Os preços da gasolina e do diesel praticados nesta quarta-feira, dia 11, nos postos de Dourados revelam uma alta significativa em relação aos identificados na mais recente pesquisa do Procon (Programa Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor), divulgada há duas semana. A situação é semelhante à identificada em outros Estados brasileiros, em que o setor aponta para uma oscilação de valores praticados pelas distribuidoras.
A alta no diesel é a mais perceptível. O Dourados News levantou os preços em dois dos três postos que vendiam o produto mais barato no dia 23 de fevereiro, data em que o Procon fez o levantamento.
O diesel comum que era comercializado a R$ 5,79 e passou a ser vendido a R$ 6,69, ou seja, 15,5% mais caro em um dos estabelecimentos; e em outro por R$ 6,99, valor 20,7% maior. Já o S10 que era R$ 5,95, aumentou 14,1% em um dos postos chegando a R$ 6,79; 19,1% em outro, onde atingiu R$ 7,09.
Já o posto que praticava os maiores preços em fevereiro, vendia o diesel comum a R$ 6,69 e passou a comercializar a R$ 7 esta semana, alta de 4,6%; e o S10 saiu de R$ 6,79 para R$ 7,29 o litro, ou seja, 7,3% a mais.
GASOLINA
No caso da gasolina, a proporção é menor, mas o cenário também é de alta. O posto que fazia o maior preço vendia a R$ 6,51 o litro no mês passado. Nesta quarta-feira, o mesmo estabelecimento anunciava a R$ 6,69, ou seja, alta de 2,7% no pagamento a vista, a prazo o consumidor chega a desembolsar R$ 7,19.
Já a empresa que vendia gasolina mais barata da cidade a R$ 6,19, aplicou uma alta de 1,6% chegando a R$ 6,29 o litro.
A equipe do Dourados News ainda percorreu mais postos na região central e bairros de Dourados, que também apresentaram elevações nos preços independente das bandeiras.
O QUE DIZEM OS POSTOS
O Sinpetro MS (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo e Lubrificantes de Mato Grosso do Sul) divulgou uma nota pública, em que “manifesta preocupação diante de recentes oscilações nos preços dos combustíveis praticados pelas distribuidoras”.
No documento, a entidade que representa os postos diz que os revendedores “não possuem qualquer ingerência sobre os preços praticados pelas distribuidoras, adquirindo o combustível já com valores definidos nas bases de distribuição, o que impacta diretamente o custo de reposição dos estoques”.
O Sindicato ainda pontua que os postos “dependem da regularidade no fornecimento e de previsibilidade nas condições comerciais, fatores essenciais para garantir o abastecimento normal da população”.
Ao Dourados News, o presidente do Sinpetro MS, Edson Lazarotto, informou que não procede a informação que circula em grupos de aplicativos de mensagens de que é necessário correr para o encher o tanque porque pode faltar combustível.
“O que ocorre é que as distribuidoras estão recebendo apenas os volumes essenciais para atender”, pontuou.
Sobre a expectativa do setor em relação a possibilidade de uma nova alta de preços, ele disse que “tudo é muito volátil, a cada nova notícia pode ocorrer um reflexo na economia como um todo. Nesse momento, as distribuidoras estão adequando seus volumes para poder atender a todos”, relatou.
INVESTIGAÇÃO NOS PREÇOS
O cenário de aumento nos preços dos combustíveis nas bombas pelo país deve ser investigado pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) atendendo a um ofício da Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor), órgão vinculado ao MJSP (Ministério da Justiça e Segurança Pública).
Isso depois que sindicatos que representam postos na Bahia, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Distrito Federal, reclamarem que distribuidoras teriam aumentado os preços dos combustíveis à base de petróleo, antes mesmo da Petrobras anunciar uma elevação dos valores nas refinarias.
A suspeita levantada é de que distribuidoras estariam pedindo cotas adicionais de combustíveis à petroleira para fazer estoques a preços baixos e depois vender mais caro aos postos.
No entanto, a estatal brasileira estaria apenas cumprindo os contratos, sem entregar excedente de produto, o que por sua vez também deixa o mercado em alerta sobre a capacidade de abastecimento diante no cenário global.
INSTABILIDADE NO MERCADO
Essas movimentações seriam reflexo da instabilidade no mercado internacional do petróleo, ocasionada pela guerra no Oriente Médio, que começou no dia 28 de fevereiro com um bombardeio dos EUA e Israel contra o Irã e posteriores represálias do Teerã contra países da região. Na área em conflito está a maior região exportadora de petróleo do mundo, com 60% das reservas globais.
Para monitorar as cadeias de derivados do petróleo, logística e preços, o MME (Ministério de Minas e Energia) ainda anunciou a criação de uma Sala de Monitoramento do Abastecimento para acompanhar as condições do mercado nacional e internacional, incluindo articulações com órgãos reguladores e agentes do setor que atuam do fornecimento primário à distribuição.
A preocupação é porque apesar do Brasil ser considerado autossuficiente e exportador de petróleo bruto, o país importa uma parte dos derivados que consome internamente, principalmente o diesel, ainda que essa compra represente uma fatia menor do mercado.

