Mato Grosso do Sul soma 31 mortes por chikungunya em 2026, com 10.817 casos confirmados e 12.440 prováveis. Os números são do boletim epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde, publicado nesta segunda-feira (26), com dados referentes à semana epidemiológica 41, até 17 de outubro. No mesmo período, a dengue acumulava 2.292 casos confirmados, 3.896 prováveis e um óbito confirmado.
Os dados mostram que a chikungunya tem sido a principal preocupação entre as duas doenças em relação ao número de registros e mortes. Além dos casos confirmados, o boletim aponta 122 gestantes diagnosticadas com chikungunya no Estado. Não havia óbitos pela doença em investigação na atualização divulgada.
A situação é diferente na dengue. O boletim registra um óbito confirmado em 2026 e outro em investigação. A vítima confirmada era uma criança de 11 anos, residente em Bonito. Os sintomas começaram em 20 de junho, a morte ocorreu em 28 de junho e a confirmação foi registrada em 24 de julho.
Os números são parciais e podem sofrer alterações conforme os municípios atualizam as notificações no Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação).
Chikungunya concentra mais de 10 mil casos confirmados – A chikungunya apresenta incidência de 451,3 casos prováveis por 100 mil habitantes em Mato Grosso do Sul. O levantamento reúne 12.440 casos prováveis e 10.817 confirmados, números que mostram a dimensão da circulação da doença no Estado.
Dourados concentra o maior número de registros, com 5.334 casos prováveis. O município tem população estimada em 243.368 habitantes e incidência de 2.191,7 casos por 100 mil habitantes, classificada como alta pelo boletim.
Na sequência, aparecem Fátima do Sul, com 647 casos prováveis; Jardim, com 529; Aquidauana, com 449; e Batayporã, com 402. Corumbá registra 916 casos prováveis, enquanto Douradina soma 257.
Quando considerada a incidência proporcional à população, Douradina lidera o ranking estadual, com 4.607,4 casos por 100 mil habitantes. Batayporã aparece em segundo lugar, com 3.752,8, seguida de Paraíso das Águas, com 3.647,9; Fátima do Sul, com 3.139,4; e Angélica, com 3.085,1.
A classificação de incidência considera a quantidade de casos prováveis em relação à população. O boletim define como alta a incidência superior a 300 casos por 100 mil habitantes, média entre 100 e 300 e baixa abaixo de 100.
Em Campo Grande, foram registrados 54 casos prováveis de chikungunya, com incidência de seis casos por 100 mil habitantes, considerada baixa. No recorte mais recente de 14 dias apresentado pelo boletim, a Capital teve um caso confirmado.
Dourados concentra mortes por chikungunya – O levantamento contabiliza 31 mortes confirmadas por chikungunya em Mato Grosso do Sul até 26 de outubro. Dourados aparece como o município com maior número de vítimas, incluindo idosos, adultos e crianças.
A lista de óbitos reúne pessoas de diferentes faixas etárias, de bebês a idosos. Entre os registros estão mortes de pacientes com diabetes e hipertensão, além de casos sem comorbidades relatadas. O boletim também registra vítimas com câncer e doença renal crônica.
Além das mortes, chama a atenção o número de gestantes diagnosticadas com chikungunya: são 122 em todo o Estado. Dourados responde por 76 registros, distribuídos entre os três trimestres da gestação: 14 no primeiro, 32 no segundo e 30 no terceiro.
Corumbá aparece em seguida, com dez gestantes diagnosticadas. Fátima do Sul registra cinco, enquanto Douradina e Jardim têm quatro casos cada. Os demais registros estão distribuídos por outros municípios.
O boletim não apresenta óbitos em investigação por chikungunya na atualização divulgada.
Dengue tem 3,8 mil casos prováveis e um óbito confirmado – A dengue acumula 3.896 casos prováveis e 2.292 confirmados em Mato Grosso do Sul em 2026. A incidência estadual é de 141,3 casos prováveis por 100 mil habitantes.
Santa Rita do Pardo lidera o ranking proporcional, com 146 casos prováveis e incidência de 2.077,7 por 100 mil habitantes. Corumbá aparece em seguida, com 846 casos e incidência de 878,8. Costa Rica tem 208 registros, Jardim soma 170 e Ladário, 142.
Também apresentam incidência alta Paraíso das Águas, Sidrolândia, Angélica, Vicentina, Batayporã, Pedro Gomes, Dois Irmãos do Buriti, Rochedo, Douradina e Paranhos.
Apesar de não liderar em incidência, Dourados aparece entre os municípios com maior quantidade de casos prováveis, com 464 registros. Sidrolândia soma 196 e Jardim, 170.
Em Campo Grande, o boletim contabiliza 72 casos prováveis de dengue, com incidência de oito casos por 100 mil habitantes, classificada como baixa. No período mais recente de 14 dias analisado, a Capital teve um caso confirmado.
Casos de dengue caem em relação aos anos anteriores – O boletim mostra que os registros confirmados de dengue em 2026 estão abaixo dos números dos últimos anos. Em 2023, Mato Grosso do Sul teve 41.046 casos confirmados e 43 mortes. Em 2024, foram 16.229 casos e 32 óbitos. Já em 2025, o Estado contabilizou 8.461 casos confirmados e 20 mortes.
Neste ano, até a atualização do levantamento, são 2.292 casos confirmados e um óbito. A incidência de casos confirmados é de 83,1 por 100 mil habitantes, abaixo dos 306,9 registrados em 2025, dos 588,7 de 2024 e dos 1.489 de 2023.
A redução nos registros confirmados, porém, não elimina a necessidade de prevenção, sobretudo diante da circulação dos diferentes sorotipos do vírus.
O levantamento estadual identificou circulação de sorotipos da dengue em municípios de Mato Grosso do Sul. Em 34 dos 79 municípios, não houve detecção registrada na tabela de distribuição. Entre as combinações identificadas, a presença simultânea dos sorotipos DENV-2 e DENV-3 aparece em 14 municípios, o equivalente a 17,7% do total.
O boletim também registra detecções envolvendo os quatro sorotipos, mas ressalta que a identificação do DENV-4 está em investigação para avaliar uma possível resposta vacinal.
Vacinação contra a dengue – O boletim estadual também apresenta os dados da campanha de vacinação contra a dengue. Mato Grosso do Sul recebeu 241.030 doses. Até a atualização, foram aplicadas 147.123 primeiras doses e 88.420 segundas doses.
A cobertura informada é de 73,79% para a primeira dose e de 44,34% para a segunda. Ao todo, o documento registra 223.322 doses aplicadas na população-alvo, estimada em 201.349 pessoas.
A diferença entre as coberturas das duas doses indica que a conclusão do esquema vacinal permanece como um ponto importante da estratégia de imunização. Os dados apresentados no boletim são referentes à população-alvo considerada na campanha.
Prevenção continua sendo necessária – A dengue e a chikungunya são transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. A eliminação de recipientes com água parada, a limpeza de quintais e a manutenção de caixas-d’água fechadas ajudam a reduzir os locais de reprodução do vetor.
O boletim estadual reforça a importância da vigilância epidemiológica, do diagnóstico e do manejo clínico dos pacientes, além das medidas de controle do mosquito. No caso da dengue, o documento destaca que não há medicamento específico para tratar a infecção, o que torna a prevenção e o acompanhamento adequado dos casos ainda mais importantes.
Os dados da semana epidemiológica 41 retratam o cenário até 17 de outubro para casos e notificações, enquanto os números de óbitos foram atualizados até 26 de outubro. Como as informações são parciais, os totais podem mudar com o encerramento e a revisão das notificações municipais.

