Alício Souza Carrilho, 73, descobriu um câncer de boca na cadeira do dentista do posto de saúde. "Quando ele viu que estragaram muitos dentes, me mandou direto para o hospital", conta. O idoso mora em Costa Rica.
Ele precisou fazer 13 tipos de exame para confirmar a doença e checar como andava sua saúde. Concluiu com o médico que o uso de bebida alcoólica, cigarro e o sedentarismo podem ter contribuído para o câncer surgir.
"Até desconfiei porque eu sentia muita fraqueza", lembra. Ele conversou com a reportagem quando esperava ser chamado para começar a 15ª sessão de quimioterapia no Hospital de Câncer Alfredo Abrão, em Campo Grande. Enfrenta entre 4h e 5h de viagem quando precisa se tratar na Capital.

O paciente também descobriu uma lesão no pulmão, que foi eliminada. No entanto, ele admite que continua fumando.
Homens são maioria – Houve 172 mortes por câncer de boca em Mato Grosso do Sul entre 2023 e 2026, segundo dados preliminares da SES (Secretaria Estadual de Saúde) divulgados na última sexta (23). Desse total, 141 eram homens, ou seja: a cada 10 óbitos, oito são de homens.
O total de casos de câncer de lábio e cavidade oral registrados entre 2023 e 2025 foi de 417, também conforme a pasta, sendo 312 em homens e 105 em mulheres.
Estimativa do Inca (Instituto Nacional de Câncer) apresentada pela área técnica, de acordo com a SES, indica que o câncer de boca será o quinto mais prevalente entre os homens em Mato Grosso do Sul, entre 2026 e 2028.
Sinais – O câncer da boca e orofaringe afeta os lábios e as estruturas da boca, como gengivas, bochechas, céu da boca (palato), língua (principalmente as bordas) e a região embaixo da língua (assoalho da boca). É o quinto mais frequente em homens no Brasil. A maioria dos casos é diagnosticada quando o estágio está avançado.
Principais sinais:
– Lesões ou feridas nos lábios ou na boca que não cicatrizem em até 15 dias; – Manchas ou placas vermelhas ou esbranquiçadas na boca; – Sangramentos sem causa conhecida em qualquer região da boca; – Nódulos (caroços) no pescoço e rouquidão persistente. O tabaco e o álcool são os principais fatores de risco. Outros como dieta pobre em frutas e vegetais, infecção pelo vírus HPV e a exposição dos lábios ao sol sem proteção podem aumentar o risco para a doença.

