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terça-feira, 27 de outubro de 2026

MS Sem Fronteiras: a China do pragmatismo à inovação

“Quem não pensa no que está distante encontrará preocupações bem perto.” A reflexão de Confúcio ajuda a compreender um traço da China contemporânea: sua capacidade de olhar adiante e transformar planejamento em resultados. Foi com essa impressão que retornei da missão do Sistema FIEMS a Guangzhou, realizada em outubro de 2026, durante a primeira fase da Canton Fair.

Para compreender a dimensão dessa experiência, é preciso conhecer a feira. Criada em 1957, ainda no governo de Mao Tsé-Tung, a Canton Fair surgiu em um período de isolamento internacional, como instrumento de aproximação comercial com o exterior. Realizada duas vezes por ano, tornou-se uma das maiores vitrines da produção chinesa, um verdadeiro showroom do que a indústria do país é capaz de oferecer ao mundo.

Essa trajetória antecede as reformas de Deng Xiaoping, iniciadas no fim da década de 1970. É dele a frase que se tornou símbolo do pragmatismo chinês: “Não importa se o gato é preto ou branco, desde que cace ratos.” Mais do que uma provocação, a ideia traduz uma escolha pela eficácia, pela adaptação e pelos resultados.

Esse pragmatismo permanece presente na estratégia industrial do país. Lançado em 2015, durante o governo de Xi Jinping, o Made in China 2025 buscou elevar o padrão tecnológico da manufatura chinesa, com prioridade para robótica, equipamentos avançados e veículos de nova energia. A ambição já não é produzir apenas em grande escala, mas liderar segmentos de maior valor agregado.

Na Canton Fair, pudemos observar essa mudança de perto. O pavilhão de robótica mostrou soluções que aproximam automação e inteligência artificial da rotina industrial. Nos espaços dedicados aos automóveis, chamou a atenção a sofisticação dos veículos e a diversidade de fabricantes chineses, muitos ainda pouco conhecidos no Brasil. A China que encontramos investe em tecnologias próprias e disputa a liderança de novos mercados.

A dimensão empresarial da missão acompanhou essa transformação. Em Guangzhou, realizamos o Encontro Empresarial Brasil–Guangdong e assinamos um protocolo de intenções com a Federação da Indústria e Comércio de Guangdong, ampliando canais de diálogo entre empresas e instituições dos dois lados.

É justamente esse o compromisso do Sistema FIEMS: conectar o empresariado de Mato Grosso do Sul ao mundo e às transformações que estão redesenhando a economia. Conhecer novas tecnologias, compreender tendências e estabelecer relações é parte do esforço de tornar nossa indústria mais competitiva e preparada para novas oportunidades.

Na próxima edição quinzenal de MS Sem Fronteiras, o olhar se voltará para a Coreia do Sul, segunda etapa da missão, e para dois pilares que ajudam a explicar seu desenvolvimento: educação e inovação.

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