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Dourados
quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Em duas horas, chuva alaga ruas, invade casas e deixa famílias ‘ilhadas’ em Dourados

Famílias de Dourados ainda contabilizam móveis, eletrodomésticos e até alimentos que perderam com o alagamento de casas, após intensa que caiu na cidade na manhã desta quinta-feira, dia 5.

De acordo com o Guia Clima da Embrapa Agropecuária Oeste, foram 64.9 mm em pouco mais de duas horas, volume suficiente para deixar um rastro de prejuízos em diversos bairros. A chuva começou por volta das 4h da madrugada, mas a maior parte do volume caiu entre 7h e 9h.

CASAS ALAGADAS

A equipe do Dourados News esteve em residências de famílias da região do BNH 4º Plano. Na rua Jandaia esquina com General Osório, próximo ao acesso à BR-463, era possível ver moradores saindo de casa com água até o quadril.

A aposentada Benedita Leite, de 82 anos, mora nessa esquina há 38 anos e conta o desespero de ver a casa encher de água. “A geladeira começou nadar lá em cima, a máquina de lavar também ficou 'em pé'. O banheiro, a água subiu assim do vaso”, conta mostrando com as mãos que a água chegou praticamente à sua cintura.

Ela conta que a casa foi a primeira que teve e que pretende voltar, mesmo com a insistência dos filhos de que ela saia do local. “Entrou água assim por baixo, estava ‘fofo’ o piso, você acredita que a água estava entrando por ali? Aí eu estou com medo da casa cair”, relata a idosa.

Em duas horas, chuva alaga ruas, invade casas e deixa famílias 'ilhadas' emDourados

Na rua Jandaia, moradores enfrentaram água quase até o quadril para acessar casas. Foto: Clara Medeiros/Dourados News

A dona de casa Luzia Ramos Flor, de 46 anos, mora há poucos metros desse mesmo local, na rua General Osório. Ela tem filhos de 24, 19 e um ano de idade.

“Eu tenho um bebê pequeno e quando ele dorme, eu aproveito e durmo com ele, mas eu não vi que estava inundando a casa. Quando a minha filha acordou, a casa já estava assim. Não deu tempo de pegar nada de dentro. Eu perdi tudo. Perdi meus alimentos, perdi a geladeira. Eu perdi meus ventiladores, tudo. Guarda-roupa, minhas roupas. Não dá para tirar”, afirma.

A irmã dela não conseguiu levantar devido a uma deficiência que a impede de andar. Ela permaneceu deitada na cama sob observação da família e a água quase atingiu a altura do colchão. “Vamos tirar ela dali daqui a pouco. Eu vou ir lá para a casa da minha filha, porque eu não tenho condições de ficar aqui”, afirmou.

Na casa da vizinha dela, a situação não é diferente. Quando a equipe do Dourados News chegou, a proprietária estava abraçada com duas cachorras, sentada em um sofá que estava em cima de uma mesa.

Foi ela quem chamou a irmã, a cabelereira Vilma Ramos da Silva, 60 anos, para socorrer. “A gente saiu juntando para não inundar”, conta ela, relatando que só salvou as camas e alimentos que correram para tirar dos armários.

Em outras casas que o jornal visitou, havia sofás encharcados, colchões, fotos de família, livros didáticos, decoração, entre outros, além de muitas folhas, lama e sujeira que entraram junto com a força da água para dentro das residências.

Em duas horas, chuva alaga ruas, invade casas e deixa famílias 'ilhadas' emDourados

Residência completamente alagada após o fim da chuva. Na parede estão as marcas de onde a água chegou. Foto: Clara Medeiros / Dourados News

MAIS ESTRAGOS

Conforme adiantado pelo Dourados News , outras regiões da cidade também foram impactadas. Um carro ficou submerso debaixo do túnel do bairro Parque das Nações e o marido da condutora precisou nadar até o veículo para conseguir resgatá-la.

De acordo com a Semsur (Secretaria Municipal de Serviços Urbanos), esse alagamento foi provocado foi um galho de árvore que bloqueou a passagem de água por um bueiro e a desobstrução já aconteceu.

Ainda conforme o órgão, houve transbordamento de córregos comprometendo residências próximas às suas margens ou em ruas que ficam mais baixas, como é o caso das que estão no BNH 4º Plano e na Vila Cachoeirinha, afetadas pelo córrego Água Boa.

O córrego Engano também teria transbordado, afetando a região dos Parques das Nações I e II, e o Paragem, próximo à ponte da Rua Mozart Calheiros, no Jardim Água Boa.

A prefeitura ainda divulgou que a Defesa Civil está no atendimento às ocorrências, e que houve quedas de árvores e galhos de grande porte provocando obstruções em vias públicas e comprometendo a circulação de veículos. No entanto, não há relato de feridos.

A orientação da Defesa Civil à população é evitar atravessar ruas alagadas, não se aproximar de árvores com risco de queda e manter distância de fios elétricos caídos, acionando o órgão em caso de emergência através do telefone 199.

MAIS TEMPESTADE

Ainda são monitoradas as condições meteorológicas, já que a cidade continua em alerta laranja de tempestade, publicado pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).

Classificado com grau de severidade ‘perigo’, o aviso teve início no primeiro minuto desta quinta-feira e segue até 23h59.

A previsão ainda é de que continue chovendo no município, pelo menos, até domingo, dia 8.

Somente nestes primeiros dias de novembro já choveu 107 milímetros, mais de dois terços do esperado para todo o mês, conforme a média histórica apontada pelo Guia Clima.

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