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sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Professor preso por atirar em advogado é afastado de escola

Secretaria abriu procedimento administrativo após ataque ocorrido durante apreensão de veículo

Alex Sandro Regmunt, de 48 anos, foi afastado nesta sexta-feira (9) da função de diretor-adjunto da Escola Estadual Professor Antônio Pinto Pereira, em Jardim, a 236 quilômetros de Campo Grande, um dia depois de ser preso suspeito de atirar contra um advogado durante a apreensão de um veículo. A medida ocorreu no mesmo dia em que a Justiça converteu o flagrante em prisão preventiva e determinou que os órgãos estadual e municipal de Educação fossem comunicados sobre o caso.

Procurada pela reportagem, a SED (Secretaria Estadual de Educação) informou que também abriu procedimento administrativo para apurar o ocorrido. A pasta ressaltou que o ataque não aconteceu nas dependências da escola e afirmou que acompanha os desdobramentos da investigação.

"A SED informa que determinou o afastamento do referido profissional, bem como a abertura de um Procedimento Administrativo para averiguar o ocorrido", finaliza o comunicado.

Alex é professor e possui ensino superior completo. No pedido de liberdade apresentado à Justiça, a defesa afirmou que ele é servidor público com vínculo estável, primário, tem bons antecedentes e residência fixa. Os argumentos não foram suficientes para que ele deixasse a prisão.

Durante a audiência de custódia, a defesa pediu liberdade provisória, enquanto a Polícia Civil e o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) defenderam a prisão preventiva. O juiz Milton Zanutto Júnior considerou "a gravidade do caso" e afirmou que as condições pessoais favoráveis de Alex "não afastavam a necessidade" de mantê-lo preso.

Entenda o caso – O caso começou na tarde de quinta (8), quando uma oficial de Justiça foi até a casa da esposa de Alex para cumprir ordem de apreensão de uma Fiat Strada. Conforme o boletim de ocorrência obtido pelo Campo Grande News, a proprietária recebeu a equipe, retirou os pertences pessoais do veículo, entregou as chaves e não apresentou resistência. O advogado que representava a instituição financeira assumiu a direção do automóvel para levá-lo até o Fórum, onde seria providenciado um guincho.

Durante o percurso, Alex se aproximou em uma caminhonete D-20 e emparelhou com a Fiat Strada. Segundo a investigação, ele fez cerca de quatro disparos de dentro do próprio veículo. Os tiros atravessaram a porta e atingiram o advogado duas vezes nas costas. Informações médicas preliminares incluídas no registro da ocorrência indicam que um dos projéteis ficou alojado na medula.

Mesmo ferido, o advogado acelerou e conseguiu se afastar. Em depoimento, a oficial de Justiça contou que encontrou a vítima pouco depois e ouviu o pedido para que chamasse a polícia. Segundo ela, o homem disse que havia sido baleado e, posteriormente, relatou que não sentia as pernas.

Alex foi preso nas proximidades. Dentro da caminhonete, policiais encontraram um revólver calibre .454 Casull, uma pistola calibre .380 e uma espingarda de pressão. Cinco estojos de munição calibre .380 também foram encontrados no ponto onde ocorreram os disparos.

Os documentos mostram ainda que Alex possui registro como CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador). A Polícia Civil apontou, porém, que essa autorização não permitia que ele transportasse o armamento nas circunstâncias registradas na ocorrência.

O outro lado – A reportagem entrou em contato com o advogado Fabrício Grubert, arrolado como defesa de Alex na Justiça, mas não houve resposta no prazo estipulado para a publicação do texto. O espaço segue aberto para manifestação futura.

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