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sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Solidariedade e futuro: o cooperativismo que acolhe, inclui e transforma vidas

Com apoio do Fundo Social Sicredi Centro-Sul MS/BA, projetos de Maracaju, Dourados e Caarapó ajudam famílias, incentivam o esporte, enfrentam a fome e ampliam a inclusão

O caso de João Neto mobilizou a sociedade de Maracaju, cidade onde ele reside com a família. Gêmeo de João Abner, o garoto teve ao seu redor uma corrente de solidariedade que reuniu familiares, amigos e moradores em uma luta ampla. Leilões, rifas, doações e até blitz nas ruas foram organizados para arrecadar recursos e viabilizar o tratamento. A mobilização, inicialmente concentrada na esperança de cura de uma criança, cresceu e originou um movimento bem mais amplo: o apoio a outras famílias que também enfrentavam o câncer. E assim a história dele deixou de ser apenas a trajetória de um menino em busca da recuperação e passou a integrar a história de uma comunidade que descobriu unida uma forma de zelar por seus membros.

Atualmente aos 15 anos, João Neto está curado e mantém os exames de acompanhamento dentro dos padrões de normalidade. A vitória veio depois de um percurso intenso, com sessões de quimioterapia e um transplante de medula óssea realizados no Hospital de Câncer de Barretos. A família também precisou atravessar fronteiras para buscar alternativas de tratamento, permanecendo por doze meses em 2018 nos Estados Unidos e anos depois, a mãe relata com orgulho a superação.

“Hoje João Neto é atleta de natação e lutador de jiu jitsu, venceu o câncer e através da sua história uma nova história se escreveu. E como Deus tem um propósito para tudo, a história dele se espalhou como vento e vimos o poder da união pois Maracaju se transformou em uma rede de apoio, oração e hoje a Amapc apoia famílias que enfrentam essa doença”, destaca Analice.

Analice fala da Associação Maracajuense de Apoio a Pacientes com Câncer (Amapc) Amigos do João Neto criada pela tia da criança, Andrea Bes e apoiada por ela e por toda a comunidade. A mobilização em torno de João Neto trouxe aos olhos uma realidade que, até então, não era tão evidente para quem estava concentrado em ajudar o menino: outras famílias de Maracaju também enfrentavam o câncer, muitas vezes sem recursos para custear despesas básicas e sem condições de suportar sozinhas o peso de um tratamento prolongado.

Foi essa percepção que levou a família de João Neto, a transformar a experiência vivida em uma iniciativa permanente de apoio. Andrea e familiares já organizavam ações menores para auxiliar nas despesas do tratamento em Barretos. Em 2017, a mobilização ganhou outra dimensão, com uma campanha de grande porte para arrecadar os cerca de US$ 200 mil necessários à continuidade do tratamento de João Neto nos Estados Unidos.

Depois que a família retornou ao Brasil, a procura por ajuda continuou. Só que, dessa vez, os pedidos vinham de outras casas.

“Eu e minha família ficamos muito conhecidos na cidade, e as pessoas começaram a me procurar. Pediam um exame, uma caixinha de remédio, às vezes um medicamento que custava R$ 14 e que não tinham condições de comprar. Também pediam cesta básica. E aí eu acordei para essa outra realidade, que não era só minha família que precisava, sabe? Que tinha outras pessoas que precisavam”, conta Andrea.

Atualmente a Associação Maracajuense de Apoio a Pacientes com Câncer — Amigos do João Neto (AMAPC) que há nove anos, nasceu de uma experiência pessoal, se consolidou como uma resposta comunitária para pessoas que enfrentam um momento delicado da vida quando algum familiar luta contra o câncer. Nessa percepção a Sicredi por meio do Fundo Social destinou R$ 15 mil para apoiar os serviços.

Ainda conforme explica Andrea, a Amapc apoia as famílias com medicamentos, cestas básicas, um vale-alimentação e auxílio combustível oferecido aos pacientes em quimioterapia. Além disso, também é oferecido suporte psicológico, com profissionais custeados pela associação.

Com o acompanhamento oferecido ao longo dos anos, Andrea cita que nota a evolução dos pacientes, o que faz todo esforço valer a pena aos voluntários.

“Sentir-se acolhido e contar com apoio psicológico são ações que notoriamente contribuem para o tratamento. São iniciativas que não substituem o tratamento médico, mas ajudam a tornar possível a continuidade dele e todos que nos envolvemos nos sentimos gratos em poder ajudar”, aponta Andrea Bes.

