Campo Grande recebeu três kits digitais para o SUS (Sistema Único de Saúde) moldar e fabricar suas próprias próteses dentárias e dentaduras, acelerando o atendimento às pessoas que aguardam para recebê-las. Mas eles ainda não estão em uso porque os profissionais que vão operar os equipamentos precisam concluir uma formação.
Segundo informou a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), o curso começou na semana passada e é realizado em parceria com a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). A reportagem questionou a instituição de ensino sobre a previsão de término e aguarda retorno para acrescentar à matéria.
Os kits foram comprados pela AgSUS (Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde) e distribuídos a municípios pelo Ministério da Saúde. Eles incluem scanner intraoral (que cria imagens de alta precisão da parte interna da boca), notebook, softwares de planejamento, impressoras 3D, equipamentos de lavagem e pós-cura (responsáveis pelo acabamento final da peça), além de nobreak e resinas específicas para diferentes tipos de próteses.

A pasta federal prevê que cirurgiões-dentistas, além de técnicas e técnicos em prótese dentária participem das formações e aprendam a operar os equipamentos.
Ao todo, serão distribuídos 500 kits a 409 municípios, sendo que alguns receberão mais de um kit conforme o porte populacional. A Sesau não informou quando Campo Grande recebeu seus três combos.
Anos aguardando – De alguns meses a três anos. Esse é o tempo que pacientes relataram esperar por próteses dentárias e outros atendimentos odontológicos em entrevistas feitas pelo Campo Grande News em julho deste ano, em frente à USF (Unidade de Saúde da Família) José Tavares, no Bairro Nova Lima. Naquela ocasião, 50 pessoas faziam fila no local, algumas desde a madrugada, para conseguir se consultar com um dentista.

A reportagem questionou a Sesau sobre o tamanho da demanda reprimida, mas não teve resposta. Quanto ao uso dos kits recebidos, a pasta afirmou que "como as etapas de implementação e organização dos fluxos de trabalho ainda estão em andamento, as estimativas serão avaliadas conforme o avanço do projeto e a definição das orientações técnicas e operacionais".
Como funciona o combo – No atendimento odontológico, com o uso do scanner intraoral, um profissional do SUS fará a captura digital das estruturas bucais para gerar um modelo tridimensional.
Após, a prótese é planejada num programa de computador e produzida por meio de impressão 3D. Feita a impressão, são realizados a lavagem, pós-cura, acabamento, caracterização, ajustes e instalação clínica.

Atendimento – Pessoas que precisarem de qualquer tipo de atendimento odontológico precisam seguir o seguinte caminho no SUS:
– Procurar a USF mais próxima levando documento de identificação, cartão do SUS e comprovante de residência; – Agendar consulta com a equipe de saúde bucal; – O atendimento começa na Atenção Primária. Se necessário, será feito encaminhamento para casos que exigem tratamento especializado nos CEOs (Centros de Especialidades Odontológicas) ou outros serviços da rede.

