Sidival Ribeiro da Silva, de 33 anos, baleado enquanto tomava tereré com um amigo em Sidrolândia, a 71 quilômetros de Campo Grande, responde a processo por tortura e lesão corporal grave. Apontado como líder de um grupo criminoso que agia na região de Rochedo, ele é acusado de participar de uma sessão de violência contra um homem por causa de uma dívida de drogas. Na ocasião, os agressores chegaram a usar uma chave turquesa para arrancar os pelos da sobrancelha da vítima.
Conforme denúncia do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), o crime atribuído a Sidival ocorreu em 12 de julho de 2023, em uma casa no Bairro Recanto dos Pintados, em Corguinho. Ele e Kelvini Deniz Almeida teriam agredido um homem para cobrar uma dívida de drogas com uma facção criminosa não identificada.
Segundo o registro policial da época, a vítima foi submetida a socos, chutes, enforcamento e violência psicológica. Os suspeitos também teriam usado um saco plástico para sufocá-la e uma chave turquesa para arrancar à força os pelos de sua sobrancelha durante as cobranças.
As investigações apontaram que o grupo atuava com ameaças e intimidação na região de Rochedo e em municípios vizinhos. Segundo a acusação, os envolvidos impunham regras do crime organizado e pressionavam testemunhas e familiares.
O juiz Rafael Gustavo Mateucci Cassia recebeu a denúncia contra Sidival e Kelvini, que se tornaram réus por tortura e associação criminosa. Outras três pessoas não identificadas também teriam participado da sessão de violência, conforme relatos de testemunhas.
Durante o processo, as defesas sustentaram a negativa de autoria e questionaram a consistência das provas relacionadas às acusações de coação e violência. Os advogados argumentaram que os elementos reunidos seriam insuficientes ou baseados em relatos unilaterais e pediram a revogação das prisões preventivas e a absolvição dos acusados.
Histórico de violência – Em agosto de 2023, o Campo Grande News noticiou a prisão de cinco suspeitos de integrar um grupo investigado por torturar usuários de drogas para cobrar dívidas e obrigá-los a participar de outros crimes. Na época, Sidival foi apontado pela investigação como líder do bando.
Uma das vítimas relatou ter sido espancada e jogada no Rio Aquidauana, mas sobreviveu. Depois, ao saber que a família havia denunciado o caso, Sidival teria ido à casa do homem acompanhado de outros quatro suspeitos e atirado contra ele. A vítima foi atingida por sete disparos, um deles no rosto. O grupo também matou um papagaio que estava na residência, segundo a investigação.
Naquele caso, os suspeitos foram investigados por tortura e tentativas de homicídio, além de suspeitas de envolvimento em outros assassinatos.
Sidival tinha mandado de prisão preventiva expedido pela Vara Única da Comarca de Rio Negro e já havia passado por unidades prisionais do Estado. As circunstâncias e a motivação do ataque registrado na quinta-feira ainda serão apuradas. Até o momento, não há confirmação de ligação entre a tentativa de homicídio e a disputa entre facções criminosas em Sidrolândia.
Atentado – Sidival foi atingido por disparos na manhã de quinta-feira (8), na Rua José Ferreira França, no Bairro Ipacaray, em Sidrolândia. Conforme o boletim de ocorrência, ele estava tomando tereré com um amigo quando dois homens se aproximaram e atiraram várias vezes. Os suspeitos fugiram e teriam ameaçado voltar.
A vítima foi socorrida pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e encaminhada ao Hospital Elmíria Silvério Barbosa. O caso foi registrado como tentativa de homicídio e será investigado pela Polícia Civil. Um dos atiradores foi identificado a partir de imagens e consulta ao banco de dados.

