Em São Paulo, Olavo Hummel havia construído uma estrada que chegava nas barrancas do Rio Paraná. Como não havia uma estrada no lado do Mato Grosso do Sul que unisse os campos da Vacaria, atual região de Dourados, a esse rio, a estrada do Hummel acabou abandonada e esquecida. O governo de Cuiabá não se interessava em construir uma estrada em nossa região. Mas havia um homem audaz que a construiu, ainda que não contasse com apoio dos cuiabanos. Esse homem foi Manoel da Costa Lima.

O homem da estrada nasceu em Paranaíba.
Manoel da Costa Lima nasceu em Paranaíba em 8 de outubro de 1.866, há exatos 160 anos. Nos primeiros anos de sua vida, trabalhou na lavoura para ajudar no sustento da família até seu casamento em Campo Grande. O casal teve doze filhos. Dedicou-se à lavoura e à criação e comércio de gado na fazenda Ponte nova a 120 quilômetros da atual capital do MS.

Cuiabano diz não à estrada.
O gado era, nessa época, levado até São Paulo ou Minas Gerais por trilhas. As viagens levavam em média quatro meses. Era uma aventura perigosa e que rendia pouquíssimo lucro para os fazendeiros sul-mato-grossenses. Dentro dessa situação, Manoel da Costa Lima imaginou uma ligação entre Campo Grande e o Estado de São Paulo, uma estrada que chegasse até as barrancas do rio Paraná. Dirigiu-se a Cuiabá com a finalidade de obter apoio para sua iniciativa. Não obteve a receptividade desejada. O governador Antônio Paes de Barros olhou com pessimismo o plano e negou auxilio financeiro.

Estevão Alves Correa salva a estrada.
Obstinado na ideia e precisando de um financiamento para os gastos da estrada, Manoel da Costa Lima, na volta de Cuiabá, passou em Aquidauana para procurar seu amigo Estevão Alves Correa, apelidado Coronel Chá. Este, entusiasmou-se com a ideia de uma ligação mais curta com São Paulo e resolveu apoiar o amigo. Vendeu-lhe fiado uma boiada de 2.000 vacas, o suficiente para os gastos da abertura da estrada. Essa foi a primeira estrada em solo sul-mato-grossense. Não existiu Peabirú ou qualquer outra estrada antes da construída por Manoel da Costa Lima. Republicano convicto, ele denominou o final da estrada, na atual Batagussú, de núcleo XV de Novembro.
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