O nível de vigilância nas escolas estaduais de Mato Grosso do Sul, como um todo, é comparável ao da USP (Universidade de São Paulo) e serviu de inspiração para a rede do Amazonas. O secretário Helio Daher fez essas afirmações em entrevista dada nesta manhã (6), dois dias após um pai de aluno entrar em surto dentro de instituição de Campo Grande e assustar a comunidade com o episódio.
Chefe da Secretaria Estadual de Educação desde 2023, ele reforçou que "hoje é a rede brasileira mais segura, disparadamente" e que há projetos em estudo para aprimorar a segurança não só dentro das escolas, mas no entorno também.
Um deles é criar um "bolsão de segurança" que inclui câmeras de monitoramento viradas para rua, tanto na frente quanto nas laterais da escola. A ideia é que os policiais da ronda escolar tenham acesso às imagens diretamente das viaturas. A Escola Estadual Brasilina Ferraz Mantero, na Capital, já colocou em prática um sistema-piloto para testar esse projeto.

Outra proposta é instalar equipamento de leitura facial para liberar a entrada na escola apenas de pessoas autorizadas. O projeto é antigo e precisa de revisão devido às novas normas trazidas pelo ECA (Estatuto da Criança e Adolescente) Digital.
"Estamos fazendo uma releitura para entender se podemos realmente captar a imagem de crianças, adolescentes e fazer a guarda digital [dos arquivos]. Até a publicação do ECA Digital, a gente entendeu que era possível construir isso, agora estamos fazendo um novo estudo jurídico para ver se é possível", explica.
Terceira medida para ampliar a segurança seria criar um botão do pânico acionável por aplicativo pelos estudantes. Por enquanto, apenas diretores e demais servidores da educação podem acioná-lo em caso de emergência. "Estamos pensando em como fazer isso de maneira orientada. Como eles não podem usar o celular dentro da escola, a ideia é que possam acessar no caminho de casa até escola, caso se sintam em risco", detalhou o secretário.

A SED (Secretaria Estadual de Educação) ainda não fez pesquisas de preço e não tem estimativa da data de instalação dos projetos, caso aprovados.
Uso de drogas e "matar aula" – Daher recebeu a reportagem no Casi (Centro de Operações de Segurança Integrada), uma central de monitoramento de todas as escolas da rede estadual. Ele fica em Campo Grande.
Só a existência do local já diferencia o Estado dos outros, segundo o secretário. As imagens monitoradas são captadas por câmeras posicionadas do portão para dentro e em outros pontos dos prédios. "Hoje, entendemos que estamos bastante avançados. Comparados às outras redes do Brasil, não existe outra rede pública com a mesma cobertura que a nossa. Nem de perto", pontua.

A cobertura atual dá como resultado não apenas manter os estudantes e servidores mais protegidos de situações de perigo. Outros benefícios são impedir que os estudantes pulem os muros e fujam da aula e usem entorpecentes dentro das escolas.
"Zerar é muito difícil falar que zerou. A gente tenta. A cultura diminuiu muito. Quando você diminui o consumo, diminui o comércio. Nossa equipe faz um trabalho de inteligência e monitoramento pesadíssimo com relação ao comércio, ao combate ao uso do vape, por exemplo", finaliza.

