A movimentação abaixo do esperado na véspera do Dia de Finados preocupa os ambulantes que trabalham nos arredores dos cemitérios de Campo Grande. Neste domingo (1º), vendedores de flores e velas relataram pouca procura e apostam no feriado desta segunda-feira (2) para melhorar as vendas.
No Cemitério Santo Antônio, Wagner Rodrigues, de 52 anos, trabalha no mesmo ponto há 23 anos durante o período de Finados. Segundo ele, o movimento perdeu força ao longo do tempo. Até o início da manhã, havia vendido apenas dois vasos de flores.
“Antigamente era mais movimentado. Agora não vem. O pessoal antecipa”, contou.
Para o ambulante, a tradição de visitar os cemitérios também tem diminuído entre as gerações mais novas. Apesar da baixa procura, ele mantém a expectativa de que o movimento aumente no dia do feriado.
A percepção é semelhante entre outros comerciantes. Crisvânia Alves Rodrigues, de 27 anos, que trabalha em um ponto no Cemitério Parque Primavera há sete anos, também classificou o movimento deste ano como parado. Até o momento da entrevista, havia registrado entre oito e dez vendas.
Segundo ela, os preços e a divulgação de pesquisas sobre os valores das flores também podem ter influenciado a procura.
No mesmo cemitério, Michel Tavares, de 37 anos, trabalha há uma década com a venda de flores durante o período. Ele contou que havia feito cerca de 20 vendas, mas considerou o movimento inferior ao de outros anos. Além do comércio sazonal, ele trabalha como feirante.
Compra antecipada – Enquanto os ambulantes aguardam os clientes, parte das famílias que visitou os cemitérios neste sábado já chegou com flores compradas antecipadamente. Foi o caso de Regina Canapelle, de 57 anos, que levou os arranjos no próprio carro.

A empresária contou que a família costuma antecipar a visita para evitar o movimento intenso do dia 2, quando também há restrições para a entrada de veículos. Antes de chegar ao cemitério, eles passaram em um supermercado para comprar as flores.
A mesma escolha foi feita por Benícia Carolina, de 69 anos. A aposentada levou flores de casa e aproveitou a visita para regar as orquídeas próximas aos túmulos dos pais. Ela contou que costuma ir ao cemitério antes do feriado para evitar o fluxo maior de pessoas.
Benícia mantém o hábito desde a morte dos pais. Para ela, a data representa um momento de saudade e recordação. “Nunca foi um dia triste para mim. É um dia de saudade e recordação, de lembrar as coisas boas que eles fizeram”, afirmou.

Com a antecipação das visitas e das compras, os ambulantes esperam que o feriado deste domingo concentre uma parcela maior dos consumidores e ajude a recuperar as vendas.
Pesquisa de preços – A procura por flores e velas também ocorre em meio à diferença de preços entre os estabelecimentos de Campo Grande. Levantamento do Procon-MS, divulgado na semana anterior ao feriado, identificou variação superior a 200% entre os produtos pesquisados para o Dia de Finados.
A maior diferença foi registrada no crisântemo em vaso tamanho 11, encontrado por valores entre R$ 14,90 e R$ 45. A oscilação de 202,01% representa uma diferença de R$ 30,10 entre o menor e o maior preço.
O levantamento também identificou diferenças nos preços de velas, conforme a marca, o tamanho e a quantidade de unidades por embalagem.

