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segunda-feira, 27 de abril de 2026

Plano Safra de R$ 600 bi tem R$ 13 bi de subsídio do Governo

Custos de produção dobraram em cinco anos e juros altos preocupam setor

Clesio Damasceno

Há pelo menos cinco anos que o Governo Federal vem disponibilizando, em média, R$ 13,5 bilhões do orçamento todo ano para subsidiar os juros dos empréstimos para a produção agrícola no país. Esse subsídio ajuda diminuir o juro no volume de recursos disponibilizados para o plano Safra, que vem batendo recorde ano a ano, e para a safra 2026/2027, prevê-se mais de R$ 600 bilhões.

É bom que saibamos que esse volume de R$ 600 bi, não é dinheiro do Governo. É dinheiro disponibilizado pelos bancos para os produtores rurais captarem a juros de mercado. O que o Governo disponibiliza no orçamento é pouco mais de R$ 13 bilhões. Vamos entender isso.

O mal entendedor acha que é dinheiro do Governo esse volume de R$ 600 bi. E ele, o mal entendedor, não tem culpa, porque a mídia não explica quando anuncia esses valores. Na abertura da Agrishow, agora dia 26-04, em Ribeirão Preto – SP, o Ministro da Agricultura, André de Paula, anunciou que o Plano Safra vai disponibilizar para a safra 2026/2027, mais recursos que em 2025 (R$ 516,2 bi). O que isso quer dizer: que o produtor vai precisar de mais dinheiro para bancar suas plantações, mas o dinheiro virá de empréstimos com instituições privadas.

SUBSÍDIOS

Em 2021, o Plano Safra disponibilizou R$ 251,22 bilhões no total, e o Governo subsidiou em torno de R$ 10 bilhões. Em 2025 foi R$ 516,2 bi e agora em 2026 prevê-se R$ 600 bilhões. A safra está cada vez mais cara. Em 2021 o Brasil plantou cerca de 91 milhões de hectares e para 2026 a estimativa é que chegue a 95 milhões, crescimento de 4 milhões/ha principalmente na área de soja e milho.

Do recurso disponibilizado para subsídio no ano pássaro pelo Governo Federal, foram beneficiados a agricultura familiar (Pronaf) com mais ou menos R$ 9,5 bi, e o médio produtor foi com subsídio de R$ 3,5 bi. O chamado grande produtor não foi beneficiado com subsídio do Governo. O subsídio trata-se de o governo bancar uma parte dos juros. Fazendo uma pesquisa, conforme dados obtidos em escritório de planejamento de Amambai, por causa do subsídio, temos taxas de 3 a 8% para o Pronaf, dependendo da faixa, e de 10% para o Pronamp, que é para o médio produtor. O grande produtor fica com a taxa Selic (14,75%) a negociar com cada instituição financeira.

CUSTO CADA VEZ MAIS ALTO

O fato de o Pano Safra dispor de mais recursos do que o ano anterior, significa que o Agro ficou mais caro. O custo da produção ficou mais caro. O que se gastava para plantar 1 hectare de soja ou milho há quatro anos, era praticamente a metade do que se gasta hoje para plantar. Por isso, necessita-se de mais recursos disponíveis para o Pano Safra, ano a ano.

CRÉDITO ESCASSO E CARO

E o que vem acontecendo ano a ano, é o encarecimento do crédito. Com a alta taxa de inadimplência, mais de 80% das famílias com dívidas, e no agro não é muito diferente – basta ver o recorde em pedidos de recuperação judicial nos últimos anos -, os bancos, cooperativas, revendedores de máquinas, insumos, sementes, etc, ou seja, quem banca ou financia a atividade, exige cada vez mais garantias reais e cobram mais caro para emprestar o dinheiro.

CRÉDITO EM RISCO

Vale registrar mais uma informação pertinente. O custo agrícola total do país passa de R$ 1,4 trilhão, conforme dados da Confederação Nacional de Agricultura em março desse ano. O Plano Safra é parte desse montante.

Notícia recente mostrou que os fundos de investimentos atrelados ao financiamento do agro, não rendeu o prometido aos seus investidores. Com isso houve uma retirada em massa de dinheiro desses fundos. O que leva a crer que para essa nova safra, esses R$ 600 bilhões que vem sendo anunciado para o Plano Safra 2026/2027, ficará ainda mais caro para ser captado pelos produtores rurais do que na safra anterior. E o Governo não dispõe de mais recursos para subsidiar, porque também não tem como fazê-lo, sem economizar em outras áreas. Por isso o agro está preocupado mesmo com recorde de recursos do Plano Safra. Não é coisa boa.

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