A futura fábrica de celulose da Arauco, em Inocência, obteve o registro de usuária dependente do transporte ferroviário de cargas para escoar a produção até o Porto de Santos, em São Paulo. A decisão da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), publicada no DOU (Diário Oficial da União) desta quarta-feira (7), abrange o atendimento ao Projeto Sucuriú pelas concessionárias RMN (Rumo Malha Norte) e RMP (Rumo Malha Paulista).
O registro reconhece que o serviço ferroviário é indispensável à viabilidade do negócio e estabelece proteção para o fluxo de cargas cadastrado. Segundo as regras da ANTT, as concessionárias devem disponibilizar serviços adequados e suficientes para atender à demanda registrada, que não pode ser reduzida ou interrompida unilateralmente sem autorização prévia da agência.
Assinada pelo superintendente de Transporte Ferroviário, Fernando Barbelli Feitosa, em 17 de setembro, a decisão entrou em vigor com a publicação. O documento define Inocência como origem do trecho e um TUP (Terminal de Uso Privado) dedicado, localizado na Alemoa, no Porto de Santos, como destino. O registro trata do transporte de cargas, sem anunciar a conclusão do ramal ou o início da operação.
A medida se soma à preparação da estrutura logística da indústria. Em agosto, o Campo Grande News mostrou que a Arauco havia recebido os primeiros 40 vagões de uma encomenda de 721 unidades à Randon. Os equipamentos serão utilizados para transportar a produção estimada em 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano, destinada praticamente toda à exportação.
Conforme as informações divulgadas à época, os vagões são fabricados em Araraquara (SP), no interior paulista, com previsão de entregas mensais de 40 unidades até novembro de 2027. Cada equipamento pode transportar 98 toneladas de carga, o equivalente a mais de 390 fardos de celulose.
O modelo escolhido, Sider FLT, foi adaptado para a operação da Arauco. A abertura lateral permite carregar e descarregar pelos dois lados. Os vagões também possuem lonas com tramas de aço antivandalismo, divisórias internas e componentes desenvolvidos para reduzir a absorção de umidade durante o trajeto.
O planejamento logístico inclui um ramal para conectar a fábrica à malha ferroviária utilizada no transporte até Santos. Segundo o cronograma informado na reportagem de agosto, a estrutura tem previsão de entrar em operação em 2027 e capacidade para substituir até 190 viagens de caminhões por dia.
Estimado em R$ 25 bilhões, o Projeto Sucuriú está em implantação em Inocência, a 331 quilômetros de Campo Grande. As projeções divulgadas para o empreendimento incluem cerca de mil empregos diretos na unidade industrial, além de 2 mil postos ligados à logística e aproximadamente 3 mil às atividades florestais.

