Um grupo de moradores se reuniu nesta manhã (8) em frente à USF (Unidade de Saúde da Família) Vila Corumbá, em Campo Grande, para protestarem contra o seu fechamento usando cartolinas com frases como "Reforma sim, fechamento não". Eles repetiram ato feito ontem (7).
Todos seguem agora para a Câmara Municipal. O líder comunitário e representante do conselho da USF, Ramão Barros Cordeiro, 74, afirma que a comunidade soube há pouco tempo que o fechamento está programado para daqui a 30 dias.
Eles falaram com a gerente da unidade e foram até a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) questionar a decisão. Ouviram a justificativa de que problemas estruturais no imóvel alugado onde a USF funciona há cerca de 20 anos obrigam o fechamento.

Ramão conta que os moradores falaram diretamente com o proprietário e se ofereceram para assumir uma reforma comunitária, desde que ele se comprometesse a não aumentar o valor do aluguel, por enquanto.
"Mas a prefeitura disse que mesmo assim não pode continuar alugando. Só que eles alugam prédios para [as USFs] Bonança e Tia Eva. Desistiram lá porque as comunidades fizeram protesto. Os deles são alugados e o nosso é alugado também, mas eles vão continuar. Por que não podemos continuar se fizermos a reforma aqui no posto?", ele questiona.
O idoso também quer saber o motivo de não ter sido avisado oficialmente sobre o fechamento, já que representa o conselho da USF.

Alternativa – Em nota, a Sesau afirma que a equipe da USF Vila Corumbá será transferida, no prazo de um mês, para uma unidade com melhores condições estruturais. As alternativas apresentadas são a USF 26 de Agosto, na mesma região, e a USF Paradiso, também próxima. A transferência demanda adequações que levam tempo.
A pasta também diz que o fechamento se deve à falta de acessibilidade, segurança e cobrança da inspeção da Vigilância Sanitária. "Relatório da Vigilância Sanitária apontou inadequações, que impedem a realização de procedimentos que dependem de estrutura específica, como curativos", destaca.
As adequações necessárias até foram solicitadas ao proprietário do imóvel, argumenta: "o prédio é alugado e, desde 2024, a Sesau vem formalmente solicitando ao proprietário as adequações necessárias, sem que houvesse disponibilidade para os investimentos; a renovação do contrato venceu na última semana".
A Sesau rebate que a decisão não foi tomada sem aviso e sem planejamento. A medida faz parte do projeto de encerrar contratos de aluguel de imóveis sem condições de uso e garantir prédios próprios para unidades de saúde. "Desde 2023, estudamos alternativas para unidades instaladas em imóveis alugados que não apresentam condições adequadas e já cadastramos mais de 30 projetos de construção de novas USFs junto ao Ministério da Saúde, inclusive alternativas para a região da Vila Corumbá, sem que até o momento houvesse aporte federal para sua execução", relata a Secretaria.
A pasta finaliza a nota afirmando que "a própria realidade da unidade demonstra a necessidade de mudança: serviços que não podem ser realizados no imóvel já são buscados pelos usuários em outras unidades da rede", e ainda assim, considera "legítima a preocupação dos moradores diante de qualquer mudança na unidade de referência e, por isso, a decisão está sendo conduzida com diálogo e participação social".

