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quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Dourados recebe equipe do Iphan para documentar a língua Guarani Kaiowá

Encontro no Casulo Espaço de Arte e Cultura reúne indígenas, pesquisadores da UFGD e gestores culturais para capacitação de equipe que irá documentar a língua

O Casulo Espaço de Arte e Cultura, em Dourados, sedia nesta quinta (8) e sexta-feira (9) uma formação sobre o Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL), iniciativa do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) voltada à identificação, documentação, reconhecimento e valorização das línguas que integram a diversidade cultural brasileira. O encontro reúne indígenas Guarani Kaiowá, pesquisadores da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e gestores do espaço cultural, com a participação da equipe técnica do Iphan que conduz a formação.

Nesta quinta-feira (8), primeiro dia da formação, a programação tem caráter mais teórico, apresentando às lideranças indígenas e aos pesquisadores os objetivos, conceitos e metodologias do INDL. Na sexta-feira (9), a formação avança para uma etapa mais técnica, preparando a equipe local para os procedimentos de pesquisa e documentação. A proposta é oferecer as bases necessárias para que pesquisadores e representantes da comunidade possam realizar a coleta de áudios, vídeos, registros de usos da língua e outros materiais que possam subsidiar a inclusão da língua Guarani Kaiowá no Inventário Nacional.

“No primeiro dia, a equipe do Iphan vai fazer uma formação para as lideranças indígenas e pesquisadores, explicando o que é o Inventário Nacional da Diversidade Linguística. Vai ser uma parte mais teórica e depois, no período da tarde e no dia seguinte, entra a parte mais técnica mesmo”, explica Julia Aissa, coordenadora do Casulo.

Para Fineida Concianza, Nhandecy Guarani Kaiowá e liderança espiritual feminina do povo, a preservação da língua está diretamente relacionada à manutenção da identidade e das raízes culturais. “O português a gente precisa aprender em segundo lugar. Em primeiro lugar, aprender a língua de nós, porque é manter nossas raízes”, pontua.

De acordo com o Iphan, a documentação e o diagnóstico da vitalidade das línguas são etapas fundamentais para sua inclusão no INDL e para seu reconhecimento como referência cultural brasileira. A iniciativa ganha relevância diante dos desafios enfrentados pelas línguas indígenas no Brasil.

Segundo dados do Inventário Nacional da Diversidade Linguística, existem 295 línguas indígenas faladas no País, mas 130 delas são utilizadas por grupos com menos de cem pessoas ou até mesmo por uma única pessoa. Guarani Kaiowá está entre as línguas indígenas com maior número de falantes, com 38.658 pessoas, segundo dados do Censo 2022.

“A língua Guarani Kaiowá, assim como todas as línguas indígenas brasileiras, corre risco de desaparecimento. São vários os fatores, especialmente devido à intensidade de contato com o português e à perda de espaço de uso da língua nativa em seus próprios territórios. A realidade sociolinguística do povo Kaiowá no estado é muito variável, a depender de onde a língua é falada. Um dos objetivos do projeto INDL é diagnosticar essa realidade em cada área, mas sabemos que em muitas delas a criança já tem aprendido o português como primeira língua, em outras, o português entra como segunda língua de forma muito precoce, sobretudo por meio da escola e por meio das tecnologias digitais, mas há áreas em que a língua nativa busca fortalecimento, sendo transmitida de geração em geração e usada o tempo todo no dia a dia da comunidade, sobretudo em conversações entre velhos, adultos jovens e crianças”, afirma o professor e pesquisador da UFGD, Dr. Andrébio Martins.

Para o pesquisador, o processo de inventário também representa uma forma de reconhecer a importância da língua e contribuir para sua permanência. “Inventariar a língua é reconhecer a sua importância, a sua existência e viabilizar a sua permanência, uma vez que ela é um vetor da tradição cultural e o meio de identidade étnica fundamental para os Kaiowá”, completa.

Participam das ações de formação do INDL a indígena Neusa Alziro, Nhandecy do povo Guarani Kaiowá; Geisabel Veron, pesquisadora; Thaisa Yamauie e Daniel Araújo, do Iphan; Marti Méndez pesquisador e Julia Aissa, coordenadora do Casulo Espaço de Arte e Cultura.

A ação conta com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), do Ministério da Cultura (MinC), por meio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS) e da Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura (Setesc). Além do apoio do Iphan, da Comunidade Panambizinho, da Aty Guasu Geral e da Retomada Jovem Indígena (RAJ). Outras informações acesse o Instagram @casulodourados.

Serviço:

Formação do Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL/Iphan)

Data: Quinta-feira (8) e sexta-feira (9) Horários: 8h às 11h30 e das 13h às 17h Local: Casulo Espaço de Arte e Cultura Endereço: Rua Reinaldo Bianchi, 398 – Dourados (MS)

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