A educação brasileira ganhou destaque internacional com o reconhecimento da professora Débora Garofalo, que recebeu o prêmio Global Teacher Influencer of the Year, concedido pela Varkey Foundation, organização responsável pelo Global Teacher Prize, considerado o “Nobel da Educação”.
A premiação aconteceu durante um jantar de gala no hotel Atlantis, The Palm, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Débora foi a primeira pessoa a receber o prêmio, criado para reconhecer professores que utilizam sua influência e alcance para promover a educação dentro e fora da sala de aula.
O reconhecimento representa não apenas uma conquista individual, mas também um símbolo da força da educação pública brasileira, mostrando ao mundo que inovação, criatividade e impacto social podem nascer mesmo em contextos de poucos recursos.
Um projeto que nasceu simples e ganhou o mundo
A trajetória que levou Débora Garofalo a esse reconhecimento internacional começou de forma simples, em uma escola pública na periferia de São Paulo.
Ao perceber os desafios enfrentados por seus alunos e a presença constante de lixo nas comunidades onde viviam, a professora decidiu transformar o problema em oportunidade de aprendizagem. Assim nasceu o projeto “Robótica com Sucata”, que utiliza materiais recicláveis para ensinar conceitos de tecnologia, eletrônica e programação.
No projeto, estudantes entre 6 e 14 anos aprendem a montar motores, circuitos e pequenos protótipos de robôs usando peças reaproveitadas. Mais do que ensinar tecnologia, a iniciativa busca mostrar aos alunos que a inovação pode nascer da criatividade e da vontade de transformar a realidade.
Com o tempo, o projeto passou a envolver diferentes áreas do conhecimento e trouxe resultados concretos, como maior interesse dos estudantes pela escola, redução da evasão escolar e fortalecimento do protagonismo juvenil.
Impacto que ultrapassou a sala de aula
O que começou em uma única escola se expandiu rapidamente. O projeto ganhou visibilidade nacional e passou a inspirar práticas educacionais em diversas regiões.
A iniciativa já impactou milhares de estudantes e mais de quatro mil escolas, além de se tornar uma política pública educacional, sendo replicada em diferentes estados brasileiros e até em outros países.
Para Débora Garofalo, o reconhecimento internacional envia uma mensagem clara sobre o potencial da educação.
“Esse reconhecimento mostra que o trabalho que nasce da periferia, dentro da escola pública, com criatividade, humanidade e compromisso social, pode ganhar o mundo”, afirma.
Ela também destaca que o prêmio pertence a todos que fazem parte dessa caminhada.
“Esse prêmio não é só meu. Ele pertence aos meus estudantes, à comunidade onde ele nasceu e aos professores e professoras de todo o país que todos os dias transformam as dificuldades em aprendizagem.”
Uma trajetória já reconhecida internacionalmente
Essa não é a primeira vez que o trabalho da educadora ganha destaque mundial. Em 2019, Débora Garofalo já havia entrado para a história ao se tornar a primeira mulher brasileira e a primeira sul-americana finalista do Global Teacher Prize, ficando entre os dez melhores professores do mundo.
Agora, com o título de professora mais influente do mundo, sua trajetória reforça a ideia de que a educação tem o poder de transformar realidades e abrir novos caminhos para jovens em todo o planeta.

