Por Robson Júnior
Desde a criação de Frankestein (1818), em um futuro não muito distante, “Frank” (Christian Bale), acostumado com a dor e ainda mais solitário, procura a revolucionária cientista Dra. Euphronius (Annette Bening) para que sua “noiva” fosse criada e, assim, ele pudesse experimentar, além do desejo físico, a possibilidade de ser amado.
Maggie Gyllenhaal, após a produção de seu primeiro filme (A Filha Perdida, 2021), arrisca em um terror gótico, cheio de expressões caricatas, figurinos exagerados e cenas musicais que lembram O Grande Gatsby (2013), de Baz Luhrmann.
Coincidentemente ou não, poucos meses após o lançamento de Frankenstein (2025), dirigido por Guillermo del Toro, que vem colecionando prêmios e ainda “corre” em uma disputa por 9 indicações ao Oscar de 2026, A Noiva! (2026) é lançado, criando expectativas para os fãs do romance de Mary Shelley, especialmente após o sucesso de A Noiva de Frankenstein (1935). Mas, funciona?
O filme busca dialogar com o horror esperado no clássico de Frankestein, ao mesmo tempo em que tenta contar a história de um amor proibido que mistura Bonnie e Clyde – Uma Rajada de Balas (1967), Coringa: Delírio a Dois (2024), Pobres Criaturas (2023) e Romeu e Julieta (1968) e discute temas contemporâneos como a identidade feminina.

Ao contrário do longa de Guillermo del Toro, que busca, na medida do possível, ser fiel ao livro e contar a história da “criação”, A Noiva! retrata um caminho mais “objetivo” em que o foco não está na criatura de Victor Frankestein e, sim, na vida da criatura que surge após os esforços de quem, um dia, foi a criatura que não desejou estar ali.
Nesse sentido, o filme também propõe uma releitura crítica da própria figura de Frankenstein ou, mais precisamente, da criatura tradicionalmente retratada pelo cinema clássico como um ser trágico, inocente e essencialmente bom, vítima da rejeição humana. Embora sua motivação para desejar uma companheira surja da solidão e do anseio por não ser o único de sua espécie no mundo, A Noiva! tensiona essa imagem ao evidenciar que esse desejo também carrega uma dimensão de imposição.
Ao solicitar a criação de uma mulher para si, a criatura acaba reproduzindo a mesma lógica que o condenou: a de existir sem escolha. Assim, o filme levanta um questionamento ético e contemporâneo ao mostrar que a noiva, revivida sem qualquer possibilidade de consentimento, também se torna vítima de um processo que ignora sua autonomia, deslocando a narrativa do simples horror gótico para uma reflexão sobre liberdade, identidade e responsabilidade sobre a existência do outro.
Para quem quiser conferir essa nova e provocativa leitura do universo de Frankenstein nas telonas, A Noiva! está em cartaz no Cine Araújo Dourados, no Shopping Avenida Center (Av. Marcelino Pires, 3600 – Loja A-08A).