Transformador de vidas

Em baixo das arquibancadas do Estádio Douradão, em Dourados, crianças e adolescentes encontram um espaço para aprender, superar desafios e descobrir o próprio potencial. É ali que funciona o projeto Ginaslouquinhos – Ginástica Artística e Cidadania, que oferece aulas gratuitas para 510 participantes de 4 a 17 anos. As atividades ocorrem de manhã e à tarde, no contraturno escolar.

O projeto começou em 2018, de forma tímida, com 28 alunos. À frente da iniciativa está o profissional de Educação Física Antônio Carlos Barbosa, conhecido como Kaká, um dos fundadores do Ginasloucos, grupo que realizada pelo país show de enterradas de basquete acrobático. Ao longo desses oito anos, o Ginaslouquinhos cresceu e se tornou uma oportunidade para crianças e jovens praticarem esporte, desenvolverem disciplina e aprenderem em grupo.

Solidariedade e futuro: o cooperativismo que acolhe, inclui e transforma vidas
“Voar” em direção aos sonhos fica mais fácil com dedicação, talento e cooperação. Foto: Gizele Almeida

O trabalho se mantém com o apoio de parceiros, entre eles a Sicredi Centro Sul MS/BA, por meio do Fundo Social. Esta é a quarta vez que o projeto foi selecionado e na edição mais recente, foram destinados R$ 20 mil. O recurso foi usado para reforçar a climatização do espaço, com a instalação de aparelhos de ar-condicionado, e adquirir materiais para as atividades de solo, salto, barras assimétricas, trave e equilíbrio, barras e argolas.

“A gente tem conseguido se manter todos esses anos graças a esses parceiros, pois sem eles seria inviável oferecer um trabalho de qualidade. Os pais também ajudam muito. O espaço todo foi montado graças a um mutirão das famílias, que não medem esforços para buscar melhorias e ajudar uns aos outros. Somos uma grande família”, conta Kaká.

Essa união acompanha os alunos dentro e fora dos treinos. As aulas regulares duram 50 minutos e são realizadas três vezes por semana. Quem se destaca pode integrar a equipe de elite, com treinos de segunda a sexta-feira, e representar os Ginaslouquinhos em competições estaduais e nacionais.

Benjamin Diniz, 14 anos, estuda pela manhã e treina à tarde. Ele já conquistou o quarto lugar em uma competição em João Pessoa, na Paraíba, e uma medalha de prata em Brasília. Ele treina pesado e quer continuar na ginástica, esporte que ama tanto quanto o futebol.

Já Ana Laura Scriptore, 12 anos, que pratica a modalidade há quatro anos, conquistou o terceiro lugar no salto nos Jogos Escolares Brasileiros e também ficou em terceiro no campeonato estadual, na categoria intermediária. Ela sonha em se tornar uma atleta reconhecida e chegar ao mundial. Ao lado das colegas, tem se preparado para o torneio nacional de ginástica artística, marcado para novembro, em Maceió, na Alagoas. “Estou ansiosa, mas estamos nos preparando bastante”, diz.

Para a advogada Luciana Torres, mãe de dois participantes do projeto, a ginástica foi um divisor de águas para os filhos, especialmente para Augusto, de 12 anos, autista nível de suporte 1. Depois de tentar participar de outras modalidades, ele encontrou na ginástica um esporte com o qual se identificou. A filha Helena também faz parte do projeto.

“A ginástica tem ajudado muito em todos os sentidos, como no comportamento, na disciplina, no foco e na dedicação. Sou muito grata por esse projeto”, afirma Luciana.

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Superar desafios é olhar para o futuro com esperança e cooperar para uma sociedade melhor. Foto: Gizele Almeida

Alimento pra quem tem fome

Em uma cidade com mais de 260 mil habitantes, segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a realidade de Dourados também apresenta desafios relacionados à insegurança alimentar. Para enfrentá-los, o Instituto Tempo de Vida surgiu como uma iniciativa de assistência que busca oferecer apoio a pessoas em situação de vulnerabilidade.

O trabalho começou em março de 2020, quando o projeto “Quem Tem Fome Tem Pressa” foi criado como departamento social da Igreja Comunidade Tempo de Vida (CTV). Diante do agravamento das dificuldades econômicas durante a pandemia de Covid-19, voluntários se organizaram para distribuir refeições a quem precisava de ajuda imediata. Em um único dia, chegaram a entregar 700 marmitas.

