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quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Narcotraficante ligado a Marcola volta à mira da PF 3 anos após prisão em MS

Boliviano capturado em Jaraguari em 2023 tinha escolta armada e apoio logístico do grupo investigado na Ifrit

A megaoperação Ifrit, deflagrada na manhã desta quarta-feira (4) pela Polícia Federal em cooperação com a Receita Federal, trouxe à tona a estrutura de uma organização criminosa ultraviolenta e revelou ramificações internacionais profundas ligadas à cúpula do PCC (Primeiro Comando da Capital). No centro desse esquema transnacional de tráfico de drogas e armas está o narcotraficante boliviano Jorge Adalid Granier Ruiz, apontado nas investigações como o chefe da facção na Argentina.

Conhecido por codinomes como "pariente", "nono", "narcofantasma", "fantasma" e "rey de los cielos", Granier Ruiz é considerado pessoa de confiança de Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, e do líder máximo da facção paulista, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola.

Segundo apurou o Campo Grande News, investigações do GISE (Grupo Especial de Investigações Sensíveis) da PF, indicam que o boliviano era o responsável por enviar centenas de quilos de cocaína por meio de aeronaves para abastecer o grupo criminoso investigado.

O vínculo direto entre o "Rey de los Cielos" e a organização criminosa baseada em Mato Grosso do Sul já vinha sendo monitorado pelas autoridades. Em 28 de março de 2023, Jorge foi localizado e preso no município de Jaraguari, a 47 quilômetros de Campo Grande, utilizando documentos falsos.

Na ocasião, a infraestrutura do grupo investigado na Operação Ifrit garantiu toda a logística de proteção ao narcotraficante boliviano, fornecendo-lhe veículos, armamentos e uma escolta formada por sicários fortemente armados.

Após a captura na cidade sul-mato-grossense, Granier foi extraditado para a Argentina, onde atualmente cumpre pena de ao menos 10 anos de prisão. Contudo, diante das novas provas obtidas sobre a continuidade do esquema transnacional, a Justiça Federal de Campo Grande decretou um novo mandado de prisão preventiva contra ele no âmbito da Operação Ifrit.

Rota transfronteiriça – As investigações apontam que a organização criminosa atuava no domínio territorial e no controle de ações violentas na faixa de fronteira, concentrando forças entre Pedro Juan Caballero, no Paraguai, e Ponta Porã, além de utilizar Campo Grande como entreposto estratégico.

Os entorpecentes e armas de fogo de alto calibre, obtidos na Bolívia, Peru e Paraguai, eram distribuídos para centros urbanos de Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Além do abastecimento nacional, o grupo realizava o translado de cocaína pelo território brasileiro com foco na exportação para o mercado europeu, tendo como destinos principais a Espanha e Portugal.

Com a deflagração da Operação Ifrit, o Juízo Federal determinou a inclusão de 26 investigados na Difusão Vermelha da Interpol e a transferência cautelar de 11 lideranças da organização para presídios federais de segurança máxima, além do bloqueio de bens e valores que superam R$ 500 milhões.

Operação Ifrit – Entre os alvos da ação estão o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa e o investigador Douglas Tobias, ambos já investigados na Operação Infiltrados, que apura o desvio de drogas apreendidas pela Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico).

Hoffman recebeu um novo mandado de prisão e foi levado para o Presídio Federal, enquanto um Mustang Shelby atribuído a Douglas foi apreendido em um condomínio de luxo em Campo Grande. A ação também resultou na apreensão de uma caminhonete L200 Triton, armas, munições, dinheiro em reais e dólares e um relógio Rolex dourado. Em Ponta Porã, foram apreendidos armamentos e munições.

Segundo a Polícia Federal, a operação mobilizou 500 policiais federais e 44 servidores da Receita Federal em sete estados. Foram expedidos 76 mandados de busca e apreensão, 25 de prisão preventiva, um de prisão temporária e três medidas de monitoração eletrônica, além do afastamento de três policiais civis de Mato Grosso do Sul.

A Justiça também determinou o sequestro de cerca de 160 imóveis, mais de 150 veículos, seis fazendas, um haras e outros bens avaliados em mais de R$ 500 milhões, além do bloqueio de até R$ 300 milhões em contas bancárias.

Quem é? – “Narcofantasma” era procurado pelo mundo desde abril de 2022. Foi em 15 de abril de 2021 que ele entrou para a difusão vermelha da Interpol – ferramenta da polícia internacional para encontrar criminosos com a finalidade de extraditá-los – e recebeu a classificação “perigoso”. Em março de 2023, foi capturado em Mato Grosso do Sul.

A mudança na aparência o ajudou a transitar sem ser reconhecido. Como era obeso, submeteu-se à cirurgia bariátrica e logo depois passou por lipoaspiração, procedimentos que o deixaram bem mais magro, modificando totalmente sua fisionomia.

Segundo um relatório da DEA (Drug Enforcement Administration), a agência antidrogas dos Estados Unidos, Granier Ruiz é responsável por uma estrutura dedicada ao transporte de cocaína em pequenos aviões da Bolívia e do Paraguai para a Argentina.

Ele entrou para a lista de procurados da Interpol a pedido da Justiça argentina. “Fantasma” era foragido de ordem de prisão pela acusação de ter coorganizado o transporte de 389 kg de cocaína embalados em sacos de estopa, escondidos na carroceria de uma Ford Ranger cabine dupla. A droga foi apreendida, em 24 de setembro de 2020, na chamada Rota 9, em Paraje Paraíso, província de Buenos Aires.

Confira a galeria de imagens:

Narcotraficante ligado a Marcola volta à mira da PF 3 anos após prisão em MS
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