O plantio de soja da safra 2026/2027 alcançou 32% da área prevista em Mato Grosso do Sul, apesar de as chuvas terem interrompido o trabalho no campo durante boa parte da semana passada. O avanço representa aproximadamente 1,56 milhão de hectares semeados até sexta-feira (16), conforme levantamento divulgado nesta terça-feira (20) pela Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso do Sul).
O ritmo está 1,1 ponto percentual à frente do registrado no mesmo período da safra anterior. O boletim aponta diferenças entre as regiões produtoras, principalmente devido às condições climáticas e ao andamento das atividades nas propriedades rurais.
A região sul apresenta o maior avanço, com 39,7% da área destinada à soja já plantada. No centro do Estado, o percentual chega a 21%, enquanto o norte registra 18,7%. A diferença entre as duas extremidades é de 21 pontos percentuais, o que mostra que a semeadura avança em velocidades distintas pelo território sul-mato-grossense.
O progresso ocorreu mesmo com as dificuldades provocadas pela chuva. Segundo o levantamento, a umidade elevada do solo impediu a entrada de máquinas nas lavouras durante grande parte da semana. Os trabalhos foram retomados perto do fim de semana, quando houve melhora nas condições do tempo.
Além da paralisação temporária, os técnicos identificaram problemas causados pelo excesso de água em algumas propriedades. Foram registrados rompimentos de estruturas de contenção de enxurradas e início de processos erosivos, principalmente em áreas com solos arenosos e mistos.
Municípios como Ivinhema, Angélica e Caarapó também tiveram episódios pontuais de chuva acompanhada de vento e granizo de baixa intensidade. As pedras provocaram pequenos danos nas folhas das plantas recém-nascidas, mas não houve necessidade de replantio nas áreas monitoradas.
Apesar dessas ocorrências, a Aprosoja informa que as lavouras acompanhadas nas diferentes regiões apresentam, em sua maioria, boas condições. O boletim também registra a presença de pragas no início do desenvolvimento da soja, especialmente nas regiões oeste, sudoeste e sul-fronteira, onde produtores precisaram adotar medidas de controle.
Previsão da safra – A estimativa é que Mato Grosso do Sul cultive 4,87 milhões de hectares de soja neste ciclo, área 5,5% maior que a da temporada anterior. A ampliação, porém, não deverá resultar em aumento da produção, segundo as projeções da entidade.
A produtividade média esperada é de 52,4 sacas por hectare, redução de 13,2% em comparação com a safra 2025/2026. Com isso, a colheita está estimada em 15,3 milhões de toneladas, volume 8,4% inferior ao obtido no ciclo passado. Os números são projeções baseadas na média dos últimos cinco anos da entidade.
O cenário climático é um dos fatores de preocupação para os próximos meses. Conforme o boletim, a influência do El Niño poderá favorecer temperaturas acima da média, ondas de calor e tempestades com ventos fortes e granizo durante a primavera e o início do verão.
Para outubro, novembro e dezembro, a previsão apresentada no documento indica chuvas acima da média histórica em parte do Estado, com acumulados de referência entre 300 e 500 milímetros, conforme a região. A combinação de calor e instabilidade poderá afetar o planejamento das próximas etapas do cultivo.