Com a continuidade das ações, a iniciativa ganhou estrutura própria e se consolidou no Instituto Tempo de Vida, sob a gestão do pastor Diego Araújo. Voluntários “abraçam” e fazem com que as ações aconteçam e a Sicredi, com um aporte de R$ 25 mil também auxiliou na sequência do trabalho.

“A necessidade das pessoas era iminente, e um grupo de voluntários sensíveis a isso se uniu, fazendo a missão acontecer. Todo o recurso cedido pela Sicredi aplicamos em proteína (carne e frango) ao longo da distribuição de alimentos e isso foi essencial”, recorda o pastor.

Solidariedade e futuro: o cooperativismo que acolhe, inclui e transforma vidas
Ajudar o próximo é mais que fazer o bem, é espelhar felicidade. Foto: Flávio Verão

O trabalho avançou para além das ações emergenciais. A organização chegou a manter um restaurante comunitário na região central de Dourados, onde as refeições eram oferecidas gratuitamente no horário do almoço, no formato de autosserviço. O público atendido reunia pessoas em diferentes condições de vulnerabilidade, desde moradores de rua até trabalhadores que chegavam à cidade com recursos suficientes apenas para pagar o transporte.

“Nós atendemos desde moradores de rua a pessoas que às vezes vêm para o trabalho e estão apenas com o dinheiro da condução, do ônibus, por exemplo”, conta Diego.

O restaurante passa por obras, com previsão de retomada do serviço em 2027. Enquanto o restaurante não retoma as atividades, o Instituto mantém a distribuição de cestas básicas, com uma média de 50 distribuídas por mês, as quais contém itens como arroz, feijão, óleo, açúcar, café, além de produtos de higiene e de limpeza. Uma das pessoas beneficiadas é Daiane Carla Ebehart, de 35 anos, mãe solo de três crianças, de 4, 8 e 12 anos. Diarista, ela divide o tempo entre o trabalho e os cuidados com os filhos e conhece de perto a dificuldade de manter a casa quando a renda não é suficiente.

“É difícil ser sozinha com três crianças e sou diarista e me divido para cuidar deles. Já cheguei a ter apenas um óleo em casa e agora estávamos também em um momento crítico. A cesta vai ajudar bastante”, relata.

A ajuda recebida em um momento de dificuldade representa mais do que os alimentos que chegam à despensa. Para famílias como a de Daiane, o apoio permite reorganizar despesas, reduzir a preocupação com uma necessidade imediata e direcionar os poucos recursos disponíveis para outras demandas das crianças.

Solidariedade e futuro: o cooperativismo que acolhe, inclui e transforma vidas
Pastor Diego Araújo mostra planos para expansão da sede do projeto que ajuda pessoas em situação de vulnerabilidade social em Dourados. Foto: Gizele Almeida

O Instituto que funciona em uma sede improvisada na área central atualmente recebeu do poder público a doação de um terreno para a construir uma sede própria e reúne esforços nesse intuito. Além da assistência alimentar, desenvolve iniciativas ligadas ao esporte, à saúde e à orientação jurídica. Atualmente 230 pessoas auxiliam de forma espontânea nas atividades de ‘servir’.

A junção de voluntariado, parcerias e recursos ajudam a formar uma rede de proteção social que alcança pessoas em diferentes situações.

Inclusão e oportunidades

A poucos quilômetros da segunda maior cidade do interior de Mato Grosso do Sul, em Caarapó, a da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) atua desde 1992 nas áreas de educação especial, saúde e assistência social, acompanhando pessoas com deficiência intelectual, associada ou não a outras deficiências, e suas famílias.

O atendimento é multidisciplinar e reúne serviços de fisioterapia, hidroterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia e assistência odontológica por meio da Unidade Odontológica Móvel, além do trabalho na Educação e Assistência Social. Em parceria com a Prefeitura Municipal, a APAE também possibilita que pessoas com deficiência da comunidade tenham acesso aos serviços de saúde oferecidos pela instituição.

A estrutura realiza aproximadamente 1,5 mil atendimentos mensais, contribuindo para o desenvolvimento, a reabilitação e a qualidade de vida dos usuários. Para ampliar essa atuação, a APAE de Caarapó foi contemplada pelo Fundo Social da Sicredi com o projeto “Construindo Inclusão, Promovendo Autonomia para Toda a Vida”, com o valor de R$ 9.980. Os recursos estão sendo destinados à construção de duas salas, ampliando a estrutura física da instituição e criando condições para expandir os atendimentos.

