Isabel Cristina Freitas de Souza, de 38 anos, encontrada morta dentro de um saco de lixo em um córrego de Terenos, será sepultada sem velório nesta quinta-feira (5). O corpo estava em estado avançado de decomposição e, segundo a irmã da vítima, não há condições de realizar a despedida. O enterro está marcado para as 8h30, no Cemitério Park Monte das Oliveiras, na Avenida Guaicurus, em Campo Grande.
“Minha irmã não vai ter um velório digno. Minha irmã não vai poder ter velório porque o corpo dela já foi encontrado em estado avançado de decomposição”, lamentou Fabiana, em entrevista ao Campo Grande News.
Segundo ela, o corpo foi liberado pelo Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal) e encaminhado à funerária, mas não poderá passar pelos procedimentos habituais de preparação. Isabel também não poderá ser vestida pela família. “A minha irmã não vai poder vestir nenhuma roupa, porque o corpo dela já está se decompondo. O caixão vai vir lacrado, só para enterrar”, relatou.
Fio da meada – Fabiana também contou como a Polícia Civil chegou ao local onde Isabel foi encontrada, nesta terça-feira (3). Segundo ela, um pescador encontrou sapatos às margens do córrego onde o corpo foi encontrado, na região de Terenas, a cerca de 30 km de Campo Grande.
O objeto foi entregue em uma delegacia no dia seguinte e Fabiana reconheceu que o calçado era da irmã desaparecida há 10 dias. “Eu fui na delegacia, reconheci o sapato dela. É o sapato dela”, contou.
A pessoa que encontrou o sapato também relatou ter visto um saco suspeito dentro do córrego. Segundo Fabiana, o homem percebeu um cheiro forte, mas não abriu o plástico preto porque imaginou que pudesse ser algum animal.
Com base nesse relato, os policiais foram ao local indicado e encontraram o corpo dentro do saco. Conforme a irmã, as roupas e tatuagens ajudaram na identificação de Isabel. “Ela estava com a mesma roupa [que vestia no dia em que desapareceu]”, explicou.
Desaparecimento – Isabel estava desaparecida desde 24 de outubro, quando saiu de casa para ir a um pagode na Avenida Capibaribe, no Bairro Santo Antônio, em Campo Grande. Na ocasião, estava acompanhada de uma pessoa que a família não conhecia.
Por volta das 23h20 daquela noite, ela pediu um Pix à irmã. O último contato com Fabiana ocorreu pouco depois das 2h do dia seguinte. Desde então, o celular permaneceu desligado.
Durante dez dias, familiares procuraram informações sobre o paradeiro da mulher, até a localização do corpo, nesta terça-feira (3).
A Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) investiga o caso. A suspeita inicial é de feminicídio, mas a causa da morte e a possível participação de outras pessoas ainda não foram esclarecidas.

