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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Transtorno para tutora, canil alagado vira “playground” de golden

No Jardim Veraneio, enxurrada invadiu o espaço, deixou lama e dificultou a passagem de veículos e pedestres

A chuva forte que atingiu Campo Grande nesta quinta-feira (15) transformou parte de um canil com cerca de 30 cães da raça golden retriever em rio de água barrenta, no Jardim Veraneio. Na manhã desta sexta-feira (16), a reportagem do Campo Grande News voltou à Rua João Kussarev e encontrou a via tomada pela lama, com trechos intransitáveis. Além dos transtornos enfrentados pelos moradores, até motoristas tiveram dificuldade para atravessar a rua.

A criadora Luana Arantes Lorenzetti, de 36 anos, mora há dois meses no endereço com o marido e os dois filhos, de 14 e 7 anos. A família escolheu o imóvel pelo terreno amplo e pela área verde, onde os cães podem correr e brincar livremente. No entanto, a chuva de quinta-feira fez a água descer com força pela rua, entrar pelo portão e alagar a parte mais baixa da propriedade, onde ficam os animais.

"Aqui virou um rio", contou Luana. Durante o temporal, a família levou os cães para a varanda e precisou retirar cerca de 30 sacos de ração que estavam armazenados sobre paletes para evitar prejuízos. A casa, localizada na parte mais alta do terreno, não foi atingida.

O alagamento fez a criadora lembrar das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. Na época, ela e o marido passaram uma semana em Canoas, onde participaram de um trabalho voluntário de resgate de animais. "Quando eu entrei aqui e vi as águas na canela, lembrei exatamente da gente lá em Canoas, dentro dos barcos, as casas tomadas pela água. Foi exatamente isso que eu lembrei", relatou.

Confira a galeria de imagens:

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Transtorno para tutora, canil alagado vira “playground” de golden

Apesar do susto, os cães ficaram em segurança. Na manhã desta sexta-feira, enquanto a proprietária avaliava os transtornos e se preparava para limpar o terreno, os goldens já corriam e brincavam nas poças deixadas pela chuva. "Eles são criados soltos, não são criados presos. Eu gosto que eles fiquem soltos, corram, brinquem, pulem na poça de água. Só que agora acho que vou ter que dar um banho neles", brincou.

Luana conta que, durante o temporal de 10 de setembro, ficou quatro dias sem energia elétrica e dois dias sem água, mas o canil, que também abriga cães de outras raças além dos golden retrievers, não havia sofrido um alagamento dessa proporção. Desta vez, a força da enxurrada chegou a entortar o portão da propriedade. Para evitar novos transtornos, ela pretende construir uma estrutura na parte mais alta do terreno. "Nós temos o planejamento de fazer uma construção ali em cima. Não tem como ficar assim, de jeito nenhum. Vamos nos preparar para a próxima chuva", afirmou.

Rua intransitável – A dificuldade de acesso à propriedade também foi constatada pela reportagem. Na manhã desta sexta-feira, a Rua João Kussarev estava coberta por lama, com pontos em que o solo parecia firme, mas afundava ao receber o peso de quem tentava atravessar.

A própria repórter ficou atolada ao caminhar pelo trecho. Mesmo usando coturno, os pés afundavam cada vez mais no barro, que tinha aspecto de pântano. A tentativa de seguir pelas laterais também não deu certo, a lama se espalhava por praticamente toda a largura da rua.

Pouco depois, o motorista de um Hyundai Creta tentou passar pelo mesmo trecho, mas o veículo ficou atolado. Sem conseguir avançar, ele precisou dar marcha à ré e retornar pelo caminho de onde veio.

Reclamação antiga – Morador do Jardim Veraneio há quatro anos, Elias Costa Soares, de 49 anos, afirma que os problemas na rua já foram resolvidos temporariamente pela Prefeitura, mas voltaram depois de intervenções realizadas na região.

Segundo ele, há cerca de dois anos, equipes municipais utilizaram máquinas e caminhões para nivelar a via e construir bacias de contenção nas laterais, destinadas a receber a água da chuva. "A Prefeitura veio aqui uma vez, colocou duas máquinas, dois caminhões, nivelou isso aqui e fez as bacias de contenção. A rua ficou dois anos de boa", relatou.

Elias afirma que a situação piorou após a instalação de postes de energia, no início do ano passado. Segundo ele, a terra movimentada durante os trabalhos acabou comprometendo as estruturas de contenção, fazendo com que a enxurrada voltasse a descer diretamente pela rua. A relação entre os serviços e os danos, no entanto, não foi confirmada pela concessionária.

Transtorno para tutora, canil alagado vira “playground” de golden
Elias relata os problemas enfrentados pelos moradores do bairro (. Foto: Osmar Veiga)

"A água da chuva tem que entrar nas bacias para a rua ficar limpa. Tinha uma bacia aqui, outra mais acima e outras duas lá em cima. Depois que colocaram os postes, não arrumaram a rua de novo", contou.

Para o morador, a solução seria retirar a terra acumulada e reconstruir as bacias nas laterais da via. Ele afirma que, quando as estruturas estavam funcionando, a rua passou cerca de dois anos sem apresentar os mesmos problemas.

Quando chove forte, Elias precisa utilizar outra saída da propriedade porque não consegue atravessar o trecho. "Eu tenho um portão lá na frente, então saio por lá. Não consigo passar aqui porque a água é demais", explicou.

O morador também reclama que a enxurrada carrega terra para regiões mais baixas, em direção ao Parque dos Poderes. Para ele, o crescimento das construções na região deveria ser acompanhado por melhorias na infraestrutura da rua. A reportagem entrou em contato com a Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) para saber se a via está incluída no cronograma de manutenção, se há previsão de reparos e aguarda retorno.

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Repórter com o coturno enlameado e morador de galochas (. Foto: Osmar Veiga)

Volume de chuva – Conforme nota divulgada pela Prefeitura de Campo Grande, dados do Cemtec-MS (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul) apontam que a Capital registrou 82 milímetros de chuva nesta quinta-feira, acompanhada de granizo e fortes rajadas de vento.

O volume registrado em apenas um dia ficou próximo do acumulado de todo o mês de outubro de 2025.

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