Para a coordenadora Juliana Ignácio Santos, a parceria representa um avanço importante para a continuidade do trabalho.“Essa parceria representa um avanço importante para a APAE, pois permitirá melhorar as condições de atendimento, ampliar as possibilidades de acompanhamento e proporcionar um ambiente mais adequado às necessidades das pessoas atendidas. Além disso, fortalece o compromisso da instituição com a inclusão, a autonomia e a qualidade de vida das pessoas com deficiência e suas famílias.”

A inclusão também se manifesta nos vínculos construídos diariamente e em conquistas que, muitas vezes, só são percebidas por quem acompanha de perto a evolução de cada pessoa.“A gente vê o sorriso das crianças na Apae, a gente vê como elas são felizes lá e pra mim isso é tudo”, destaca Luciano de Souza Ferreira, pai de Amanda Emanueli Campos Ferreira, de 10 anos, que é acompanhada pela Apae.

A criança nasceu prematura extrema e precisa de cuidados especiais. O pai celebra cada evolução e conta com emoção a jornada de cuidados com a filha.

“Ela usa traqueostomia, ela se alimenta por sondinha. Os cuidados são o de toda criança especial, né? Mas agora ela já é bem tranquila de cuidar, já passaram as fases de convulsões”, conta ao citar que é pai solo, já há seis anos e “teve que aprender muita coisa nesse período”.

Solidariedade e futuro: o cooperativismo que acolhe, inclui e transforma vidas
Luciano e filha Amanda falam de acolhimento recebido em Apae Caarapó. Foto: Apae

Ele comenta que há oito anos, Amanda é acompanhada na Apae e demonstra constantes evoluções no seu desenvolvimento. Ele destaca gratidão por todo empenho da equipe não somente com a criança mas com todos os que utilizam o serviço.

“Eu fico muito feliz por todos lá da APAE que estão lá e vemos que quem está lá é por tem um verdadeiro amor no coração. Eu tenho muito a agradecer de coração mesmo, pelo que eles fazem pelas crianças, né”.

Os desafios são diários também para os profissionais da Associação, mas ver a evolução de cada paciente também é parte de um gratificante processo. A fisioterapeuta Lucimar dos Santos fala sobre a rotina de cuidados com Amanda e do desenvolvimento positivo dela.

“​É nossa paciente, a pessoa muito querida Amanda, e a Amanda já frequenta o setor fisio. Hoje nós estamos aqui fazendo um pouquinho de mobilização para que a gente consiga a sua musculatura não venha atrofiar. é o caso dela, que embora ela movimente pouco, mas a gente não observa nenhuma atrofia muscular na Amanda”, conta.

A direção destaca que o intuito central é oferecer condições para que cada pessoa seja acolhida em suas particularidades e encontre oportunidades para desenvolver suas capacidades, participar da sociedade e construir sua própria trajetória.

Um compromisso que volta para a comunidade

O que se nota em Maracaju, Dourados e Caarapó são realidades diferentes, mas compartilhadas pelo mesmo senso de que o desenvolvimento de uma região também depende da capacidade de cuidar das pessoas que vivem nela.

As organizações destacadas colaboram com o poder público para ampliar o alcance da assistência, mobilizando pessoas, recursos e conhecimento em torno de necessidades concretas. São direcionamentos que, muitas vezes, proporcionam respostas rápidas para a sociedade e é nesse contexto que o Fundo Social da Sicredi se consolida como instrumento de apoio ao desenvolvimento local.

Solidariedade e futuro: o cooperativismo que acolhe, inclui e transforma vidas
Mirelly Lopes, analista de Desenvolvimento do Cooperativismo da Sicredi Centro-Sul MS/BA fala como Fundo Social da Sicredi apoia comunidade. Foto: Flávio Verão

A iniciativa destina anualmente 1% do resultado financeiro da cooperativa para apoiar projetos de interesse coletivo, colocando em prática o sétimo princípio do cooperativismo, que trata do interesse pela comunidade.

Mirelly Lopes, analista de Desenvolvimento do Cooperativismo da Sicredi Centro-Sul MS/BA, destaca que em 2026, o alcance do programa foi ampliado para incluir também entidades públicas, além das organizações privadas sem fins lucrativos legalmente constituídas.

Entre as 321 entidades contempladas, os projetos abrangem diferentes áreas da vida comunitária. A educação reúne 96 iniciativas, seguida pelas ações sociais, com 86 projetos, e pela saúde, com 52. A cultura conta com 36 propostas contempladas, enquanto o esporte reúne 35. Também foram apoiadas iniciativas de meio ambiente, com nove projetos, e de segurança, com sete- veja detalhes no gráfico abaixo-.

