Após concretizar o sonho da viagem solo até Minas Gerais e rodar por pontos turísticos de Mato Grosso do Sul, a douradense Ingrid Edith Arruda resolveu romper os limites do território brasileiro e encarou novo rolê, desta vez, um tanto quanto desafiador. A bordo da sua Honda Biz, a servidora pública da Uems (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) desbravou países da América do Sul.
Foram mais de 20 dias de estrada começando em 4 de abril ao sair de Dourados, passando pelo Pantanal Sul-mato-grossense, antes de ‘rasgar’ diversas rodovias da Bolívia, Argentina e o Paraguai, totalizando um percurso de mais de 6 quilômetros aproximadamente.
Durante a viagem, Ingrid contou com a presença da amiga Raphaella Lima Ferreira, moradora em Araguari (MG) e que conheceu as aventuras da douradense pelas redes sociais. Entre uma conversa e outra, ambas toparam o desafio, riscando no mapa os destinos a seguir.
“A Rapha me chamou para uma viagem e como eu já queria conhecer a Bolívia, sugeri, e ela topou. Nos conhecemos pelo Instagram e dali surgiu nossa amizade e a vontade de percorrer essas aventuras juntas”, comentou ao Dourados News.

Com tudo planejado, a dupla saiu de Dourados, passou por Campo Grande e logo à frente, já chegando em Aquidauana, desfrutaram das lindas paisagens que o Estado proporciona.
“De lá, seguimos rumo a Corumbá, mas, como começou escurecer, dormimos em Miranda. No outro dia viajamos até o Passo do Lontra, pois ganhamos cortesia de um almoço e acabamos ficando por lá. Foi maravilhoso! Tivemos uma imersão única no Pantanal. Aproveitamos a chegada em Corumbá, fizemos uma pequena manutenção nas motos e aproveitamos o resto do dia para conhecer o Cristo Rei. Que vista incrível!”, relatou a douradense.
A entrada no país vizinho
Considerada a Capital do Pantanal, Corumbá faz fronteira com a Bolívia, o primeiro destino das motociclistas fora do Brasil. Antes de deixar o lado brasileiro, pausa para manutenção nas motos e seguir viagem.
Enquanto Ingrid pilotava a sua Biz, Raphaella se aventurou na Yamaha XTZ 250cc, veículo de um porte maior. Com os trâmites burocráticos todos finalizados, vieram os primeiros percalços para demonstrar que não seria tão simples assim rodar em terras estrangeiras.

“Fizemos todos os trâmites para entrada no país, o nosso e das motos. Mas, infelizmente, um policial de trânsito carimbou nosso documento e pediu uma propina. Depois, seguimos para tentar abastecer e veio o segundo perrengue: o frentista do posto de gasolina não quis colocar combustível”, disse Ingrid ao entrar em Puerto Quijarro.
Em algumas localidades da América do Sul onde há escassez, os combustíveis são racionados aos estrangeiros.
Porém, apesar da preocupação, o espírito de ‘biker’ sempre entra em cena em momentos como este.
Um brasileiro que passava pelo local percebeu a preocupação das amigas e indicou uma residência onde a gasolina era comercializada, resolvendo a situação naquele momento.
Com os tanques das motos cheios, a dupla chegou a El Carmen, passou por Santa Cruz de La Sierra e partiu até Cochabamba, quando o veículo de Raphaella apresentou problemas.
Entre um contato e outro feito com pessoas que conheceram na estrada, as motociclistas conseguiram um guincho que as levaram até um vilarejo chamado Tunari, onde um outro veículo fez o transporte até chegar a Cochabamba e realizar o conserto necessário.
“Chegamos e já tinha uma pessoa nos esperando. Deixamos as motos na oficina e fomos conhecer Cochabamba. Que cidade linda, organizada, estruturada”, relatou Ingrid.
“Ficamos dois dias em ‘Cocha’ e seguimos viagem para Sucre, que um dia foi capital da Bolívia. A partir dali, as paisagens nas rutas [nome dado às rodovias daquele país] ficaram surreais”, contou, afirmando que naquela cidade, o trânsito caótico chamou a atenção logo de cara.
Após passar por museus e visitar monumentos, as duas seguiram até Potosí, antes de chegarem ao destino “mais esperado da viagem”, segundo as aventureiras.
“Pegamos a estrada sentido Uyuni e poucos quilômetros de chegarmos ao destino, surgiu uma curva com subida. De repente, quando a subida acabou, vimos o branco do sal do “Salar de Uyuni” que não tinha fim. Ali, eu não me aguentei e chorei”, disse emocionada a douradense.
Na cidade boliviana, ambas conheceram pontos turísticos, fizeram amizades e encararam, de moto, o ‘salar’, considerado o maior deserto de sal do mundo.

“Precisávamos viver esta experiencia e foi incrível. A sensação de termos chegado até ali, eu com a moto pequena, e a Rapha com uma grande, mas com todos os perrengues que tínhamos passado, foi um prêmio, algo que está dentro de nós que não conseguimos transmitir a dimensão do que aconteceu, pura gratidão por tudo”, contou.
Argentina, Paraguai e o retorno

Depois da estadia na Bolívia, o destino das aventureiras era o Norte da Argentina, onde trafegaram pela famosa ‘Ruta 40’ – maior rodovia daquele país, com extensão aproximada de 5,2 mil quilômetros.
No trajeto, passaram pelas localidades de Tilcara e Purmamarca, na província de Jujuy, onde as paisagens são de “tirar o fôlego”, segundo Ingrid.
Depois, subiram na Cuesta de Lipan, encarando a altitude que ultrapassa os 4 mil metros.

Lá, tiraram fotos ao lado de ilhamas, observaram cenário de montanhas e aproveitaram para comprar lembranças do passeio.
Depois de muita estrada, era a hora do retorno passando pelo Paraguai até chegar em Pedro Juan Caballero, na fronteira com o Brasil através de Ponta Porã.
Já em solo douradense, Ingrid falou sobre a emoção de ter finalizado mais uma aventura e aquilo que guardará sempre na lembrança. “A cultura, vestimenta, costumes de cada região. Achamos os bolivianos pessoas muito fechadas, mas muito respeitadores, acolhedores”, disse.
Próximo projeto

Apesar da viagem inédita, Ingrid já tem um novo destino em mente e novamente na Bolívia. A ideia agora é visitar locais que não conseguiu chegar nesta viagem diante dos poucos dias que possuía de férias no trabalho.
“Passa pela Bolívia novamente e dessa vez, fazendo o que não deu tempo: La Paz e a estrada da Morte. Elas estavam no roteiro, mas minhas férias eram curtas e tive que voltar”, relatou.
Para acompanhar essa nova aventura, basta acessar a rede social de Ingrid, clicando aqui. Já a de Raphaela pode ser conferida aqui.


