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quinta-feira, 19 de março de 2026

Governo envia 2 especialistas para controlar chikungunya em aldeias de Dourados

Anúncio foi feito nesta quarta-feira pelo diretor da Força Nacional do SUS, Rodrigo Stabeli, em Dourados

O Ministério da Saúde escalou dois especialistas para coordenar as ações contra a epidemia de febre chikungunya na Reserva Indígena de Dourados, a mais populosa do Brasil, com pelo menos 20 mil moradores. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (18) pelo diretor da Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde), Rodrigo Stabeli.

Até esta quarta-feira (18), foram notificados 692 casos suspeitos nas aldeias, dos quais 217 foram confirmados. Há 90 pessoas em atendimento e 3 infectadas que estão internadas. Quatro moradores da reserva morreram nos últimos 22 dias.

Em entrevista coletiva no HU-UFGD (Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados), Rodrigo Stabeli informou que sete profissionais da Força Nacional do SUS chegaram hoje a Dourados. Entre eles está a cientista Lúcia Silveira, consultora do Ministério da Saúde que atua no Gate (Grupo Técnico de Arboviroses) para o controle da dengue e chikungunya.

Segundo Stabeli, nesta quinta-feira chega à cidade, para integrar a equipe, o médico infectologista Rivaldo Venâncio da Cunha, especialista em vigilância e saúde do Ministério da Saúde. Pesquisador da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), Venâncio foi professor titular da UFMD (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e da UFGD e já morou em Dourados.

“Além do trabalho de campo, vamos trabalhar na conscientização dos colegas da saúde no manejo clínico e na reorganização do serviço de saúde ambulatorial, porque muita gente está trabalhando com uma arbovirose que não conhece. Também já identificamos necessidade de mais gente e vamos trazer mais quatro equipes da Força Nacional para fazer a busca ativa, o manejo correto desse caso e o encaminhamento”, explicou Rodrigo Stabeli.

O coordenador disse que as ações emergenciais para conter a epidemia na reserva envolvem três frentes do Ministério da Saúde – a Força Nacional do SUS, a Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena) e Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente.

“A prioridade, junto com o governo do Estado e o município de Dourados, é fazer uma frente articulada para controle vetorial e reorganização do processo assistencial. Estamos fazendo busca e resgate daquela população que está eventualmente infectada e não conseguiu chegar ao posto de saúde”, afirmou Stabeli.

Segundo ele, a equipe da Força Nacional que chegou a Dourados, formada por médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem e responsável de logística, tem vivência no enfrentamento de arboviroses. Os profissionais vão se juntar às equipes que já atuam na reserva. “Surto de chikungunya na região é novidade. A equipe veio também para fazer o treinamento desse pessoal que já atua”, explicou o coordenador.

Rodrigo Stabeli evitou chamar a situação de epidemia e disse, que, pelo menos por enquanto, o caso é tratado como um surto de casos da doença. “Pode ser que ainda hoje o número de casos aumente ao ponto de virar uma epidemia”. Ele foi acompanhado pelo secretário de Saúde de Dourados, Márcio Figueiredo, e pela diretora de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde, Danielle Galindo Martins Tebet.

Governo envia 2 especialistas para controlar chikungunya em aldeias de Dourados
Rodrigo Stabeli (centro), Márcio Figueiredo e Danielle Tebet durante entrevista (Foto: Leandro Holsbach)

Hospital de campanha – A Escola Municipal Tengatuí Marangatu, na Aldeia Jaguapiru, passou a funcionar como hospital de campanha durante a epidemia de chikungunya. No primeiro dia de funcionamento da estrutura, montada na quadra, pelo menos 80 pessoas foram atendidas. As equipes de saúde também intensificaram a busca ativa nas residências, onde há relatos de famílias inteiras com dores nas articulações e náuseas.

O hospital de campanha foi implantado por equipes da Sesai, em parceria com o HU-UFGD. Profissionais de Campo Grande e de Caarapó foram mobilizados para ajudar no atendimento.

A estrutura conta com médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem, farmacêutico, fisioterapeuta e psicólogo. A enfermeira Mariuza Lara, da Sesai, disse que os atendimentos ocorrem das 7h às 19h, mas podem se estender enquanto houver pacientes. Casos mais graves estão sendo encaminhados para o Hospital da Missão Evangélica Caiuá, enquanto gestantes e crianças seguem para o HU-UFGD.

Equipes coordenadas pela Prefeitura de Dourados fizeram 4.319 visitas a moradias nas aldeias e identificaram 1.004 focos do mosquito Aedes aegypti, o mesmo transmissor da chikungunya, dengue e zika. Pelo menos 90% dos focos estavam em caixas d’água, recipientes jogados no lixo e pneus velhos.

A alta incidência de chikungunya na reserva afetou a rotina escolar. Hoje não houve aulas nas escolas municipais e estaduais da Jaguapiru. Na própria escola Tengatuí, pelo menos 30 servidores, entre professores e administrativos, apresentam sintomas da doença. Segundo a diretora-adjunta Egizele Mariano da Silva, há elevado índice de ausência de alunos por causa da doença.

O secretário municipal de Educação, Nilson Francisco da Silva, informou que a suspensão das atividades nas escolas foi uma decisão de lideranças da aldeia, sem aval ou autorização da pasta. Segundo ele, o calendário escolar segue normalmente.

Governo envia 2 especialistas para controlar chikungunya em aldeias de Dourados
Profissional de saúde com amostra de sangue de paciente com sintoma da doença (Foto: A. Frota)

Boletim epidemiológico mais recente mostra que a Reserva Indígena de Dourados registra 692 casos notificados de chikungunya, sendo 217 confirmados, 401 em investigação e 44 descartados.

Quatro moradores das aldeias morreram em decorrência de complicações da doença, sendo uma mulher de 69 anos, um homem de 73 anos, um bebê de 3 meses e outra mulher de 60 anos. A área urbana de Dourados tem 912 notificações, com 379 casos confirmados e nenhum óbito.

O secretário de Saúde de Dourados, Márcio Figueiredo, disse que o poder público tem intensificado as ações, mas reforçou a necessidade de colaboração da população das aldeias.

“Não estamos medindo esforços, mas é fundamental eliminar água parada para reduzir os focos do mosquito”, afirmou. Também pediu a presença de equipes do governo federal para somar esforços contra a epidemia.

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