As condições das estradas ainda são o principal desafio da comunidade para ter acesso aos locais de votação na Reserva Indígena de Dourados. Muita lama e buracos dificultam a chegada dos eleitores às urnas neste domingo, dia 25, quando acontece o 2º turno das Eleições Gerais de 2026.
“O barro não está ajudando muito para as pessoas saírem de casa. Principalmente os que vêm de bicicleta, e a pé” relata o cacique terena, Marcos Almirão da Silva Lopes, 46 anos.
Ele relata que apesar desse desafio e de pedidos para que governantes coloquem asfalto nas Reserva, para ele, entre um cenário de “dificuldade geral” que os indígenas passam, a maior demanda é a implantação de creches.
“Todo mundo quer colocar asfalto dentro da comunidade. E a gente vê tantas crianças sem um teto, sem um lar, sem creche e muitos pais, muitas mães trabalham. Alguns deixam na cidade, fora do convívio, que é fora dos nossos costumes, os costumes dos pais, familiares. Então, fica na cidade e fica perdendo todas as suas origens. Então, eu acredito que uma creche, igual os ‘karais’ falam. Seria muito útil aqui, em vez de eles estar querendo colocar asfalto e outras coisas mais”, acredita o líder.

Cacique terena, Marcos Almirão da Silva Lopes. Foto: Clara Medeiros / Dourados News
Acompanhando a votação na Escola Municipal Indígena Tengatuí Marangatu, na aldeia Jaguapiru, o Dourados News encontrou novamente a indígena kaiowá Josiane Batista Januário, de 29 anos, que no 1º turno concedeu entrevista à equipe chegando para votar após quilômetros de caminhada da aldeia Bororó debaixo de chuva, com o marido, de 35 anos, e os dois filhos, de 4 e 11 anos, que não tinham com quem deixar.
Ela havia optado por seguir a pé justamente devido as condições das estradas que estavam intransitáveis. Desta vez, ela conseguiu ir de bicicleta com o filho de 11 anos, enquanto o marido ficava com o filho de quatro anos em casa aguardando a ela voltar. No entanto, o veículo ajudou apenas até a metade do trajeto.

Indígena kaiowá Josiane Batista Januário. Foto: Clara Medeiros / Dourados News
“Eu vim de bicicleta um pouquinho, e aí a gente veio metade, atolou. Graças a Deus que tinha água, a gente passou pela água e desatolou, aí veio embora de novo”, relata, contando que desta vez pretendia votar rápido para fugir da chuva.
Já a indígena kaiowá Marluce da Silva, de 40 anos, permaneceu vestida em uma capa de chuva por precaução. “Eu coloquei porque estava chovendo quando eu vim”, contou ela.

Indígena kaiowá Marluce da Silva. Foto: Clara Medeiros / Dourados News
Em Dourados, já choveu 18.9 mm neste domingo. A cidade ainda permanece até às 23h59 em alerta amarelo e laranja de tempestade. Isso significa que há risco de a chuva chegar a 100 mm ao longo do dia, os ventos alcançarem 100km/h e haver queda de granizo.
A movimentação nas seções localizadas na Reserva na manhã deste domingo estava maior do que no 1º turno. No entanto, ainda havia menos gente do que em anos anteriores. O tempo de votação variava em relação a cada eleição, sendo que em parte havia fila.
Ao todo são quatro locais de votação localizados nas aldeias Jaguapiru e Bororó, os quais possuem 6,9 mil eleitores aptos a irem às urnas.
Com a eleição para o Governo do Estado definida, os indígenas vão às urnas escolher o presidente da República. São candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
A votação encerra às 16h no horário de Mato Grosso do Sul. Para exercer o voto é preciso levar um documento pessoal com foto.

