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quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Após ‘enxurrada’ de reclamações, Energisa fará estudo sobre quedas de energia em Dourados

Moradores do Parque Alvorada, universidades, escola e mosteiro relatam problemas; abaixo-assinado apresentado pela comunidade reúne mais de 300 assinaturas

A sequência de reclamações sobre quedas e oscilações de energia em Dourados levou a Energisa a anunciar um estudo para avaliar o problema e buscar medidas para estabilizar o fornecimento. A cobrança reúne moradores do Parque Alvorada, instituições de ensino, uma escola municipal e o Mosteiro Santa Maria dos Anjos.

O estudo foi anunciado em reunião realizada nesta quarta-feira (28), na sede da concessionária, em Campo Grande. O vereador Sergio Nogueira (PP) e Moacir Roza, presidente da Associação de Moradores do Parque Alvorada, foram recebidos por Giovani Moura, assessor institucional da Energisa.

Durante o encontro, foram citados fatores que podem afetar a rede, como árvores próximas aos cabos, ventos fortes, descargas atmosféricas, tempestades e possíveis efeitos associados ao El Niño.

“Nosso objetivo é obter respostas concretas. A população precisa saber quais são as causas das interrupções, quais medidas serão adotadas e em que prazo. Vamos acompanhar esse estudo e cobrar os resultados”, afirmou Sergio Nogueira.

Reclamações se acumulam desde 2025

Em março de 2025, moradores do Parque Alvorada protocolaram uma reclamação no Ministério Público e apresentaram um abaixo-assinado com mais de 300 assinaturas. Também registraram demandas junto à Energisa, ao Procon e a outras instâncias.

A UNIGRAN relatou interrupções e oscilações que atingem especialmente o Jardim Universitário e bairros próximos. Segundo a Reitoria, os problemas prejudicam atividades acadêmicas e administrativas e podem comprometer equipamentos e sistemas tecnológicos. A instituição pediu providências técnicas e um cronograma para a solução.

A UNIFRON, localizada no Parque Alvorada, também solicitou a intermediação do vereador. Em ofício, a faculdade relata prejuízos operacionais, danos a equipamentos e dificuldades na prestação de serviços devido às interrupções.

A instituição anexou um relatório técnico com medições realizadas entre 22 de março e 2 de abril de 2026. O documento não identificou evidências de sobrecarga contínua no sistema de medição da unidade, mas registrou danos em dispositivos de proteção contra surtos e equipamentos eletrônicos. Segundo o relatório, os danos são compatíveis com surtos de tensão relacionados a descargas atmosféricas próximas ou a perturbações conduzidas pela rede de alimentação.

A UNIFRON informou que as quedas continuaram mesmo após uma equipe da Energisa verificar a rede. O relatório recomenda que a concessionária analise o sistema de distribuição e as ocorrências.

A Escola Municipal Aurora Pedroso de Camargo também pediu providências. De acordo com a diretora Tânia Aparecida de Miranda Rezende, as interrupções prejudicam as aulas e os trabalhos administrativos e pedagógicos. Já o Mosteiro Santa Maria dos Anjos, das Irmãs Clarissas, relatou que as quedas afetam momentos de oração, atividades de trabalho e o funcionamento de equipamentos.

Inquérito reúne dados sobre interrupções

A discussão também envolve o Inquérito Civil nº 06.2025.00001008-1, conduzido pela 10ª Promotoria de Justiça de Dourados para apurar a qualidade do fornecimento de energia. Despacho do Ministério Público, assinado em outubro de 2026, reúne dados de interrupções registradas entre janeiro de 2021 e dezembro de 2024.

No período analisado, falhas de material e equipamento foram associadas a 19.634 interrupções, equivalentes a 44,48% do total. Ocorrências atribuídas a árvores ou vegetação somaram 2.950 registros, cerca de 6,68%.

O procedimento também registra irregularidades identificadas em fiscalizações e determina novas diligências relacionadas ao plano de melhoria da concessionária. Os dados abrangem o conjunto de ocorrências analisadas no inquérito e não identificam, isoladamente, as causas de cada interrupção nos bairros de Dourados.

Sergio Nogueira afirmou que acompanhará o estudo anunciado pela Energisa e cobrará informações sobre as conclusões, as medidas previstas e os prazos de execução.

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