Sem ter para onde ir, uma mulher aguardava atendimento na Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), em Campo Grande, com fome e sem saber onde passaria as próximas horas. Foi nesse cenário que a reportagem a encontrou na manhã desta sexta-feira (9). Enquanto esperava, ela contou que havia sido estuprada, agredida e ameaçada de morte por um homem que morava no mesmo conjunto de quitinetes que ela, no Parque dos Laranjais, na Capital.
Segundo o relato, a violência começou depois que ela se separou do marido e passou a morar sozinha em um dos quartos alugados. O suspeito, que também vivia no local, seria usuário de drogas e, conforme a vítima, começou a entrar repetidamente no imóvel e a importuná-la quando percebeu que ela estava sem a companhia do ex-companheiro.
A mulher contou que, em uma das primeiras situações, acordou e encontrou o homem sobre ela, praticando um ato sexual sem consentimento. Na ocasião, ela afirmou que conseguiu reagir e o afastou. Depois, procurou o proprietário das quitinetes para denunciar o ocorrido, mas, segundo ela, não recebeu apoio. O homem teria minimizado a situação e atribuído a denúncia ao consumo de bebida alcoólica.
No dia seguinte, a situação teria se repetido. Ao encontrar novamente o suspeito dentro do quarto, a vítima o confrontou e disse que contaria à polícia e ao ex-marido o que havia acontecido. Foi então, conforme o relato, que ele pegou um facão e passou a ameaçá-la.
Com medo de ser morta, ela procurou ajuda de amigos e chegou a deixar o imóvel para se proteger. Mesmo assim, afirma que continuou sendo perseguida e intimidada. Durante a madrugada, voltou ao local e pediu ao proprietário que permitisse que ela descansasse em uma área comum da casa, pois estava com medo de permanecer sozinha no quarto.
A resposta, segundo a mulher, foi de que deveria voltar para o próprio cômodo. Ela também afirma que o proprietário a agrediu com chutes, deixando marcas pelo corpo, e ameaçou expulsá-la do imóvel. A vítima havia acabado de pagar o aluguel do mês seguinte.
Em meio às ameaças, a mulher decidiu acionar a polícia. Enquanto aguardava a chegada da equipe, acabou cochilando. Nesse momento, segundo ela, o suspeito voltou a atacá-la. Ao tentar escapar, recebeu outro chute na perna e caiu.
Uma amiga passou pelo local e, conforme a vítima, também conhecia o homem por episódios anteriores de violência. Quando os policiais chegaram, o suspeito havia fugido. A mulher contou aos agentes o que havia acontecido e indicou que ele poderia estar escondido na casa do proprietário das quitinetes.
Durante as buscas, os policiais entraram no imóvel, mas não encontraram o suspeito naquele momento. Posteriormente, ele foi preso, conforme apurado pela reportagem.
Além da violência física e sexual, a vítima relata que ficou sem condições de permanecer no lugar onde morava e sem apoio familiar. Separada do marido, ela diz não ter parentes com quem possa contar e teme voltar ao endereço onde ocorreram os ataques.
A reportagem tentou contato com representantes da delegacia para obter informações sobre o caso, mas, durante a troca de plantão, nenhum servidor estava disponível para atender. No local, havia apenas uma funcionária dos serviços gerais.

