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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Festival indígena e Feira das Pulgas unem públicos em programação gratuita em Dourados

Atividades incluem oficinas, cineclube, roda de conversa, rap indígena e rock dos anos 1990 e 2000

Música, arte, empreendedorismo e cultura indígena vão dividir o mesmo espaço em Dourados neste sábado (15). O Pontão de Cultura Casulo recebe a terceira rodada do IV Festival de Música Indígena e a 21ª edição da Feira das Pulgas, em uma programação gratuita que reúne oficinas, apresentações artísticas, gastronomia e 60 empreendimentos da economia criativa.

As atividades começam às 13h e seguem até as 22h no Casulo – Espaço de Cultura e Arte, localizado na Rua Reinaldo Bianchi, 398, no Parque Alvorada.

A programação do Festival de Música Indígena começa à tarde com aulas de capoeira, oficinas de artes visuais e cineclube infantil. Cerca de 30 crianças, jovens e adultos indígenas participam das atividades.

Nesta terceira rodada, a proposta é aproximar o festival de moradores das retomadas de Dourados e região, incluindo participantes de Panambizinho. A iniciativa busca ampliar a participação das comunidades indígenas nas ações culturais promovidas pelo Casulo.

Feira reúne 60 empreendimentos

A partir das 17h, o festival passa a dividir espaço com a Feira das Pulgas. A edição deste sábado teve mais de 100 interessados, dos quais 60 empreendimentos foram selecionados para participar.

Os expositores ocuparão áreas internas e externas do Casulo com produtos e trabalhos de diferentes segmentos, como alimentação, brechó, moda, artesanato, arte, botânica e outras iniciativas autorais.

Criada inicialmente como uma pequena feira de desapego no jardim do espaço cultural, a Feira das Pulgas cresceu com a aproximação entre o Casulo, artistas e produtores locais.

Com o passar das edições, a iniciativa passou a incorporar também empreendedores de alimentação e outros setores, tornando-se uma ação voltada à economia criativa.

“A Feira das Pulgas é uma ação de divulgação e difusão do Casulo, tanto para divulgar o que é produzido na cidade, no âmbito artesanal, que é feito à mão, que é vendido na rua, como também é uma forma de difundir o próprio espaço”, explica Julia Aissa, coordenadora do Casulo.

Parte do dinheiro arrecadado com as inscrições dos expositores é destinada ao pagamento de artistas, fazendo com que os recursos circulem dentro da própria cadeia cultural.

“Ela é uma feira de empreendedorismo criativo, porque estimula o mercado econômico de todos, tanto expositores, como espaços e como artistas”, afirma Julia.

Programação integra públicos

A realização dos dois eventos no mesmo dia busca aproximar públicos que tradicionalmente participavam de atividades diferentes.

Segundo a organização, a integração também pretende criar um espaço de intercâmbio cultural e ampliar a presença indígena na programação do Casulo.

“A ideia de juntar esses dois eventos veio porque eles eram realizados de formas separadas. Nossa intenção é integrar os dois públicos porque vemos o potencial de intercâmbio”, explica Julia.

A coordenadora também destaca que a programação ocorre em um período de valorização e visibilidade dos povos indígenas, após o Dia Internacional dos Povos Indígenas, celebrado em 9 de agosto.

Música e conversa sobre arte

A programação noturna começa às 18h com a Pupa Filosófica. O encontro reúne a escritora indígena Jadi Ribeiro e a empreendedora de moda circular Juliana Mazzarim, do Ateliê Sutis.

A conversa será mediada pela artista da cena Ballroom de Dourados Jeanne Vittor e vai abordar temas como literatura, arte, grafismo, moda e upcycling.

Às 18h30, o palco recebe o grupo de rap indígena Odiados, formado por Marinn, Discreto, Vidau e Guisf. O grupo apresenta músicas autorais inspiradas em experiências, resistência e afirmação cultural.

Encerrando a programação, das 20h às 22h, a Banda Made in 90 apresenta clássicos do rock das décadas de 1990 e 2000.

Para a organização, a união dos eventos também representa uma oportunidade de interculturalidade, ao aproximar moradores indígenas e não indígenas em torno da produção cultural.

“É uma maneira também de trazer essa presença indígena nos eventos do Casulo e promover essa interculturalidade da população de Dourados”, resume Julia.

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