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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Enxurrada prende Kombi e transforma rua em “rio” na Chácara dos Poderes

Após temporal, buracos, pedras e lama ainda dificultavam a passagem de moradores pelo bairro na manhã de hoje

De uma Kombi presa na enxurrada a um carro que precisou ser empurrado por moradores, o temporal de quinta-feira (15) dificultou o trânsito de veículos e transformou a Estrada SE-1, na Chácara dos Poderes, em Campo Grande, em uma correnteza. Na manhã desta sexta-feira (16), a água havia baixado, mas buracos, pedras e lama ainda dificultavam a passagem de quem precisava entrar ou sair do bairro.

Vídeos enviados ao Campo Grande News mostram uma correnteza de água barrenta na Estrada SE-1, próximo à nascente do Córrego Pedregulho. Uma Kombi branca ficou presa no trecho, e os moradores acionaram o Corpo de Bombeiros para auxiliar na retirada.

Morador da região, o funcionário público Mauro Peixoto Yahn, de 65 anos, relatou que havia seis ou sete pessoas no veículo e que os bombeiros foram ao local para retirá-las. Ele mora na Chácara dos Poderes há cinco anos e meio, mas tem uma propriedade no bairro desde 2000. Na quinta-feira, saiu para trabalhar às 6h, quando o trajeto ainda estava tranquilo. Ao retornar, por volta das 14h, encontrou a passagem tomada pela água.

Quando voltei, o volume de água já estava muito forte”, contou Mauro. Sem conseguir atravessar, decidiu esperar a enxurrada baixar. Nesse intervalo, um casal tentou passar em um Celta e ficou preso em um buraco.

Mauro e um rapaz que estava de bicicleta ajudaram a empurrar o carro de volta. Segundo o funcionário público, a água tinha aproximadamente 40 centímetros de altura naquele momento. “Ficamos todos embarrados, porque a água já batia no carro. Depois que empurramos, o motorista ainda insistiu e atravessou”, relatou.

O morador afirma que os problemas se repetem e atribui parte dos alagamentos à dificuldade de escoamento da água que chega da região do Noroeste. Segundo ele, um reservatório de contenção está assoreado e há manilhas obstruídas. “A cada chuva está piorando. Quanto maior o volume de água, pior fica, não só ali, mas em outros pontos da Chácara”, disse.

Nos grupos de mensagens do bairro, moradores alertam sobre os trechos perigosos e recomendam desvios ou que os motoristas aguardem a água baixar.

Para a entregadora Brenda Beatriz Antunes Guerrise, de 26 anos, a chuva também interfere na rotina de trabalho. Moradora da Chácara dos Poderes há cinco anos, ela conta que precisa mudar o trajeto quando os acessos ficam alagados. “Toda vez que chove forte é isso. Já teve vez de a gente ter que ir até o Noroeste para sair e entrar”, afirmou.

Na manhã desta sexta-feira, a reportagem percorreu a região e encontrou vias com muitos buracos, pedras e trechos com risco de atolamento.

Na Estrada NE-1, um buraco cheio de água barrenta estava sinalizado de forma improvisada com madeira, um tronco e sacos brancos. A abertura ocupava parte da passagem de veículos. Já na Estrada NE-2, havia grande quantidade de pedras pelo caminho, dificultando o trânsito.

Temporal — A chuva de quinta-feira provocou alagamentos, enxurradas e quedas de árvores em diferentes regiões de Campo Grande. Conforme balanço divulgado pela prefeitura, com dados do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul), o acumulado médio chegou a 82 milímetros em 24 horas. Também houve granizo e rajadas de vento.

Em entrevista ao Campo Grande News nesta sexta-feira, a prefeita Adriane Lopes (PP) afirmou que equipes percorrem os locais atingidos para dimensionar os danos e organizar os serviços. “Estamos levantando todos os pontos afetados para definir quais as ações”, disse. Segundo ela, a programação inclui visitas às áreas atingidas e uma reunião com secretários no Paço Municipal.

Até o momento, cerca de 20 equipes da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) foram mobilizadas para retirar árvores e terra, desobstruir bocas de lobo e realizar reparos nas vias.

Adriane atribuiu a intensidade dos estragos ao fenômeno que chamou de “Super El Niño”. A prefeita também afirmou que o município ainda aguarda recursos federais solicitados após outra tempestade, em setembro.

Na ocasião, a administração apresentou um relatório que estimava entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões o custo das obras necessárias para recuperar as estruturas atingidas. “Não foi liberado. Os relatórios foram enviados, foi feito trabalho com a Defesa Civil de Campo Grande e Mato Grosso do Sul. Mas o governo federal ainda não liberou”, declarou.

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