Mato Grosso do Sul deve atravessar os últimos três meses de 2026 em uma condição diferente de parte do Centro-Oeste. Enquanto áreas de Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal têm previsão de chuva abaixo da média, o centro e o sul de MS apresentam tendência de precipitação acima da média entre outubro e dezembro. No Pantanal, a expectativa é de vazões acima da média no Alto Rio Paraguai e maior risco de cheias.
As projeções constam da quarta edição do Painel El Niño 2026-2027, divulgado nesta terça-feira (30), e mostram que os efeitos esperados no Brasil não são uniformes. Para os últimos três meses, a previsão sazonal indica maior probabilidade de chuva acima da faixa normal no Sul, em partes do Sudeste e no leste do Nordeste. Em grande parte do Norte e em áreas do Nordeste e do Centro-Oeste, a tendência é de precipitação abaixo da faixa normal.
MS destoa – Quando o recorte é feito para Mato Grosso do Sul, porém, a projeção apresenta diferenças. A previsão do Censipam (Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia) indica chuva acima da média no centro e sul do Estado durante o trimestre. Nas demais áreas do Pantanal, a tendência é de precipitação próxima da média. As temperaturas, por outro lado, devem permanecer acima da média.
O quadro contrasta principalmente com o centro e o norte de Mato Grosso, o norte de Goiás e o Distrito Federal. Nessas áreas, a combinação de chuva abaixo da média e temperaturas elevadas pode reduzir a disponibilidade de água no solo e dificultar o estabelecimento inicial de culturas como soja, milho e feijão.
Nas áreas analisadas do Centro-Oeste, o painel aponta recuperação da umidade do solo a partir de novembro. Em dezembro, o aumento das chuvas poderá provocar excesso de umidade, elevando o risco de doenças fúngicas e dificultando operações agrícolas.
A indicação genérica de chuva abaixo da média para áreas do Centro-Oeste, portanto, não deve ser aplicada indistintamente a Mato Grosso do Sul. Dentro da própria região, o painel apresenta comportamentos diferentes, com previsão de precipitação acima da média no centro e sul de MS.
Rio Paraguai – A diferença também aparece nas previsões para os rios. Na maior parte do Brasil, a expectativa é de vazões abaixo da média até dezembro. O boletim chama atenção para as bacias dos rios Branco e Negro, áreas do Norte e Nordeste e algumas cabeceiras do Centro-Oeste, onde há risco de persistência da estiagem.
No Alto Rio Paraguai, que abrange o Pantanal, o sinal é inverso. O painel prevê vazões acima da média e maior risco de cheias, condição que tende a diminuir até dezembro.
O documento não estima a magnitude de uma eventual cheia e ressalta que as projeções representam tendências sazonais, cujos impactos em cada local dependem da evolução das condições meteorológicas. Por isso, recomenda o monitoramento contínuo dos rios e reservatórios para orientar medidas de prevenção e resposta.
Também não há previsão de chuva acima da média para todo o Pantanal. Enquanto o centro e o sul de MS apresentam esse sinal, as demais áreas pantaneiras aparecem com precipitação próxima da média. Ainda assim, a previsão para o Alto Paraguai é de vazões superiores à média.
Calor e risco de fogo – Apesar da previsão de vazões acima da média no Alto Paraguai, as temperaturas devem permanecer acima da média em Mato Grosso do Sul e em praticamente todo o País. O painel também mantém áreas do Centro-Oeste entre as regiões críticas para ocorrência de fogo entre outubro e dezembro. O documento, porém, não detalha nessa análise quais áreas de Mato Grosso do Sul estão incluídas nas diferentes classificações de risco.
O painel também faz uma ressalva sobre os dados usados na análise das condições logísticas do Pantanal. Segundo o documento, a representação da região é parcial porque nem todas as localidades virtuais de Mato Grosso do Sul estavam incluídas no SipamHidro. Com isso, os indicadores dessa seção não abrangem integralmente o território sul-mato-grossense.
El Niño muito forte – O fenômeno está confirmado desde junho e deve continuar pelo menos até o início de 2027. Segundo o painel, os centros internacionais de previsão indicam continuidade e intensificação do aquecimento do Pacífico.
Para o trimestre de outubro a dezembro, o CPC (Centro de Previsão Climática) da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) aponta probabilidade superior a 95% de um El Niño muito forte. O boletim registra ainda que, segundo a NOAA, há possibilidade de o episódio ser o mais forte desde 1950, com anomalia de temperatura no Pacífico superior a 2,5°C.
Recomendações – O boletim orienta estados e municípios a atualizar planos de contingência, reforçar o monitoramento e os sistemas de alerta e identificar previamente recursos e estruturas disponíveis para responder aos possíveis impactos do El Niño.
O painel de setembro foi elaborado por órgãos federais, entre eles Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), SGB (Serviço Geológico do Brasil) e Censipam.

