante a campanha, Gleice concentrou a atuação nas pautas que já vinham sendo trabalhadas durante o mandato. Entre elas estão as lutas dos povos indígenas, pela reforma agrária, das mulheres, da educação e do serviço público. “A gente olhou primeiro pros segmentos em que a gente atua”.

A campanha também incorporou a aproximação com pescadores, comunidade que, segundo Gleice, foi conhecida durante o ano passado e trouxe novos caminhos para a discussão sobre meio ambiente, rios e proteção da água.

“A gente fez um mandato muito focado na luta social, e a gente começou a campanha a partir do trabalho que a gente já tinha organizado, então nós tínhamos uma construção de uma base grande”.

A parlamentar afirma que a estratégia foi levar a campanha para as ruas e conversar diretamente com a população. Além de Dourados, o trabalho foi concentrado em locais onde já havia uma base, como o Cone Sul do Estado, Três Lagoas, Campo Grande e territórios indígenas.

A meta estabelecida durante a campanha era chegar aos 30 mil votos. Para Gleice, o resultado próximo desse número já era esperado diante do trabalho realizado durante o mandato. “Nós fizemos um trabalho muito focado nas lutas sociais de todos os povos”.

Para o próximo mandato, algumas das principais bandeiras devem continuar no centro da atuação. Entre elas está o enfrentamento à violência contra as mulheres. “Nós vamos continuar fazendo esse trabalho com muita força”.

A educação também permanece como uma das pautas centrais, ligada diretamente à trajetória de Gleice como professora. “A gente segue também com essa luta, a luta do servidor público, por entender a necessidade disso”.

Outro tema que ganhou força durante a campanha foi a terceirização da saúde. Gleice afirma que ouviu a população durante o período eleitoral e que esse contato reforçou sua posição sobre o modelo.“A terceirização da saúde, que a gente entende que esse modelo não tá ajudando a população, e nesse período de campanha ouvimos muita gente e isso ficou muito mais visível”, explicou.

Desafio na nova composição da Assembleia

Gleice também avalia o cenário que encontrará na Assembleia a partir de 2027. A próxima legislatura terá uma bancada do PL com nove parlamentares, enquanto apenas duas mulheres foram eleitas, sendo uma delas do Partido Liberal.

Ela afirma ainda que considera que a configuração representa um desafio para as pautas ligadas ao feminismo. “Acho que isso traz um desafio muito grande porque todas as pautas que a gente traz são pautas muito ligadas à nossa luta do feminismo, e aí isso são pautas que provocam muito a extrema direita”, afirma.

Para Gleice, o debate político é importante, mas precisa estar conectado às necessidades da população. “É importante ver se a gente vai ter um debate político que tenha conexão com a vida do povo ou vamos ficar nessa discussão rasa entre a direita e a esquerda”, enfatiza.

Oposição ao governo Riedel

Sobre a relação com o Governo do Estado, Gleice afirma que, particularmente, será oposição ao governador reeleito Eduardo Riedel. Ela ressalta que o posicionamento ainda não foi discutido com as lideranças do PT, mas acredita que essa será a linha.

A parlamentar afirma que não vê motivos para integrar a base do governo porque considera que a atual gestão não representa os segmentos que ela defende. “O governador Eduardo Riedel fez um governo pro agro, um governo para as grandes empresas e não para o povo de modo geral, então a base que eu represento não tem nenhum motivo pra eu estar compondo o Governo do Estado”.

Com a experiência adquirida no primeiro período na Assembleia, Gleice afirma que chegará ao novo mandato mantendo a trajetória construída antes mesmo de ocupar uma cadeira no Legislativo.

“Eu acho que chega na assembleia em 2027, a Gleice que já vem das lutas sociais porque que é uma linha que me atravessa, em todos os espaços que eu estive, que é a Gleice militante, que é a Gleice das lutas, que vai pros enfrentamentos”.

A diferença, agora, segundo ela, será a experiência adquirida dentro do próprio Legislativo. Depois de conhecer os trâmites da Casa e acompanhar de perto demandas relacionadas à saúde, educação e meio ambiente, Gleice afirma que poderá planejar melhor a atuação e aprofundar políticas que considera importantes.

Além do novo mandato estadual, a deputada reeleita já começa a projetar o próximo ciclo político. Ela afirma que agora é hora de começar a construir um projeto para Dourados em 2028, quando serão realizadas as eleições municipais.

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