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Gráfico mostra as áreas que a Sicredi Centro Sul MS/BA investiu na última edição. Foto: Imagem gerada com IA

“Por meio das propostas aprovadas e por meio do cronograma definido no edital, as entidades recebem os recursos permitindo que cada organização utilize os mesmos para executar as atividades planejadas”, explica.

A conexão das necessidades reais de cada localidade alinhadas com o cooperativismo podem unir esforços para alcançar objetivos comuns, gerar resultados e impactar positivamente a vida da comunidade. Para Mirelly Lopes, analista de Desenvolvimento do Cooperativismo da Sicredi Centro-Sul MS/BA, a edição de 2026 também foi marcada pela aproximação entre a cooperativa e as entidades participantes, fortalecendo o diálogo e o acompanhamento das iniciativas.

Cooperação pelo cuidado com as pessoas

A secretária de Assistência Social, Shirley Flores Zarpelon, destaca que iniciativas da sociedade civil, como as apoiadas pelo Fundo Social da Sicredi, contribuem para ampliar o alcance dos serviços socioassistenciais no município.

Cabe destacar que com a chegada de pessoas de diferentes regiões do Brasil e de outros países, Dourados também enfrenta o desafio de acolher famílias que, ao se estabelecerem no município, podem precisar de apoio para garantir alimentação, acesso a serviços públicos e condições básicas de vida. Recentemente, inclusive o poder público, elaborou um diagnóstico sobre a população migrante, refugiada e apátrida no município que demonstra a presença expressiva dessa população na rede pública e aponta e a importância da articulação entre os setores municipais nas ações de acolhimento, orientação, regularização documental e inclusão social. A cidade reúne 9.197 registros de migrantes internacionais entre 2010 e 2025, o equivalente a 24,2% dos registros de Mato Grosso do Sul no período. Nesse cenário, a atuação conjunta entre poder público, entidades e comunidade torna-se fundamental para reduzir vulnerabilidades e fortalecer a rede de proteção social.

“É uma parceria muito importante. Muitas vezes, a sociedade, as igrejas e as instituições desenvolvem trabalhos que se alinham ao que a Prefeitura faz, com acolhimento e atendimento humanizado. É a sociedade contribuindo para minimizar as vulnerabilidades do município, todos voltados a um único objetivo: atender as pessoas que mais necessitam e que estão passando por alguma situação de vulnerabilidade”, ressalta Shirley.

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Shirley Flores Zarpelon, secretária da Semas cita que união em prol das pessoas em situação de vulnerabilidade social é fundamental. Foto: A. Frota

“Foram dias muito difíceis, mas nunca desistimos de acreditar na cura, de acreditar que tudo aquilo passaria e a vida voltaria ao normal”. O relato é de Analice Felini, mãe de João Neto, que aos 4 anos de idade foi diagnosticado com um câncer raro, o TCG (Tumor Coccígeo Germinativo), um tipo raro em crianças e travou uma jornada rumo ao tratamento que, entre 2016 e 2018, precisou contar com o suporte do Hospital de Amor, em Barretos, e até com atendimento especializado internacional, por meio de radioterapia por prótons em Boston, nos Estados Unidos. A trajetória do garoto inspirou a criação de uma instituição para apoiar famílias que passam por situações semelhantes, como a reportagem vai detalhar logo mais abaixo, sendo essas uma das que foram beneficiadas pelo Fundo Social Sicredi Centro Sul MS/BA no ano de 2026. No período foram disponibilizados R$ 1,79 milhão para 321 entidades de interesse coletivo, das quais demonstraremos a seguir o trabalho de quatro dessas em cidades de Mato Grosso do Sul.

Na área do esporte, a secretária também destaca o papel das iniciativas que favorecem o desenvolvimento de crianças e adolescentes e incentivam a cidadania. O município mantém o projeto Educart – Cuidando com Educação, Esporte e Arte, estruturado pela Secretaria Municipal de Educação, com atividades como futsal, handebol, tênis de mesa, atletismo, judô, basquete, dança, xadrez, fanfarra, violão e oficinas de arte. Para ela, toda ação que incentiva hábitos saudáveis, qualidade de vida e revela talentos é valiosa.

“É de suma relevância para as famílias que os menores estejam envolvidos em atividades que estimulem positivamente o desenvolvimento no contraturno escolar”, destaca.

A junção entre solidariedade, participação comunitária, poder público, voluntariado e cooperação via Fundo Social da Sicredi demonstra que é possível fortalecer uma sociedade, gerar oportunidades, acolhimento e desenvolvimento.

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